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segunda-feira, 21 de maio de 2012

1Q84 Vol.1 - Haruki Murakami



Haruki Murakami é um dos escritores mais consensuais da atualidade. É raro o leitor, independentemente do seu gosto literário, – romance, policial, fantástico, etc. – que não goste dos seus livros. O seu nome tem sido apontado como um dos principais candidatos a receber o Prémio Nobel da Literatura.
“O ano de 1984, como eu o conhecia, já não existe. Estamos em 1Q84.”
Murakami é mestre em criar ambientes surreais. 1Q84 não é exceção. Mas é através desses cenários que aborda temas relacionados com a sociedade contemporânea. Quanto a mim, o autor nipónico é um dos escritores que melhor questiona o mundo atual.
O enredo é muito bem construído, mas o rumo da estória evolui de acordo com os temas que pretende questionar. Aomame é uma mulher com trinta anos, sem família, junta-se a uma velha senhora que é detentora de uma grande fortuna, a jovem faz justiça com as próprias mãos e mata vários homens que praticam atos violentos contra as mulheres. Tengo é um jovem professor e aspirante a escritor, a mando do seu editor reescreve A Crisálida de Ar, livro escrito por Fuka-Eri, conta a história do Povo Pequeno. O livro ganha um importante prémio para jovens escritores e Tengo tem de manter o segredo de que foi ele quem rescreveu a obra.
Neste enredo o autor questiona temas como a dislexia; a importância das amizades; o livre-arbítrio que cada um de nós tem; as vidas-duplas; as relações sexuais; a homossexualidade; a pedofilia; mas é sobretudo o fanatismo religioso, assim como a violência masculina sobre as mulheres que têm mais destaque neste livro.
Como qualquer livro de Murakami as referência musicais não poderiam faltar, a sinfonietta Janácêk tem particular destaque. As referências ao mundo consumista, nomeadamente através das marcar mundialmente conhecidas, (ex; Ray-Ban, Esso, Saab) está presente ao longo de todo o livro.
“ Um homem que tem prazer em violar raparigas pré-púberes, um guarda-costas homossexual bem constituído, pessoas que escolheram a morte em vez de uma transfusão de sangue, uma mulher que se suicida com comprimidos para dormir quando está grávida de seis meses, uma mulher que liquida homens problemáticos espetando-lhes uma agulha na parte de trás do pescoço, homens que odeiam as mulheres, mulheres que odeiam os homens”…um mundo com duas luas, o Povo Pequeno…transformam 1Q84 num excelente livro.
Boa leitura…

domingo, 13 de maio de 2012

Paul Auster em Invisível


"É demasiado triste para ser bela. Uma pessoa assim tão triste nunca pode ser bela."
Excerto da página 96

Sugestão de leitura de Invisível de Paul Auster:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Paul%20Auster

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Comissão das Lágrimas - António Lobo Antunes




António Lobo Antunes é um dos escritores portugueses mais premiados. Entre os vários prémios que conquistou, destacam-se o Prémio para Melhor Livro Estrangeiro publicado em França, 1997; o Prémio Jerusalém, 2005; e o Prémio Camões, 2007. Não deixa de ser curioso que só após a atribuição de dois dos prémios mais importantes a nível mundial tenha-lhe sida atribuído o mais importante prémio para escritores de língua portuguesa. Em Comissão das Lágrimas volta ao tema da guerra colonial.
Vive-se o período da pós-independência, as tropas portuguesas ainda estão em Angola, mas um grande sentimento de vingança está presente dos dois lados. Cristina saiu de África aos cinco anos, agora internada numa clinica psiquiátrica recorda esses tempos trágicos.
“Porque em Angola é assim, tudo ao contrário do que se imagina”.
O racismo; a incerteza no futuro; o medo; a responsabilidade de ambos os lados; o sentimento de culpa e de perdão ou a crueldade humana são temas abordados ao longo do livro.
“Um dia destes Deus vai saber de certeza.”
Lobo Antunes não esconde a realidade, como uma escrita poética e ao ritmo do pensamento humano vai descrevendo esse período histórico em que milhares de pessoas abandonaram o país deixando tudo o que tinham, quem ficou testemunhou a destruição, muitos foram assassinados, outras ainda continuaram a praticar atos racistas.
“…o pai da Cristina a recordar o cubículo para onde se atirava as granadas, contando os segundos antes da explosão, um dois três quatro cinco, que calava os gemidos e as rezas, calava o silêncio também,…depois das granadas desaferrolhava-se o cubículo e nem sequer muito sangue, ossos ao léu rompendo a pele e a carne”
Um livro duro, de palavras difíceis, onde a morte não tem importância e o silêncio é aterrador.
Com este livro António Lobo Antunes da mais razão as vozes que reclamam para si o Prémio Nobel da Literatura.
Boa Leitura…

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lucy Eyre em O Dia em que Sócrates Vestiu Jeans



"Era, com certeza, preferível uma pessoa ter consciência da sua falta de conhecimento e aprender, a viver ignorante até da dimensão da sua própria ignorância."
Excerto página 36

"É um erro pensar que a felicidade é qualquer coisa que merecemos e não temos. Muitas coisas boas são apenas a ausência de coisas más... saúde, segurança e liberdade são bons exemplos... e nós não somos bons a apreciar o que falta. Felicidade é o estado em que não desejamos que qualquer coisa fosse diferente. Portanto, se aceitarmos as coisas como elas são, podemos permitir a nós mesmos ser felizes."
Excerto página 152

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Queda dum Anjo - Camilo Castelo Branco



A 16 de Março de 1825, no Largo do Carmo em Lisboa, nascia Camilo Castelo Branco. Mais tarde tornara-se o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos. Tinha 65 anos, quando a 1 de Junho de 1890 faleceu. Autor de uma vastíssima obra literária, “A Queda dum Anjo” é, para muitos, um dos seus melhores livros.
O herói do conto é Calisto Barbuda, morgado de Agra de Freimas, casado com a sua segunda prima D. Teodora de Figueiroa. Calisto é um homem extremamente simples. Consegue ser eleito deputado para o parlamento. Logo nos seus primeiros discursos ganha o respeito da plateia, são suas bandeiras o combate à corrupção e à luxúria, defende sempre a moral dos bons costumes antigos e ataca a liberdade dos modernos. Calisto é apontado como um político exemplar, só que após algum tempo em Lisboa dá-se “a quedo dum anjo”, o politico perfeito rende-se ao luxo da capital portuguesa, apaixona-se por uma jovem e mantém uma relação ilícita como D. Ifigénia com quem acaba por viver maritalmente e ter duas filhas. Em Angra de Freimas, a mulher do deputado após ser abandonada por este, junta-se com Lobo Gamboa, seu primo, estes acabam por ter um filho.
Camilo Castelo Branco critica a sociedade de então, contudo, se as personagens não tivessem tantos bigodes e a maneira de vestir fosse mais moderna, poderíamos pensar que esta era uma obra a criticar a sociedade atual. Temas como o adultério, a luxúria dos políticos e a corrupção são hoje tão modernos como foram à data da publicação desta obra.
Boa leitura…

domingo, 15 de abril de 2012

António Lobo Antunes em Comissão das Lágrimas



"...e há pessoas com poder em toda a parte, meu filho, uma vida não tem preço aos olhos do Senhor mas não se deve transigir com o pecado, jogámos os egípcios no Mar vermelho, tirámos a boa vida a Job e demos-lhe um caco de telha para as crostas, não lembrando Sodoma e Gomarra, tornadas cinzas em menos de um  fósforo, a vingança é minha, está na Bíblia, e por conseguinte, de acordo com as Escrituras, não te rales com o poder dos pescadores, mesmo que seja o teu pai, o teu irmão, o teu primo, a acaba-me essas fossas até ao anoitecer, não trago a paz mas a Guerra, declara o Evangelho conforme declara que aqueles que matam pela espada morrerão pela espada, e se Deus fala assim,ainda que cheirando a sopa, quem somos tu ou eu para o contradizermos..."

Excerto da página 108


Sugestões e citações de livros de António Lobo Antunes:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Ant%C3%B3nio%20Lobo%20Antunes

sábado, 7 de abril de 2012

Um homem e duas mulheres - Doris Lessing



A 11 de Outubro de 2007, Doris Lessing chegava de táxi a casa após ter ido às compras, quando um jornalista da BBC a informa que ganhou o Prémio Nobel da Literatura desse ano, responde: "Ganhei todos os prémios existentes na Europa, todos sem exceção, por isso estou encantada por ganhá-los todos. É uma abada geral."
A leitura de trezentas páginas deu para concluir que não tem uma escrita muito acessível. Muita rico sim, cheia de pormenores, mas basta ler uma página com menos atenção para se perder o caminho para onde a autora nos quer levar.
Foi por isso positiva a minha iniciação nesta autora através de um livro de contos. É verdade que houve uns que adorei, também confesso que outros tive dificuldade em percebe-los.
“Não será exagerado dizer-se que nos círculos da nossa sociedade provar e experimentar as pessoas no amor é provavelmente a segunda atividade mais importante, sendo a primeira arranjar dinheiro:”
É este o tema mais abordado ao longo do livro, o comportamento do ser humano nas relações amorosas. A autora mostra o lado sombrio que por vezes existe nos casamentos. É sua opinião que a traição destrói sempre um casamento, mesmo que as pessoas o neguem; fala da solidão que certos casais vivem; das suas discussões e como podem ser traumáticas; também aborda o tema das depressões por causa dos desentendimentos conjugais, ao longo do livro é sempre o lado negativo dessas relações que nos é mostrado.
Lessing também aborda temas como o incesto, a pena de morte, a segunda guerra mundial, a pedofilia ou a Igreja.
“As pequenas coisas divertem as pequenas mentalidades.” Este é um livro, onde de uma forma dura e sem nunca esconder a realidade, se fala de “grandes coisas”.
Voltarei à autora, mas quanto isso acontecer terei de estar a ler apenas o seu livro.
Boa leitura…

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sobre A máquina de Joseph Walser de Gonçalo M. Tavares



Este ano, é o primeiro livro que leio de Gonçalo M. Tavares, contudo, no espaço de um ano, será a terceiro obra que leio dele.
Se me perguntassem qual o autor português vivo que mais gosto, teria que nomear dois nomes, Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

António Lobo Antunes em Sôbolos Rios que Vão


"...é necessário desinfectar este quarto, retirar os espelhos, mudar o colchão, outro doente hoje e mais novo coitado, não o intestino, os pulmões, chega a duvidar-se que Deus existe e se existe não se preocupa,..."

Excerto da página 198


Sugestão de leitura de Sôbolos Rios que Vão:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/S%C3%B4balos%20Rios%20que%20V%C3%A3o

quarta-feira, 28 de março de 2012

Sobre A Caixa Negra de Amos Oz


Nos últimos anos,  quando aparecem as listas dos possíveis vencedores do Prémio Nobel, o nome de Amos Oz tem estado em lugar de destaque.
Apenas tinha lido um livro seu, Contra o Fanatismo. A obra não tem mais de cinquenta-sessenta páginas e contem discursos do autor. Não era um romance, apenas discursos, mas concordei com o ponto de vista do Israelita.
Em A Caixa Negra, a sinopse diz que o livro é a caixa negra de uma relação amora desfeita. Deve ser mais fácil vender o livro dizendo isso, mas o que Amos Oz fala nesta obra e essencialmente do fanatismo nos seus diversos modos. Vou a meio do livro, por este andar será um dos melhores livros que li até hoje.

quinta-feira, 22 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Último Homem na Torre - Aravind Adiga


Com o seu primeiro romance, O Tigre Branco, Aravind Adiga conseguiu o notável feito de conquistar o Man Booker Prize de 2008. Em O Último Homem na Torre continua a falar sobre o seu país.
Em Bombaim, o construtor Dlarmen Shah, decide construir um edifício luxuoso num bairro antigo da cidade. A escolha recai sobre os terrenos onde está instalada a Cooporativa de Habitação Vishram que é constituída pelas Torres A e B. Nesses edifícios vivem as pessoas da chamada classe média indiana. O edifício não tem um fornecimento constante de água corrente, está situado perto dos bairros de lata, numa zona onde o barulho derivado ao tráfego aéreo é intenso, além disso, encontra-se bastante degradado, contudo estes indianos são considerados privilegiados pois a maioria da população vive em bairros-de-lata.
“«Um homem  é como um cabra amarrada a um poste»,(…) todos nós temos uma certa dose de livre-arbítrio, mas não muita.”
Dlarmen Shah faz uma proposta irrecusável, 190.000 rupias por m2, quando o valor na zona está situado entre 80.000 e 120.000 rupias por m2. “A Índia é uma república. Se um homem quer continuar a morar na sua casa, é livre de o fazer.” Será esta afirmação verdadeira?
Adiga fala-nos da corrupção e do porquê dos construtores terem tanto poder (“um politico famoso telefonara para os escritórios do Cofidence Group e debitara um número, uma quantia de dinheiro que teria de ser transportada nessa noite para a sua sede de campanha.”); mas é sobretudo as relações humanas que são questionadas neste romance, temas como hipocrisia; a inveja; a traição; as desilusões; a humilhação; a solidão; a fé e claro a poder que o dinheiro tem nessas relações estão presentes ao longo de todo o livro. Também são impressionantes as descrições que faz de Bombaim, sem nunca ter-mos visitado a cidade, ficamos com a impressão que passa-mos a conhecer parte dela.
Não tão bom como O Tigre Branco é no entanto um livro de elevada qualidade.
Boa leitura…

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mario Vargas Llosa em A Tia Julia e o Escrevedor



Sobre as bruxas ou os médium...


O escriturário fez-nos sentar à volta da mesa (não redonda mas sim quadrangular), apagou a luz, ordenou que déssemos as mãos (...) Eu pedi ao escriturário que chamasse o meu irmão Juan, e, surpreendentemente (porque nunca tive irmãos), veio e mando-me dizer, pela benigna voz do médium que não devia preocupar-me com ele pois estava com Deus e que rezava sempre por mim.

Mais citações e sugestões sobre A Tia Julia e o Escrevedor de Mario Vargas Llosa:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Mario%20Vargas%20Llossa

terça-feira, 13 de março de 2012

José Saramago - Cadernos de Lanzarote Diário II



Cadernos de Lanzarote, Diário II, foi escrito há 18 anos. Todos os dias José Saramago escrevia nesse seu caderno. A pergunta que se coloca é inevitável: Será proveitoso ler um diário escrito no ano de 1994? Infelizmente o mundo não mudou tanto assim deste então, razão pela qual este diário ainda é bastante atual.
Muitos amigos de Saramago são mencionados: Jorge Amado; Siza Viera; José Rodrigues Migueis; Eduardo Lourenço; Mário Soares, mas também fala de pessoas que não gosta como Cavaco Silva; Mario Vargas Llossa; ou António Lobo Antunes.
O Nobel que chegaria em 1998 já era tema de algumas crónicas. Deus, também ocupou várias páginas. Com uma humildade extrema, revela que muitas vezes teve na fila da sopa dos pobres, também dá a conhecer que estava previsto ser preso pela PIDE a 29 de Abril de 1974.
Sobre os seus livros garante que o Memorial do Convento “já está na História de Portugal”. Também publica um excerto de uma crítica ao Memorial, onde Ângela Caires afirma: “Para não falar do flop total de outra tentativa, Memorial do Convento, de que seguramente ninguém guarda memória.” O Evangelho também é abordado, e nesse ano escrevia o Ensaio Sobre a Cegueira.
O seu ceticismo perante as atitudes dos seres humanos é bem patente ao longo de todo o diário, entre outras coisas, fala sobre o holocausto e do medo que possa um dia voltar, critica a política de Fidel Castro além de manifestar apoio ao regime. Sobre a europa prevê que um dia será comandada pela Alemanha, relativamente a Portugal, afirma que os nossos maiores inimigos somos nós mesmos.
 O reconhecimento pelo seu trabalho chegava dos mais diversos recantos do mundo, o que o levou a afirmar que razão tinha quem dizia que ninguém é profeta na sua terra.
Muitas mais coisas são abordadas neste diário, o melhor é mesmo lê-lo, eu já comecei a ler outro, o diário I.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Muito Obrigado Teresa...



Uau! Ganhei um prémio da Teresa Dias, do blog rol de leituras

"O Prémio Dardos reconhece os valores que cada blogueiro mostra em cada dia no seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais... que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras."


Muito obrigado Teresa...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Gunter Grass em A Caixa


"Em todo o caso, e na verdade por eu ter dito que, se o pai tivesse de sair, eu saía também, a casa acabou por ser simplesmente dividida. Ele ficou com a parte mais pequena, para a esquerda das escadas, mantendo a sua toca la em cima. Além disso, mais uma divisão, para servir de cozinha, e por baixo o quarto com casa de banho que antes fora o quarto dos pais, mais abaixo o seu escritório, onde ficava sentado a sua secretária, que lhe dactilografava as cartas. Foi decerto a melhor solução. Mas as minhas amigas até fizeram troça: « Mas isso é brutal! É como o Muro de Berlim, a passar mesmo através  da casa. Só falta o arame farpado.»"

Sugestão de leitura de A Caixa de Gunter Grass:

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Franz Kafka - O Processo


Se fosse feita a vontade de Franz Kafka, “O Processo” nunca tinha sido editado. Antes de morrer, em 1924, o autor polaco tinha deixado ordem para queimarem todos os seus escritos, felizmente assim não o entendeu Max Brod. Ao editar a obra, Brod deu a conhecer ao mundo um autor que é hoje considerado um dos mais influentes do século xx. “O Processo” é considerado uma das suas melhores obras.
“Alguém devia ter caluniado Josef K., visto que uma manhã o prenderam, embora ele não tivesse feito qualquer mal.” É desta forma que ficamos a saber da detenção deste gerente de um importante banco.
Ao logo do livro, Kafka vai descrevendo o desenrolar deste processo, dessa forma, somos confrontados com temas como a corrupção, (“tem de tomar em consideração que eu, das minhas relações, retiro grandes vantagens para os meus clientes”); do “negócio” que é a justiça, (“também é possível que na esperança de me apanharem dinheiro finjam continuar o processo”); mas o autor não aborda apenas os temas referentes à justiça, fala também de preconceitos sociais, (“- Tem de ser casaco preto. – Se é isso que faz andar as coisas mais depressa, tenho realmente conveniência em vesti-lo”); da vida dupla de muita gente, (“durante a noite e até manha alta, servia à mesa numa cervejaria e, durante o dia, só deitada podia receber visitas”); da falta de ideais na politica, (“Pertenciam todos ao mesmo partido, só aparentemente divido em dois – o da esquerda e o da direita”); também fala de temas como o adultério, os “favores sexuais” para obter benefícios na justiça, mas é sobretudo a burocracia que é questionada neste livro.
Perto do final do livro, Kafka diz que todos nós trabalhamos num teatro, em cada profisão não somos mais do que isso: actores; também questiona se a mentira não esta a ser transformada em ordem mundial…o que sei é que ainda hoje muito do que é descrito no livro acontece, isso mostra como a sociedade, neste aspecto, pouco evoluiu desde então.
Boa leitura…

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Gonçalo Cadilhe - 1 km de Cada Vez


Longe vai o tempo em que Gonçalo Cadilhe se fazia á estrada com um objectivo claro: chegar. O tempo que passava em cada sítio nunca podia ser muito, pois precisava de “coleccionar novos sítios” para depois “vender” o que ai tinha visto as mais diversas revistas.
Em 1 km de Cada Vez, encontra uma nova forma de viajar, “ao passo de caracol”, nome que chegou a pensar para este livro. Agora o tempo que está nos locais serve para neles reflectir sobre as suas histórias, ou ainda sobre os costumes e modos de vida das populações, tudo isto, sem a pressa de outros tempos. Ao longo do livro somos convidados a visitar vários locais do nosso planeta, como por exemplo, Khayletitsha, situada na África do Sul, é a maior favela do mundo e aí constata que, muitos anos depois do fim do apartheid, são apenas os negros que habitam aquela favela; numa viagem de autocarro entre Safi e Tanger fala sobre os filmes de Hollywood e afirma que são irreais; vai a Galápagos homenagear Darwin e fala sobre a Bíblia; no parque natural de Etosho chega a conclusão que os resorts são vedados á realidade que os rodeia.
São quinze meses de viagem em que Cadilhe passou pelos mais fabulosos e longínquos recantos do planeta como o Sudoeste Asiático, a América Central, a Polinésia, as Caraíbas, a Oceânia e ainda por vários sítios de África, mas ele não é um turista como a maioria, pois a realidade que retrata é sempre a realidade das populações que habitam os mais diversos locais e essa é uma realidade bem diferente daquela que os turistas estão habituados a ver.
Boa leitura…

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Miguel Sousa Tavares em No Teu Deserto

"Claudia! Todos têm terror do silêncio e da solidão e vivem a bombardear-se de telefonemas, mensagens escritas, mails, e contactos no facebook e nas redes sociais da Net, onde se oferecem como amigos a quem nunca viram na vida. Em vez do silêncio, falam sem cessar; em vez de se descobrirem, expõem-se logo por inteiro: fotografias deles e dos filhos, das férias na neve e das festas de amigos em casa, a biografia das suas vidas, com amores antigos e actuais. E todos são bonitos, jovens, divertios, "leves", dispóníveis, sensíveis e interessantes. E por isso é que vivem esta estranha vida: porque, muito embora julguem poder ter o mundo aos pés, não aguentam nem um dia de solidão."

Excerto página 119

Sugestão de leitura de No Teu Deserto de Miguel Sousa Tavares:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/No%20Teu%20Deserto

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

14 Fevereiro: Data para também recordar a Violência no Namoro

Como é possível em pleno século XXI estes números serão tão elevados...é dramático.


"Dados resultantes de estudos nacionais acerca da violência nos relacionamentos de namoro revelam-nos que 1 em cada 4 jovens, com idades compreendidasentre os 13 e os 29 anos, já foi, pelo menos uma vez,vítima de um comportamento abusivo nos seus relacionamentos de namoro (dados de um estudorealizado na Universidade do Minho em 2008 ecoordenado pela Prof. Carla Machado)"

Fonte APAV 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Invisível - Paul Auster


Foi como tradutor que Paul Auster iniciou a sua carreira, confessa que ganhava menos nessa altura que um vendedor de hambúrgueres, mas, foi através da experiência adquirida com esse trabalho que ganhou maturidade para posteriormente publicar as suas obras. É hoje um dos nomes mais consagrados da literatura norte-americana. Em 2006 foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias. A sua obra encontra-se traduzida em trinta línguas.
Três narradores contam a história que decorre entre 1967 e 2007 e se desenrola em Nova Iorque, Paris e uma Ilha das Caraíbas. O autor transporta-nos até á Primavera de 1967, um jovem que sonhava ser poeta chamado Adam Walker conhece Rudolf Born e a sua esposa Margot, Born é uma personagem enigmática, nas conversas que tem com Walker consegue comparar a conquista da América aos índios com o projecto que Hitler tinha para a Europa, defende Fidel Castro mas ataca o comunismo e ainda avisa Walker que os poetas passam fome. Walker é convidado a ir a casa de Born e aí desenrola-se um triângulo amoroso cujas consequências são irreversíveis. Mas, Walker também se revela numa pessoa misteriosa. Born será a pessoa visível e invisível de Walker ao longo de todo do livro.
Um homem assassinado depois de ter tentado assaltar duas pessoas, o professor que deixa a universidade onde está em menos de uma semana, um homem que pratica sexo com a sua irmã e um pessoa a tentar conquistar a filha de uma ex-mulher sua, fazem do décimo quinto romance de Paul Auster um livro intrigante.
Boa leitura…  

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Obrigada Teresa,

Selo Liebster Blog, significa querido, amado, favorito, em alemão.


Este selo foi-me oferecido pela Teresa Dias, do blog http://roldeleituras.blogspot.com/
Mais do que a oferta deste selo, tenho-lhe a agradecer os comentários sobre livros que publica no seu blog. Certos livros, se os li foi por causa das suas opiniões.
O meu muito obrigada por tudo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

José Saramago, Cadernos de Lanzarote

Não consigo é mais forte do que eu....
Cada vez que pego num livro de Saramago apenas para ler algumas páginas, acontece-me sempre a mesma coisa, acabo por o ter que levar comigo e lê-lo todo.
Cadernos de Lanzarote Diário II é só mais um exemplo do que sempre acontece.

Sugestões de leitura e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Código Da Vinci - Dan Bromn


“O Codigo Da Vinci” foi, sem dúvida, o maior sucesso de Dan Brown. Só em Portugal foram vendidos mais de quinhentos mil exemplares e conta com mais de setenta  milhões de cópias vendidas em todo o mundo.
Silas, um albino que está ao serviço do bispo da Opus Dei Manuel Aringarosa, assassina os três guardiões que sabem de um segredo guardado a séculos pelo Priorado De Sião, uma organização secreta que chegou a ter como grão-mestres nomes como Isaac Newton, Botticelli, Victor Hugo e Da Vinci.
 Mais tarde, já dentro do museu do Louvre, prepara-se para assassinar o actual grão-mestre da organização, mas, Jacques Sauniére descobre que todos os que sabiam do segredo estavam mortes, e caso o mesmo acontece-se a ele um dos mais poderosos segredos guardados até hoje perder-se-ia para sempre. Antes de falecer, Sauniére deixa pistas através de símbolos, que serão desvendadas por Robert Langdon, conceituado simbologista e pela sua falsa neta Sophie Neveu.
O Código Da Vinci é um livro muito polémico e bastante criticado pela igreja, no entanto, não podemos esquecer que é uma obra de ficção, nesse campo, é dotado de uma envolvência e dinâmica que nos faz viver o enredo de uma forma apaixonante.
Não é o meu tipo de livro preferido, mas tenho que reconhecer que a forma como Dan Brown escreve as suas obras, faz-me “colar” à história e lê-los rapidamente, além disso, são sempre várias as pesquisas que faço na net durante a leitura dos seus livros.
Boa leitura…

domingo, 22 de janeiro de 2012

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Richard Zimler em Ilha Teresa

"É incrível como o nosso respeito por uma pessoa pode desaparecer num simples instante."

Excerto retirado da pagina 107


Sugestão de leitura de Ilha Teresa de Richard Zimler:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/ilha-teresa-richard-zimler.html

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Sobre Némesis de Philip Roth



Já acabei de o ler!
Este é o meu terceiro livro de Roth, foi o melhor livro que li do autor Americano. Vai direitinho para a lista dos melhores livros que li até agora.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sintra é indescritível.

Clicar na foto para ver em tamanho original.

«Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada, nada, que valha a Pena. É a cousa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor – e, lá no alto, está o Castelo do Santo Graal.»


Richard Strauss

domingo, 8 de janeiro de 2012

O filho de mil homens - Valter Hugo Mãe


Era uma vez um pescador a quem os amores não correram bem De nome Crisóstomo, vivia sozinho apesar de estar na casa dos quarenta anos, apenas sentia ser metade porque não tinha filhos.
Era uma vez Camilo, que podia ser filho de 15 homens, a sua mãe, uma anã, morreu no parto. Após a morte do avô, vê-se sozinho com apenas 14 anos.
Camilo é obrigado a fazer-se à vida e embarca numa traineira, é aí que conhece Crisóstomo. A partir daí o pescador passa a ser uma pessoa completa pois já encontra a outra metade de si, para Crisóstomo, Camilo é como se fosse um filho. Mas para Crisóstomo passar a ser o dobro ainda falta aparecer Isaura. Era uma vez Isaura…e era uma vez Antonino que sendo maricas foi casado com Isaura. Era uma vez…Era uma vez…
“Quem tem menos medo de sofrer, tem maior possibilidade de ser feliz.”
Não, este livro não é uma história para crianças, é um romance de uma das maiores promessas literárias portuguesas, Valter Hugo Mãe. O livro tem partes, tal como o Princepizinho de Saint-Exupéry que parecem banais, mas são de uma complexidade extrema.
Valter Hugo Mãe fala-nos da felicidade; do amor e da falta dele, da solidão; dos preconceitos (“que ridículo soava a ideia de uma triste anã querer amar, se o amor era um sentimento raro já para as pessoas normais”); da velhice e de como pode ser dolorosa (“A Isaura sentia que a mãe já era só uma memoria com necessidade de atenções médicas, era uma recordação cruel e difícil”); do que é o amor de mãe (“os filhos perdoados são outra vez perfeitos”); também critica a Igreja (“os pobres que casam hão-de precisar de um anel destes…o padre guardou para o lote das esmolas, depois de derretida a aliança de casamento de Isaura, iria em dinheiro para o banco e para as fortunas poupadas da Igreja, que nunca ninguém calculava o que valia”).
Ao longo do livro, sem nunca esquecer que “a felicidade é a aceitação do que se pode ser”, Crisóstomo consegue construir a sua família e ser feliz. (“Farto como estava de ser sozinho, aprendera que a família também se inventa”)
 Gostei mais do livro “a máquina de fazer espanhóis”, mas este também é um bom livro, pode ser considerado uma utopia, mas uma utopia para um mundo melhor.
Boa leitura…

sábado, 7 de janeiro de 2012

Sobre O Quarto de Jack


Quem sou eu para questionar um finalista do Man Booker Prize, mas O Quarto de Jack, derivado ás elevadas expetativas que tinha, foi a maior desilusão de 2011.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pensar 2011 com o olho em 2012


Do ponto vista literário, em 2011 descobri Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes, os dois autores portugueses vivos que mais gosto.
Foi também um ano em que senti bastante saudade dos “Cadernos de Saramago”. Muitas vezes, foi através da escrita do Nobel Português que apercebi-me das maiores atrocidades que o ser humano é capaz de fazer, assim como do inverso.
No que se refere à parte económica, 2012 será um ano terrível. Julgo que poucas dúvidas restam a esse ponto, mas a vida também tem outras coisas e cabe aproveita-las para tornar 2012 um ano menos difícil.
O que desejo para 2012? Continuar a ser feliz como o foi até hoje. Desejo o mesmo a todos, que sejam felizes no próximo ano.  

José Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo

"O tempo dos milagres ou já passou ou ainda está para chegar."


Sugestões e citações de livros de José Saramago:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

10.000 visitas. Obrigado a todos os que passaram por cá.

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Quando comecei este blog, julgava inalcansavel as 10.000 visitas. Hoje sei que não é muito, existe blogues que têm essas visitas em 1 mês. No entanto 10.000 visitas são 10.000 visitas e deixa-me contente. 
Obrigado a todos os que passaram por cá.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Endereço Desconhecido - Tiago Salazar

Existem muitos livros que são adaptados ao formato televisivo. Endereço Desconhecido de Tiago Salazar foi um programa exibido na RTP2 que posteriormente deu lugar a um livro. Ao longo das páginas somos convidados a conhecer os últimos países que aderiram à União Europeia, são eles: a Bulgária, Roménia, República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Lituânia, Letónia, Estónia, Polónia, Hungria, Chipre e Malta.
Tiago Salazar leva-nos aos sítios mais emblemáticos de cada país. De uma forma muito cosmopolita, somos convidados a conhecer os museus, os restaurantes, os hotéis, e os sítios históricos desses países.
A título de exemplo, na República Checa, somos convidados a conhecer a Ponte Carlos e o Castelo da mítica cidade de Praga, também descobrimos o sítio onde o grande escritor Franz Kafka viveu alguns anos. Em Bratislava, na Eslováquia ficamos a conhecer o restaurante Ufo onde “além da excelência do restaurante, da vista e do concílio entre os povos, o preço é excepcional.” Na Lituânia entrevista Arunas Matelis, “o maior documentarista da história lituana.” Nesse país mostra-nos também o Monte das Cruzes, “uma floresta de milhões de cruzes que se espalha a perder de vista para os montes e vales em redor.” Em Liepaja, na Letónia fala-nos de um espectacular resort, situado à beira mar, era um antigo posto militar. Na Estónia encontra o escritor português João Lopes Graça. Na Hungria leva-nos a visitar o Lago Balaton, “o maior lago doce da Europa.”
No entanto, não posso deixar de alertar que este é um livro extremamente elitista, muitos dos sítios visitados são demasiado caros (ex. resort, restaurantes, bares típicos, hotéis), além disso, a maioria das entrevistas que faz, e são muitas ao longo do livro, são banais, por exemplo, na Estónia entrevista um antigo ministro dos negócios estrangeiros e apenas faz-lhe duas perguntas. Já vi alguns dos programas televisivos, na minha opinião, não sendo o programa uma raridade, é bem melhor que o livro.
Todos estes países ainda são endereços desconhecidos para muitos portugueses, a leitura do livro é uma outra forma de viajar até esses países.

            Boa leitura…

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

José Saramago - Ensaio Sobre a Lucidez


Os tornados são fenómenos meteorológicos pouco frequentes no nosso país. O livro que acabo de tem a força de um tornado, mas dos mais violência que a história registou. Em pouco mais de 300 páginas, Saramago mostra-nos como é a actual democracia e como todos nos somos responsáveis por está situação.
Se chegamos à situação que o país se encontra, deve-se muito a falta de consciência das nossas populações. Não foram só os políticos, os banqueiros, ou os especuladores que nos levaram há actual crise. Não tivemos consciência e portanto somos todos responsáveis. Acho que essa é uma das principais mensagens a reter em Ensaio Sobre a Lucidez.

Sugestões e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago


domingo, 4 de dezembro de 2011

Herta Muller - A Terra das Ameixas verdes


De origem Alemã, Herta Muller nasceu em Nitchidorf na Roménia. Em 1987, na altura com 34 anos, saiu da Roménia pois a ditadura de Ceausescu proibiu-a de publicar no seu país, a partir dai, viveu sempre em Berlim. Após vários prémios internacionais foi galardoada em 2009 com mais importante prémio literário, o Nobel da Literatura.
“A Terra das Ameixas Verdes” pode ser interpretado como um livro político, pois as personagens personificam muitos dos Romenos que foram oprimidos pelo regime comunista, delas apenas o primeiro nome sabemos, do narrador nem isso, contudo, Muller não cria personagem heróicas, no inicio do romance Lola suicida-se pois não conseguiu resistir à perseguição que foi submetida, a narradora encontra em Georg, Edgar e kurt amigos na resistência contra as atrocidades que ambos vão passando. Ao longo do livro, a escritora vai descrevendo o sofrimento passado pelos jovens, como por exemplo, ver as suas correspondências serem interceptadas pela polícia, o racismo existente no país ou ainda serem submetidas a diversas formas de tortura e inclusivamente serem presos. Ambos alimentam a esperança de fuga, que por vezes é encontrada depois de atravessar o Danúbio, outras através de actos como o que Lola cometeu.
Um livro de palavras difíceis e duras, em que a frontalidade de Hertha Muller transforma este livro num grito de todos os desapontados e oprimidos que pelo mundo fora vivem em regimes ditatoriais e são submetidos física e psicologicamente às piores atrocidades que um ser humano pode ser submetido.
Boa leitura…