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quarta-feira, 28 de março de 2012

Sobre A Caixa Negra de Amos Oz


Nos últimos anos,  quando aparecem as listas dos possíveis vencedores do Prémio Nobel, o nome de Amos Oz tem estado em lugar de destaque.
Apenas tinha lido um livro seu, Contra o Fanatismo. A obra não tem mais de cinquenta-sessenta páginas e contem discursos do autor. Não era um romance, apenas discursos, mas concordei com o ponto de vista do Israelita.
Em A Caixa Negra, a sinopse diz que o livro é a caixa negra de uma relação amora desfeita. Deve ser mais fácil vender o livro dizendo isso, mas o que Amos Oz fala nesta obra e essencialmente do fanatismo nos seus diversos modos. Vou a meio do livro, por este andar será um dos melhores livros que li até hoje.

quinta-feira, 22 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Último Homem na Torre - Aravind Adiga


Com o seu primeiro romance, O Tigre Branco, Aravind Adiga conseguiu o notável feito de conquistar o Man Booker Prize de 2008. Em O Último Homem na Torre continua a falar sobre o seu país.
Em Bombaim, o construtor Dlarmen Shah, decide construir um edifício luxuoso num bairro antigo da cidade. A escolha recai sobre os terrenos onde está instalada a Cooporativa de Habitação Vishram que é constituída pelas Torres A e B. Nesses edifícios vivem as pessoas da chamada classe média indiana. O edifício não tem um fornecimento constante de água corrente, está situado perto dos bairros de lata, numa zona onde o barulho derivado ao tráfego aéreo é intenso, além disso, encontra-se bastante degradado, contudo estes indianos são considerados privilegiados pois a maioria da população vive em bairros-de-lata.
“«Um homem  é como um cabra amarrada a um poste»,(…) todos nós temos uma certa dose de livre-arbítrio, mas não muita.”
Dlarmen Shah faz uma proposta irrecusável, 190.000 rupias por m2, quando o valor na zona está situado entre 80.000 e 120.000 rupias por m2. “A Índia é uma república. Se um homem quer continuar a morar na sua casa, é livre de o fazer.” Será esta afirmação verdadeira?
Adiga fala-nos da corrupção e do porquê dos construtores terem tanto poder (“um politico famoso telefonara para os escritórios do Cofidence Group e debitara um número, uma quantia de dinheiro que teria de ser transportada nessa noite para a sua sede de campanha.”); mas é sobretudo as relações humanas que são questionadas neste romance, temas como hipocrisia; a inveja; a traição; as desilusões; a humilhação; a solidão; a fé e claro a poder que o dinheiro tem nessas relações estão presentes ao longo de todo o livro. Também são impressionantes as descrições que faz de Bombaim, sem nunca ter-mos visitado a cidade, ficamos com a impressão que passa-mos a conhecer parte dela.
Não tão bom como O Tigre Branco é no entanto um livro de elevada qualidade.
Boa leitura…

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mario Vargas Llosa em A Tia Julia e o Escrevedor



Sobre as bruxas ou os médium...


O escriturário fez-nos sentar à volta da mesa (não redonda mas sim quadrangular), apagou a luz, ordenou que déssemos as mãos (...) Eu pedi ao escriturário que chamasse o meu irmão Juan, e, surpreendentemente (porque nunca tive irmãos), veio e mando-me dizer, pela benigna voz do médium que não devia preocupar-me com ele pois estava com Deus e que rezava sempre por mim.

Mais citações e sugestões sobre A Tia Julia e o Escrevedor de Mario Vargas Llosa:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Mario%20Vargas%20Llossa

terça-feira, 13 de março de 2012

José Saramago - Cadernos de Lanzarote Diário II



Cadernos de Lanzarote, Diário II, foi escrito há 18 anos. Todos os dias José Saramago escrevia nesse seu caderno. A pergunta que se coloca é inevitável: Será proveitoso ler um diário escrito no ano de 1994? Infelizmente o mundo não mudou tanto assim deste então, razão pela qual este diário ainda é bastante atual.
Muitos amigos de Saramago são mencionados: Jorge Amado; Siza Viera; José Rodrigues Migueis; Eduardo Lourenço; Mário Soares, mas também fala de pessoas que não gosta como Cavaco Silva; Mario Vargas Llossa; ou António Lobo Antunes.
O Nobel que chegaria em 1998 já era tema de algumas crónicas. Deus, também ocupou várias páginas. Com uma humildade extrema, revela que muitas vezes teve na fila da sopa dos pobres, também dá a conhecer que estava previsto ser preso pela PIDE a 29 de Abril de 1974.
Sobre os seus livros garante que o Memorial do Convento “já está na História de Portugal”. Também publica um excerto de uma crítica ao Memorial, onde Ângela Caires afirma: “Para não falar do flop total de outra tentativa, Memorial do Convento, de que seguramente ninguém guarda memória.” O Evangelho também é abordado, e nesse ano escrevia o Ensaio Sobre a Cegueira.
O seu ceticismo perante as atitudes dos seres humanos é bem patente ao longo de todo o diário, entre outras coisas, fala sobre o holocausto e do medo que possa um dia voltar, critica a política de Fidel Castro além de manifestar apoio ao regime. Sobre a europa prevê que um dia será comandada pela Alemanha, relativamente a Portugal, afirma que os nossos maiores inimigos somos nós mesmos.
 O reconhecimento pelo seu trabalho chegava dos mais diversos recantos do mundo, o que o levou a afirmar que razão tinha quem dizia que ninguém é profeta na sua terra.
Muitas mais coisas são abordadas neste diário, o melhor é mesmo lê-lo, eu já comecei a ler outro, o diário I.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Muito Obrigado Teresa...



Uau! Ganhei um prémio da Teresa Dias, do blog rol de leituras

"O Prémio Dardos reconhece os valores que cada blogueiro mostra em cada dia no seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais... que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras."


Muito obrigado Teresa...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Gunter Grass em A Caixa


"Em todo o caso, e na verdade por eu ter dito que, se o pai tivesse de sair, eu saía também, a casa acabou por ser simplesmente dividida. Ele ficou com a parte mais pequena, para a esquerda das escadas, mantendo a sua toca la em cima. Além disso, mais uma divisão, para servir de cozinha, e por baixo o quarto com casa de banho que antes fora o quarto dos pais, mais abaixo o seu escritório, onde ficava sentado a sua secretária, que lhe dactilografava as cartas. Foi decerto a melhor solução. Mas as minhas amigas até fizeram troça: « Mas isso é brutal! É como o Muro de Berlim, a passar mesmo através  da casa. Só falta o arame farpado.»"

Sugestão de leitura de A Caixa de Gunter Grass:

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Franz Kafka - O Processo


Se fosse feita a vontade de Franz Kafka, “O Processo” nunca tinha sido editado. Antes de morrer, em 1924, o autor polaco tinha deixado ordem para queimarem todos os seus escritos, felizmente assim não o entendeu Max Brod. Ao editar a obra, Brod deu a conhecer ao mundo um autor que é hoje considerado um dos mais influentes do século xx. “O Processo” é considerado uma das suas melhores obras.
“Alguém devia ter caluniado Josef K., visto que uma manhã o prenderam, embora ele não tivesse feito qualquer mal.” É desta forma que ficamos a saber da detenção deste gerente de um importante banco.
Ao logo do livro, Kafka vai descrevendo o desenrolar deste processo, dessa forma, somos confrontados com temas como a corrupção, (“tem de tomar em consideração que eu, das minhas relações, retiro grandes vantagens para os meus clientes”); do “negócio” que é a justiça, (“também é possível que na esperança de me apanharem dinheiro finjam continuar o processo”); mas o autor não aborda apenas os temas referentes à justiça, fala também de preconceitos sociais, (“- Tem de ser casaco preto. – Se é isso que faz andar as coisas mais depressa, tenho realmente conveniência em vesti-lo”); da vida dupla de muita gente, (“durante a noite e até manha alta, servia à mesa numa cervejaria e, durante o dia, só deitada podia receber visitas”); da falta de ideais na politica, (“Pertenciam todos ao mesmo partido, só aparentemente divido em dois – o da esquerda e o da direita”); também fala de temas como o adultério, os “favores sexuais” para obter benefícios na justiça, mas é sobretudo a burocracia que é questionada neste livro.
Perto do final do livro, Kafka diz que todos nós trabalhamos num teatro, em cada profisão não somos mais do que isso: actores; também questiona se a mentira não esta a ser transformada em ordem mundial…o que sei é que ainda hoje muito do que é descrito no livro acontece, isso mostra como a sociedade, neste aspecto, pouco evoluiu desde então.
Boa leitura…

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Gonçalo Cadilhe - 1 km de Cada Vez


Longe vai o tempo em que Gonçalo Cadilhe se fazia á estrada com um objectivo claro: chegar. O tempo que passava em cada sítio nunca podia ser muito, pois precisava de “coleccionar novos sítios” para depois “vender” o que ai tinha visto as mais diversas revistas.
Em 1 km de Cada Vez, encontra uma nova forma de viajar, “ao passo de caracol”, nome que chegou a pensar para este livro. Agora o tempo que está nos locais serve para neles reflectir sobre as suas histórias, ou ainda sobre os costumes e modos de vida das populações, tudo isto, sem a pressa de outros tempos. Ao longo do livro somos convidados a visitar vários locais do nosso planeta, como por exemplo, Khayletitsha, situada na África do Sul, é a maior favela do mundo e aí constata que, muitos anos depois do fim do apartheid, são apenas os negros que habitam aquela favela; numa viagem de autocarro entre Safi e Tanger fala sobre os filmes de Hollywood e afirma que são irreais; vai a Galápagos homenagear Darwin e fala sobre a Bíblia; no parque natural de Etosho chega a conclusão que os resorts são vedados á realidade que os rodeia.
São quinze meses de viagem em que Cadilhe passou pelos mais fabulosos e longínquos recantos do planeta como o Sudoeste Asiático, a América Central, a Polinésia, as Caraíbas, a Oceânia e ainda por vários sítios de África, mas ele não é um turista como a maioria, pois a realidade que retrata é sempre a realidade das populações que habitam os mais diversos locais e essa é uma realidade bem diferente daquela que os turistas estão habituados a ver.
Boa leitura…

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Miguel Sousa Tavares em No Teu Deserto

"Claudia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails, e contactos no facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertios, "leves", dispóníveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão."

Excerto página 119

Sugestão de leitura de No Teu Deserto de Miguel Sousa Tavares:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/No%20Teu%20Deserto

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

14 Fevereiro: Data para também recordar a Violência no Namoro

Como é possível em pleno século XXI estes números serão tão elevados...é dramático.


"Dados resultantes de estudos nacionais acerca da violência nos relacionamentos de namoro revelam-nos que 1 em cada 4 jovens, com idades compreendidasentre os 13 e os 29 anos, já foi, pelo menos uma vez,vítima de um comportamento abusivo nos seus relacionamentos de namoro (dados de um estudorealizado na Universidade do Minho em 2008 ecoordenado pela Prof. Carla Machado)"

Fonte APAV 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Invisível - Paul Auster


Foi como tradutor que Paul Auster iniciou a sua carreira, confessa que ganhava menos nessa altura que um vendedor de hambúrgueres, mas, foi através da experiência adquirida com esse trabalho que ganhou maturidade para posteriormente publicar as suas obras. É hoje um dos nomes mais consagrados da literatura norte-americana. Em 2006 foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias. A sua obra encontra-se traduzida em trinta línguas.
Três narradores contam a história que decorre entre 1967 e 2007 e se desenrola em Nova Iorque, Paris e uma Ilha das Caraíbas. O autor transporta-nos até á Primavera de 1967, um jovem que sonhava ser poeta chamado Adam Walker conhece Rudolf Born e a sua esposa Margot, Born é uma personagem enigmática, nas conversas que tem com Walker consegue comparar a conquista da América aos índios com o projecto que Hitler tinha para a Europa, defende Fidel Castro mas ataca o comunismo e ainda avisa Walker que os poetas passam fome. Walker é convidado a ir a casa de Born e aí desenrola-se um triângulo amoroso cujas consequências são irreversíveis. Mas, Walker também se revela numa pessoa misteriosa. Born será a pessoa visível e invisível de Walker ao longo de todo do livro.
Um homem assassinado depois de ter tentado assaltar duas pessoas, o professor que deixa a universidade onde está em menos de uma semana, um homem que pratica sexo com a sua irmã e um pessoa a tentar conquistar a filha de uma ex-mulher sua, fazem do décimo quinto romance de Paul Auster um livro intrigante.
Boa leitura…  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Obrigada Teresa,

Selo Liebster Blog, significa querido, amado, favorito, em alemão.


Este selo foi-me oferecido pela Teresa Dias, do blog http://roldeleituras.blogspot.com/
Mais do que a oferta deste selo, tenho-lhe a agradecer os comentários sobre livros que publica no seu blog. Certos livros, se os li foi por causa das suas opiniões.
O meu muito obrigada por tudo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

José Saramago, Cadernos de Lanzarote

Não consigo é mais forte do que eu....
Cada vez que pego num livro de Saramago apenas para ler algumas páginas, acontece-me sempre a mesma coisa, acabo por o ter que levar comigo e lê-lo todo.
Cadernos de Lanzarote Diário II é só mais um exemplo do que sempre acontece.

Sugestões de leitura e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Código Da Vinci - Dan Bromn


“O Codigo Da Vinci” foi, sem dúvida, o maior sucesso de Dan Brown. Só em Portugal foram vendidos mais de quinhentos mil exemplares e conta com mais de setenta  milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
Silas, um albino que está ao serviço do bispo da Opus Dei Manuel Aringarosa, assassina os três guardiões que sabem de um segredo guardado a séculos pelo Priorado De Sião, uma organização secreta que chegou a ter como grão-mestres nomes como Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Da Vinci.
 Mais tarde, já dentro do museu do Louvre, prepara-se para assassinar o actual grão-mestre da organização, mas, Jacques Sauniére descobre que todos os que sabiam do segredo estavam mortes, e caso o mesmo acontece-se a ele um dos mais poderosos segredos guardados até hoje perder-se-ia para sempre. Antes de falecer, Sauniére deixa pistas através de símbolos, que serão desvendadas por Robert Langdon, conceituado simbologista e pela sua falsa neta Sophie Neveu.
O Código Da Vinci é um livro muito polémico e bastante criticado pela igreja, no entanto, não podemos esquecer que é uma obra de ficção, nesse campo, é dotado de uma envolvência e dinâmica que nos faz viver o enredo de uma forma apaixonante.
Não é o meu tipo de livro preferido, mas tenho que reconhecer que a forma como Dan Brown escreve as suas obras, faz-me “colar” à história e lê-los rapidamente, além disso, são sempre várias as pesquisas que faço na net durante a leitura dos seus livros.
Boa leitura…

domingo, 22 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Richard Zimler em Ilha Teresa

"É incrível como o nosso respeito por uma pessoa pode desaparecer num simples instante."

Excerto retirado da pagina 107


Sugestão de leitura de Ilha Teresa de Richard Zimler:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/ilha-teresa-richard-zimler.html

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre Némesis de Philip Roth



Já acabei de o ler!
Este é o meu terceiro livro de Roth, foi o melhor livro que li do autor Americano. Vai direitinho para a lista dos melhores livros que li até agora.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sintra é indescritível.

Clicar na foto para ver em tamanho original.

«Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada, nada, que valha a Pena. É a cousa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o Castelo do Santo Graal.»


Richard Strauss

domingo, 8 de janeiro de 2012

O filho de mil homens - Valter Hugo Mãe


Era uma vez um pescador a quem os amores não correram bem De nome Crisóstomo, vivia sozinho apesar de estar na casa dos quarenta anos, apenas sentia ser metade porque não tinha filhos.
Era uma vez Camilo, que podia ser filho de 15 homens, a sua mãe, uma anã, morreu no parto. Após a morte do avô, vê-se sozinho com apenas 14 anos.
Camilo é obrigado a fazer-se à vida e embarca numa traineira, é aí que conhece Crisóstomo. A partir daí o pescador passa a ser uma pessoa completa pois já encontra a outra metade de si, para Crisóstomo, Camilo é como se fosse um filho. Mas para Crisóstomo passar a ser o dobro ainda falta aparecer Isaura. Era uma vez Isaura…e era uma vez Antonino que sendo maricas foi casado com Isaura. Era uma vez…Era uma vez…
“Quem tem menos medo de sofrer, tem maior possibilidade de ser feliz.”
Não, este livro não é uma história para crianças, é um romance de uma das maiores promessas literárias portuguesas, Valter Hugo Mãe. O livro tem partes, tal como o Princepizinho de Saint-Exupéry que parecem banais, mas são de uma complexidade extrema.
Valter Hugo Mãe fala-nos da felicidade; do amor e da falta dele, da solidão; dos preconceitos (“que ridículo soava a ideia de uma triste anã querer amar, se o amor era um sentimento raro já para as pessoas normais”); da velhice e de como pode ser dolorosa (“A Isaura sentia que a mãe já era só uma memoria com necessidade de atenções médicas, era uma recordação cruel e difícil”); do que é o amor de mãe (“os filhos perdoados são outra vez perfeitos”); também critica a Igreja (“os pobres que casam hão-de precisar de um anel destes…o padre guardou para o lote das esmolas, depois de derretida a aliança de casamento de Isaura, iria em dinheiro para o banco e para as fortunas poupadas da Igreja, que nunca ninguém calculava o que valia”).
Ao longo do livro, sem nunca esquecer que “a felicidade é a aceitação do que se pode ser”, Crisóstomo consegue construir a sua família e ser feliz. (“Farto como estava de ser sozinho, aprendera que a família também se inventa”)
 Gostei mais do livro “a máquina de fazer espanhóis”, mas este também é um bom livro, pode ser considerado uma utopia, mas uma utopia para um mundo melhor.
Boa leitura…

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sobre O Quarto de Jack


Quem sou eu para questionar um finalista do Man Booker Prize, mas O Quarto de Jack, derivado ás elevadas expetativas que tinha, foi a maior desilusão de 2011.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pensar 2011 com o olho em 2012


Do ponto vista literário, em 2011 descobri Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes, os dois autores portugueses vivos que mais gosto.
Foi também um ano em que senti bastante saudade dos “Cadernos de Saramago”. Muitas vezes, foi através da escrita do Nobel Português que apercebi-me das maiores atrocidades que o ser humano é capaz de fazer, assim como do inverso.
No que se refere à parte económica, 2012 será um ano terrível. Julgo que poucas dúvidas restam a esse ponto, mas a vida também tem outras coisas e cabe aproveita-las para tornar 2012 um ano menos difícil.
O que desejo para 2012? Continuar a ser feliz como o foi até hoje. Desejo o mesmo a todos, que sejam felizes no próximo ano.  

José Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo

"O tempo dos milagres ou já passou ou ainda está para chegar."


Sugestões e citações de livros de José Saramago:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

10.000 visitas. Obrigado a todos os que passaram por cá.

Número total de visualizações de página

Sparkline 10,000

Quando comecei este blog, julgava inalcansavel as 10.000 visitas. Hoje sei que não é muito, existe blogues que têm essas visitas em 1 mês. No entanto 10.000 visitas são 10.000 visitas e deixa-me contente. 
Obrigado a todos os que passaram por cá.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Endereço Desconhecido - Tiago Salazar

Existem muitos livros que são adaptados ao formato televisivo. Endereço Desconhecido de Tiago Salazar foi um programa exibido na RTP2 que posteriormente deu lugar a um livro. Ao longo das páginas somos convidados a conhecer os últimos países que aderiram à União Europeia, são eles: a Bulgária, Roménia, República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Lituânia, Letónia, Estónia, Polónia, Hungria, Chipre e Malta.
Tiago Salazar leva-nos aos sítios mais emblemáticos de cada país. De uma forma muito cosmopolita, somos convidados a conhecer os museus, os restaurantes, os hotéis, e os sítios históricos desses países.
A título de exemplo, na República Checa, somos convidados a conhecer a Ponte Carlos e o Castelo da mítica cidade de Praga, também descobrimos o sítio onde o grande escritor Franz Kafka viveu alguns anos. Em Bratislava, na Eslováquia ficamos a conhecer o restaurante Ufo onde “além da excelência do restaurante, da vista e do concílio entre os povos, o preço é excepcional.” Na Lituânia entrevista Arunas Matelis, “o maior documentarista da história lituana.” Nesse país mostra-nos também o Monte das Cruzes, “uma floresta de milhões de cruzes que se espalha a perder de vista para os montes e vales em redor.” Em Liepaja, na Letónia fala-nos de um espectacular resort, situado à beira mar, era um antigo posto militar. Na Estónia encontra o escritor português João Lopes Graça. Na Hungria leva-nos a visitar o Lago Balaton, “o maior lago doce da Europa.”
No entanto, não posso deixar de alertar que este é um livro extremamente elitista, muitos dos sítios visitados são demasiado caros (ex. resort, restaurantes, bares típicos, hotéis), além disso, a maioria das entrevistas que faz, e são muitas ao longo do livro, são banais, por exemplo, na Estónia entrevista um antigo ministro dos negócios estrangeiros e apenas faz-lhe duas perguntas. Já vi alguns dos programas televisivos, na minha opinião, não sendo o programa uma raridade, é bem melhor que o livro.
Todos estes países ainda são endereços desconhecidos para muitos portugueses, a leitura do livro é uma outra forma de viajar até esses países.

            Boa leitura…

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

José Saramago - Ensaio Sobre a Lucidez


Os tornados são fenómenos meteorológicos pouco frequentes no nosso país. O livro que acabo de tem a força de um tornado, mas dos mais violência que a história registou. Em pouco mais de 300 páginas, Saramago mostra-nos como é a actual democracia e como todos nos somos responsáveis por está situação.
Se chegamos à situação que o país se encontra, deve-se muito a falta de consciência das nossas populações. Não foram só os políticos, os banqueiros, ou os especuladores que nos levaram há actual crise. Não tivemos consciência e portanto somos todos responsáveis. Acho que essa é uma das principais mensagens a reter em Ensaio Sobre a Lucidez.

Sugestões e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago


domingo, 4 de dezembro de 2011

Herta Muller - A Terra das Ameixas verdes


De origem Alemã, Herta Muller nasceu em Nitchidorf na Roménia. Em 1987, na altura com 34 anos, saiu da Roménia pois a ditadura de Ceausescu proibiu-a de publicar no seu país, a partir dai, viveu sempre em Berlim. Após vários prémios internacionais foi galardoada em 2009 com mais importante prémio literário, o Nobel da Literatura.
“A Terra das Ameixas Verdes” pode ser interpretado como um livro político, pois as personagens personificam muitos dos Romenos que foram oprimidos pelo regime comunista, delas apenas o primeiro nome sabemos, do narrador nem isso, contudo, Muller não cria personagem heróicas, no inicio do romance Lola suicida-se pois não conseguiu resistir à perseguição que foi submetida, a narradora encontra em Georg, Edgar e kurt amigos na resistência contra as atrocidades que ambos vão passando. Ao longo do livro, a escritora vai descrevendo o sofrimento passado pelos jovens, como por exemplo, ver as suas correspondências serem interceptadas pela polícia, o racismo existente no país ou ainda serem submetidas a diversas formas de tortura e inclusivamente serem presos. Ambos alimentam a esperança de fuga, que por vezes é encontrada depois de atravessar o Danúbio, outras através de actos como o que Lola cometeu.
Um livro de palavras difíceis e duras, em que a frontalidade de Hertha Muller transforma este livro num grito de todos os desapontados e oprimidos que pelo mundo fora vivem em regimes ditatoriais e são submetidos física e psicologicamente às piores atrocidades que um ser humano pode ser submetido.
Boa leitura…

sábado, 3 de dezembro de 2011

Aravind Adiga em O Tigre Branco




"Senhor primeiro-ministro, não lhe terei a dar nenhuma novidade se lhe disser que a história do mundo é a história duma guerra de dez mil anos entre os cérebros dos ricos e dos pobres."



Sugestões e citações de livros de Aravind Adiga:

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

José Saramago em Ensaio sobre a Lucidez



Sobre o número da grave geral de ontem

"Se ainda cá estivessem os aritméticos da polícia diriam que, ao todo, não eram mais de cinquenta mil pessoas, quando o número exacto, o número autêntico, porque o contámos todas, uma por uma, era dez vezes maior."


Sugestões de leitura e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão

   


Infelizmento, tanto nas guerras como na política só se luta pelo pode...

      “- Quer dizer – sorriu o coronel Aureliano Buendía quando terminou a leitura – que só estamos a lutar pelo poder.
            - São reformas tácticas – replicou um dos delegados. – Por agora, o essencial é dilatar a base popular da guerra. Depois se verá.
            Um dos assessores políticos do coronel Aureliano Buendía apressou-se a intervir.
            - É um contra-senso – disse. – Se estas reformas são boas, quer dizer que o regime conservador é bom. Se com elas conseguimos dilatar a base popular da guerra, quer dizer que o regime tem uma imensa base popular. Quer dizer, em resumo, que durante quase vinte anos estivemos a lutar contra os sentimentos da nação.
            Ia prosseguir, mas o coronel Aureliano Buendía interrompeu-o com um gesto. «Não perca tempo, doutor», disse. «O que importa é que a partir deste momento só lutamos pelo poder.»(…)
            (…) Os seus homens entreolharam-se consternados.
            - Perdoar-me-á, coronel – disse suavemente o coronel Gerineldo Márquez -, mas isto é uma traição.
            O coronel Aureliano Buendía deteve no ar a pena já com tinta e descarregou sobre ele o peso da toda a sua autoridade.
            - Entregue-me as suas armas.
            (…)
            - Fica à disposição dos tribunais revolucionários.”

Sugestões de leitura e citações de livros de Gabriel García Márques:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Gabriel%20Garc%C3%ADa%20M%C3%A1rquez

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Madeira: um deputado vota por 25

Parece que na Madeira um deputado pode agora votar por 25.
Deste já aplaudo está medida, os deputados do PSD Madeira estão sempre muito ocupados com os seus negócios particulares, os orçamentos que as suas empresas têm de dar para as obras serem adjudicadas por ajuste directo retiram-lhes muito tempo, além disso, têm que ter férias como qualquer cidadão nacional, por isso temos que ser solidários e compreender a medida.
Qualquer dia o parlamento da madeira vai aprovar uma lei, onde apenas seja legal existir um partido político, para não haver surpresas.
Se alguma coisa que disse em cima for mentira, também não faz mal. O deputado do PSD Madeira disse em pleno plenário que esta medida (de um deputado poder votar por outros) era actualmente aplicada no parlamento europeu, o que é mentira. Mas também o que podemos esperar de um político que não seja a mentira?


Desenvolvimento da noticia:
http://www.tvi24.iol.pt/politica/madeira-psd-deputados-tvi24/1301636-4072.html


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ética para o Novo Milénio - Dalai Lama

Tenzin Gyatso, é o 14º Dalai Lama. Líder espiritual dos Tibetanos, sempre lutou pela autonomia do Tibete, contudo, defendeu uma luta através de processos pacíficos. O seu trabalho na defesa da paz é reconhecido à escala global, em 1989 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz e conta com mais de 100 títulos Honoris causa. “Ética Para o Novo Milénio” é para muitos um dos seus livros mais marcantes.
Uma das respostas que o ser humano sempre procurou é “como ser feliz”. Segundo o autor, existe uma grande confusão no ser humano, que o faz pensar que é através dos bens materiais que conquista a felicidade, no entanto, a felicidade conquista-se através da compaixão, do amor, da paciência, da tolerância, da noção de responsabilidade e da harmonia, entre outros factores.
No mundo ocidental são cada vez mais os que recorrem a tranquilizantes, em contrapartida, nas sociedades menos desenvolvidas esse tipo de fármacos não é tão procurado e as pessoas tendem a ser mais felizes. Para Dalai Lama este aspecto deve-se, sobretudo, ao facto de dedicarem mais tempo uns aos outros.
Para o monge budista, mais importante do que ser um crente religioso é ser um bom ser humano. “Ética Para o Novo Milénio” não impõe uma prática diária como alguns tipos de livros de auto-ajuda, Tenzin Gyatso afirma que, também ele, algumas vezes tem comportamentos pouco éticos. É sim, um livro que nos ensina a sermos melhores e, com isso, mais felizes.
Boa leitura…

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Afinal a crise não existe...

Pagamos mais de um milhão para o Queiroz ir embora, ouve quem disse-se que nunca mais lá íamos, ouve o caso do desertor/mercenário, ouve ainda quem afirma-se “É pá, não estás a treinar os juniores.”
Mas ontem parece que não havia crise, voltou a haver orgulho em ser português, a Portuguesa foi cantada várias vezes, e sempre de uma forma muito sentida.
No tempo de Salazar Portugal era Fado, Fátima e Futebol, agora o que será?

Saramago completava hoje 89 anos...


Estou a ler o Ensaio Sobre a Lucidez, cada vez tenho mais a certeza de uma coisa: Saramago não tem bons livros, ou são muito bons, ou simplesmente são obras de arte.
Este pequeno video bem podia servir de introdução ao Ensaio Sobre a Lucidez.

Sugestão de leitura e citações de livros de Saramago:

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre O Quarto de Jack de Emma Donoghue

O Quarto de Jack tem sido até ao momento uma tremenda desilusão. Quando o comprei, nunca tinha ouvido falar da escritora, mas a obra tinha sido finalista do Man Booker Prize e do Orange Prize. Na capa, Michael Cunningham afirma que " o Quarto de Jack é uma raridade, uma completa e original obra de arte", pois bem, estou a meio do livro e ainda não vi nada, a continuar assim é um livro de 6-7 valores.
Geralmente só faço comentários aos livros depois de os acabar, pois já tive surpresas nas ultimas páginas, será este um deles?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aravind Adiga em O Tigre Branco

O corpo dum homem rico é como uma almofada de algodão da melhor qualidade, branca, macia e sem marcas. Os nossos são diferentes. A coluna vertebral do meu pai era corda cheia de nós, do género do que as mulheres usam nas aldeias para tirar água dos poços; as clavículas descreviam uma curva em alto-relevo à volta do pescoço, como uma coleira de cão; golpes, incisões e cicatrizes, como pequenas mascas deixadas por um chicote, percorriam-lhe o peito e a cintura, chegando-lhe abaixo dos ossos da bacia até às  nádegas. A história dum homem pobre está-lhe escrita no corpo, com uma caneta de ponta aguçada. 

Sugestão de leitura de O Tigre Branco de Aravind Adiga:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/04/aravind-adiga-o-tigre-branco.html

domingo, 6 de novembro de 2011

Albert Camus em O Estrangeiro





Depois do almoço aborreci-me um pouco e vagueei pela casa. Quando a mãe cá estava era comodá. Agora é grande de mais para mim...




Sugestão de leitura de O Estrangeiro de Albert Camus:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/O%20Estrangeiro

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Daniel Sampaio - Da Família, da Escola, e Umas Quantas Coisas Mais

“Da Família, da Escola e Umas Quantas Coisas Mais” é o vigésimo livro de Daniel Sampaio. Natural de Lisboa, formou-se em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Desde 2008 que é Professor Catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental nessa faculdade. Neste novo livro reúne um conjunto de crónicas originalmente publicadas na revista Pública em que o tema central é a família, a escola e a cidadania.
“Não pretendo ser neutro, nem busco consenso a todo o custo. Defendo a necessidade de nos preocuparmos com o que nos rodeia, com especial atenção para os que estão mais próximos, sobretudo se forem mais vulneráveis.
É sobretudo das pessoas mais próximas que o psiquiatra fala-nos, assim sobre as crianças, afirma que devem praticar desporto, mas ressalva: “ o desporto apenas se recomenda, não se pode impor (…) outras crianças preferem desenhar ou aprender música, não faz sentido obriga-las a jogar à bola.” Desaconselha a televisão nos quartos, (“nunca deverão estar no quarto dos mais pequenos”), diz não haver a necessidade de comprar brinquedos caros pois “as crianças preferem o faz-de-conta” além disso, “a exploração do território fora de casa promove a autonomia e a autoconfiança e a sujidade nas roupas não é factor de risco”.
Sobre a escola diz que os pais devem educar “ sempre com esperança e orgulho nos filhos, mas procurando nunca criar expectativas irrealistas ou traçar metas que não dizem respeito aos interesses das crianças.” Diz que a família não é uma democracia, mas “um espaço de crescimento emocional onde cada um tem o direito de falar ou ficar calado, e todos têm o dever de pensar no cuidar e bem-estar do outro.”
Ainda aborda temas como a internet; o controlo parental; os rituais familiares; o bowling; os chumbos na escola, as depressões e a democracia.
Boa leitura…