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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

OS Malaquias - Andréa del Fuego



Andréa del Fuego é uma jovem escritora brasileira natural de São Paulo. Com apenas trinta e sete “primaveras” já tem vários livros editados no Brasil. O seu último romance, Os Malaquias, ao vencer o Prémio José Saramago, fez com que “saltasse para as luzes da ribalta” e ocupasse por várias semanas os tops de vendas tanto em Portugal como no Brasil.
Com um estilo de escrita muito próprio, onde o supérfluo não existe, a poesia é uma constante e o realismo mágico está sempre em pano de fundo, descreve a vida de três irmãos que ainda muito jovem – Nico aos nove anos, António aos seis anos e Júlia aos quatro anos – veem os seus pais morrerem após um raio atingir a sua humilde casa. Impercetível na altura, o raio deixaria marcas nos três jovens.
Júlia é adotada por Leila, uma senhora muito rica, António acaba por ficar num orfanato e Nico passa a viver na fazenda de Geraldo. Mas as vidas de ambos vão ser bastante diferentes, nem sempre quem aparenta ficar melhor é aquele que fica.
 “Geraldo era dono até do que não tinha”
Geraldo, o fazendeiro, é outra das personagens em destaque ao longo do livro. Ele representa todos aqueles que valendo-se da sua posição social e económica aproveitam o mal dos outros para fazerem fortuna.
“Que Deus não me ouça, mas já ouvi casos em que a mulher adúltera é castigada com um filho defeituoso”
Muitos temas são abordados ao longo do livro. Os preconceitos socias, a vida dura das pessoas com poucos recursos, a não preocupação pelo mal dos amigos, mesmo quando estes passam fome, os laços sanguíneos que não garantem a amizade e a compaixão, a maçonaria ou a ganancia pelo lucro são apenas alguns dos temas abordados.
“Em águas turvas as substâncias não se veem.”
Quer se goste, quer se odeie, Os Malaquias fazem partes daqueles livros que não deixam o leitor indiferente.
Boa leitura…

sábado, 15 de setembro de 2012

Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia 2008) em Acabem com esta Crise já!


"Mas se um trabalhador individual pode melhorar as suas hipóteses de arranjar emprego ao aceitar um salário  mais baixo, porque isso o torna mais apetecível em comparação com outros trabalhadores, já o corte nos salários em todos os sectores de atividade deixa toda a gente na mesma situação, à exceção disto: tal corte reduz os rendimentos a toda a gente, mas o nível de endividamento continua igual. Por conseguinte, uma maior flexibilidade nos salários (e nos preços) resultaria simplesmente num agravamento das coisas."

Excerto da página 65.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gabriel Garcia Marquez - A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile



Decorria o ano de 1985. O Chile vivia sobre a ditadora militar do general Pinochet, umas das mais duras que a América Latina conheceu. Nos doze anos de ditadura que tinha decorrido até então, Pinochet tinha provocado quarenta mil mortos, dois mil desaparecidos e mais de um milhão de exilados. O país vivia um novo estado de sítio, todos os dias as sirenes assinalavam a hora do recolher obrigatório. É nestas condições que Miguel Littín, realizador de cinema e exilado político chileno, decide entrar no país para “filmar clandestinamente um documentário sobre a realidade do Chile”.
Gabriel Garcia Marquez, Prémio Nobel da Literatura 1982, já então um dos autores mais respeitados em todo o mundo, ao ouvir a história contada pelo próprio Miguel Littín aproveita a sua grande projeção mundial para dar uma ajuda ao povo chileno. Assim nasceu este livro, uma aventura verdadeira em que o autor tentou ser o mais realista possível.
“Eu, Miguel Littín, filho de Hernán e de Cristina, realizador de cinema e um dos cinco mil chilenos com proibição de regressar, estava de novo no meu país, ao fim de doze anos de exílio, embora ainda me encontrasse exilado dentro de mim próprio: usava uma identidade falsa, um passaporte falso e até uma esposa falsa.”
As mudanças constantes de hotéis por razões de segurança, as entrevistas a dirigentes da oposição que viviam na clandestinidade, as filmagens dentro do Palácio La Moneda onde Pinochet trabalha, ou a inesperada visita à sua mãe, onde esta não o reconheceu, são apenas algumas das aventuras que teve durante as seis semanas que permaneceu no Chile.
“Assumi a estranha condição de exilado dentro do meu próprio país, que é a mais amarga forma de exílio.”
Entre muitas coisas, Miguel Littín filmou um país onde as pessoas tinham medo de falar, onde o trabalho escasseava e a fome abondava, onde era preciso autorização para filmar na rua, onde os mineiros tinham péssimas condições de trabalho.
“Este não é o feito mais heroico da minha vida mas sim o mais digno”
Um livro cheio de histórias e aventuras e com a incontornável qualidade literária de Garcia Marquez.
Boa leitura…

Mais sugestões e citaçoes de livros de Gabriel Garcia Marquez:

domingo, 9 de setembro de 2012

José Cardoso Pires em O Hóspede de Job


O nosso cérebro é incrível...

Após a amputação da perna de João Portela:

"Agora ainda não é nada. O pior vai ser quando acordar. Diz o nosso sargento que as pessoas continuam durante muitos dias a julgar que têm perna, braço ou seja lá o que perderam. Chegam a sentir dor, vê tu. Já pensaste o que é ter dor numa coisa que não existe? Procurar aqui e não achar nada."

Excerto da página 144.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Sentido do Fim - Julian Barnes



Com “O Sentido do Fim”, Julian Barnes conseguiu um feito que só está ao alcance dos grandes escritores, vencer o Man Booker Prize de 2011, prémio por muitos considerado como o segundo galardão mais importante da literatura mundial.
“Sobre aquilo de que não sabemos falar devemos guardar silêncio.”
É já na idade da reforma que Tony vesse obrigado a recordar todo o seu passado. Uma carta de uma solicitadora com o testamento de Adrian Finn, seu amigo de liceu e mais tarde namorado de uma ex-namorada sua, Verónica, leva-o a percorrer as suas memórias. Assim que soube do namoro entre Adrian e Verónica, Tony tinha cortado relações com o casal e desde então não mais tinha tido notícias deles.
“Camus disse que o suicídio era a única questão filosófica verdadeira”
Adrian era o mais inteligente do seu grupo de amigos, era aquele que tinha o futuro mais promissor, só que, sem razão aparente, comete o suicídio ainda na flor da idade. Será que ao optar pelo suicídio escolhe a via mais simples? Será que cometeu um ato filosófico? Ou será que a situação que vivia era bem mais complexa do que aquilo que aparentemente demonstrava?
“Era capaz de jurar solenemente que, se havia mente que nunca perderia o equilíbrio, era a de Adrian. Mas aos olhos da lei, se nos matássemos, eramos loucos por definição pelo menos no momento em que cometíamos o ato”
A solidão, o arrependimento pelo odio que sentimos num determinado momento, as mentiras que se contam sobre o sexo, as promessas de amizade eterna que se faz na adolescência e que mais tarde não se cumprem, os amigos e familiares que se contactam só por e-mail ou a imperfeição da nossa memoria são alguns dos outros temas abordados pelo autor.
“O que acabamos por recordar nem sempre é igual ao que presenciámos.”
Com este livro, Julian Barnes demostra que um pequeno livro pode ser uma grande obra.
Boa leitura…  

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado faria hoje 100 anos


Jorge Amado faria hoje 100 anos.


"Inventor do Brasil moderno. Campeão da mestiçagem. Pregador do sincretismo. Retratista de um país colorido e multirracial, mas também desigual, machista e violento. Cabem muitas descrições à obra de Jorge Amado e elas podem ir da qualidade literária à representação social de uma nação que começava a se descobrir."

Fonte: Correiobraziliense

Capitães da Areia foi um dos melhores livros que li até hoje, deixo aqui o link com a sugestão de leitura da obra:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Jorge%20Amado

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

José Rodrigues dos Santos em O Anjo Branco

   
   Foi assim na Expo 40, realizada em Lisboa:

   Desembocaram por fim no grande Pavilhão de Angola e Moçambique, protegido por dois hipopótamos que ladeavam a escadaria. Ao fundo viam-se umas palhotas e uma multidão curiosa formigava em torno delas.
   Aproximaram-se do local e logo o capitão exclamou:
   "Estão a ver?Estão a ver' Eu não dizia?"
   Amália e Joana abriram a boca de espanto quando espreitaram entre os ombros e as cabeças das pessoas  que se acotovelavam em frente, e o mesmo aconteceu com a criada e as crianças.
   "Credo!", exclama Joana, horrorizada. "Ai Jesus!"
   "Ora esta!", concordou a irmã. "Realmente, se eu não visse não acreditava!"
   António, o mais velho dos filhos, lançou ao capitão um olhar receoso.
   "O pai, eles comem a gente?"
   "Não, que disparate!"
   "Comem comem!" insistiu Lourdes. "Comem que eu sei!"
   "Não comem nada."
   E ali ficaram todos, embasbacados, num misto de repulsa e fascínio, a a contemplar o espetáculo que se desenrolava diante deles, a mirar aquela extraordinária atração: Um homem de tronco nu e tanga e pele escura como carvão, os cabelos encaracolados e o olhar enfastiado, sentado diante da palhota como se estivesse encarcerado numa jaula.

Excerto da pagina 54

Mais sugestões e citações sobre O Anjo Branco:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20Rodrigues%20dos%20Santos

sábado, 4 de agosto de 2012

A Caixa Negra - Amos Oz


Em 1987, o agora prestigiado autor israelita Amos Oz, escrevia A Caixa Negra. No ano seguinte a obra ganhou o prestigiado “Prémio Femina”. Seria o primeiro dos vários galardões conquistados pelo autor ao longo da sua carreira. O livro foi reeditado recentemente em Portugal. Além de escritor, Oz é professor de literatura na Universidade Ben-Gurion e dedica-se à militância a favor da paz entre palestinianos e israelitas.
“Não cuides que vim trazer a paz ao mundo; não vim para trazer a paz mas a espada.”
O livro conta a história do divórcio de Ilana e Alex e sendo este livro a “caixa negra” de um complicado divorcio, sentimentos como o ódio, o desespero, o desgosto, a culpa, o arrependimento, a inveja, o receio, o medo ou o ciúme estão presentes ao longo de toda a obra. Boaz, filho de ambos, começa a ter comportamentos de indisciplina. Desesperada, Ilana pede ajuda ao seu ex-marido, reatando dessa forma a ligação. Ilana é agora casado com Michel, que mais tarde vem a ser um fanático religioso.
“Nós somos o Povo do Livro, Boaz, e um judeu sem a Torah é pior do que um animal dos campos”
Quando se dá um divórcio muitas vezes as posições extremam-se, esses extremismos levam ao fanatismo. A causa Israelo-Palestiniana  é um longo e duríssimo divórcio entre dois povos, com religiões diferentes e quase sempre com posições antagónicas  o entendimento mostra-se quase impossível. Alex, consagrado escritor de livros contra o fanatismo, é o próprio a praticar a violência domestica e a humilhar tudo e todos. Não basta ter um bonito discurso é preciso passar aos atos. A causa Israelo-Palestiniana e a culpa de ambos os lados torna-se assim no principal tema deste livro. Tal como no divórcio entre Ilana e Alex, a falta de compreensão e de tolerância leva a que ambos se odeiem. Quantas caixas negras seriam precisas para registar tudo o que tem acontecido ao longo dos anos entre Israelitas e Palestinianos.
“Para tentar responder a esta pergunta, transcrevo-te a seguir os dez mandamentos do teu filho, fora da ordem mas respeitando a maneira de falar dele. I. Ter pena deles todos. II. Reparar mais nas estrelas. III. Ser contra estar zangado. IV. Ser contra fazer troça. V. Ser contra o ódio. VI. Os filhas da mãe também são seres humanos, não são merda. VII. Ser contra a violência. VIII. Ser contra matar. IX. Não nos comermos uns aos outros. X. Calma.”
Boa leitura…

domingo, 29 de julho de 2012

A Prisioneira de Teerão - Marina Nemat





“A Prisioneira de Teerão” conta a história de Marina Nemat uma mulher que conseguiu fugir do Irão.
Com 16 anos, Marina é detida pela polícia, pois tinha feito alguns artigos no jornal da escola a criticar o governo e protestou com a professora acerca da substituição da aula de matemática pela leitura do Corão. Marina é acusada de ser uma ameaça para a sociedade islâmica. Levada para Evin, uma prisão política Iraniana, é torturada e condenada à morte por traição, mas, um dos guardas prisionais, Ali, apaixona-se por ela e consegue que a sua pena seja revista para prisão perpétua. Este obriga-a a casar-se consigo, Marina consegue assim sair de Evin, mas, não alcança a liberdade…que passado alguns anos consegue encontrar.
De fácil leitura, esta história verídica lê-se como um romance, contudo, é um documento histórico que demonstra algumas das atrocidades cometidas por um dos governos mais tiranos da actualidade.
Boa Leitura...




quinta-feira, 26 de julho de 2012

Nova TV egípcia só tem apresentadoras de burka



"Há um novo canal de televisão no Egito. Até aqui nada de novo, não fossem as apresentadoras de noticiários usarem burkas.
Os proprietários do canal Al-ummah dizem que querem mudar a perspectiva social e dar oportunidades de trabalho a mulheres.
Mas não são só as pivots que envergam este tipo de vestuário que lhes deixa ver apenas os olhos. Atrás das câmaras, a burka também é de uso obrigatório.
Fonte: TVI

No inicio da "Primavera Árabe" existia a esperança que os povos do norte de África fossem libertados dos seus regimes ditatoriais, ao que parece Giuseppe Tomasi di Lampedusa tinha razão quando no inicio do século XX  afirmou: por vezes é preciso que todo mude para que todo fique na mesma.

 

terça-feira, 24 de julho de 2012

Gonçalo Cadilhe em Um lugar Dentro de Nós

Sobre África...


"Outro ingrediente essencial é a tensão étnica, e como quase todos os países modernos de África foram decididos que existiriam durante uma célebre conferência de Berlim, em 1885; e como as suas fronteiras foram traçadas por esses conferencistas sem ter um mínimo de respeito ou conhecimento das culturas que as integravam, o resultado foi, com as décadas, catastrófico: «compatriotas» que não se conheciam, que não falavam a mesma língua, que não têm a mesma religião ou cultura e sobretudo «compatriotas» que não têm qualquer interesse ou gosto em pertencer à mesma pátria."

domingo, 15 de julho de 2012

Gonçalo M. Tavares em Um Homem: Klaus Klump

    
     "A minha mãe teve sete filhos. Morreram cinco. O outro é professor. É doente. Não podia ser soldado. Se eu fosse doente também não seria soldado. Sempre andámos juntos, eu e o mei irmão. Passámos livros um ao outro. Até aos dezasseis anos lemos exactamente os mesmos livros, mas ele desde criança que tossia.
     Só nos separámos com a guerra. Fui para o exército e ele ficou em casa, doente. A partir do ínicio da guerra começámos a ler livros diferentes. Já não faço ideia dos livros que ele lê."

Excerto da página 66-67

Sugestões de leitura e citações de livros de Gonçalo M. Tavares:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Gon%C3%A7alo%20M.%20Tavares

sábado, 7 de julho de 2012

Nome de Toureiro - Luis Sepúlveda


Há já alguns anos que não lia livros de Luis Sepúlveda. Nome de Toureiro foi o livro escolhido para regressar ao autor chileno.  
Este livro tem a estrutura de um policial. As personagens andam o livro todo à procura de sessenta e três moedas de ouro que tinham desaparecido durante a Segunda Guerra Mundial. Para as descobrirem o autor leva as personagens aos mais variados cantos do planeta, mas a Alemanha e o Chile são os dois países em destaque.
Na Alemanha, o Muro de Berlim já não existia, mas os alemães ainda continuam a ter atos racistas para com os emigrantes, Juan Belmonte, a personagens com nome de toureiro, é um exemplo disso. As sessenta e três moedas de valor incalculável trazem-no de regresso a Chile, país que já não vivia sobre a ditadura de Pinoche, aí recorda-nos as torturas e os presos políticos que houve nesse país. Com o regresso terá oportunidade de ver o amor da sua vida, mas será que o serviço a que se comprometeu ira-se sobrepor ao seu coração?
Na minha opinião, neste estilo literário Supelveda está muito longe de outros autores do mesmo género. Não existe suspense, além disso, a forma como certas tarefas são descritas levam o leitor a pensar que são muito simples quando na realidade não o são. Escritores como Dan Brown ou Mario Puzo são bem melhores neste género literário. Dos livros quer li de Sepulveda gostei do Velho que lia Romances de Amor e da História de um Gato que Ensinou a Gaivota a Voar. A Lâmpada de Aladino; Rosas de Atacama e este Nome de Toureiro são de qualidade duvidosa, mas claro isto é apenas a minha opinião.

        

domingo, 1 de julho de 2012

O Quarto de Jack - Emma Donoghue


            A residir no Canada, Emma Donoghue é uma jovem escritora irlandesa de quarenta e quatro anos. O seu mais recente trabalho, O Quarto de Jack, foi finalista do Man Booker Prize e do Orange Prize, dois dos mais prestigiantes prémios para escritores de língua inglesa.
            Aquela que viria a ser a mãe de Jack é raptada por “Nick Mafarrico”.
            A partir desse dia passa a viver num quarto com apenas onze metros quadrados, a sua única ligação ao exterior é uma televisão e a claraboia instalada no teto do quarto. Quase todos as noites o homem vai ao quarto e viola a jovem.
            “Julga que somos objetos que lhe pertencemos, já que o Quarto é dele.”
            O livro começa quando Jack faz cinco anos, ele é o narrador da história, esse facto leva a que o livro tenha uma linguagem muito acessível. Para ele a realidade do mundo é apenas aquele quarto.
            “Ensinei ao Jack que o mundo media 7 metros quadrados e que tudo o resto, tudo o que via na televisão ou ouvia ler do punhado de livros, não passava de fantasia.”
            Após ter levado a cabo um plano imaginado pela mãe, Jack consegue sair do Quarto e alertar as autoridades. A partir desse dia Jack vai conviver com o mundo exterior. Como é que se vai adaptar há nova realidade? Será que via querer regressar para o Quarto? Como é que a justiça vai lidar com a situação? E a comunicação social, terá ética ao lidar com um caso tão complexo, mas que ao mesmo tempo faz vender tantos jornais? Como reagirá a família da mãe à notícia do seu aparecimento quando pensava que estava morte? Será que somos livres, ou vivemos como os prisioneiros da Caverna de Platão?
            “As histórias são um tipo diferente da realidade.”
            A crueldade humana espelhada na figura de “Nick Mafarrico”, o amor entre mãe e filho, a liberdade que cada um de nós dispõe e o grau de conhecimento do mundo em que vivemos são outros dos temas em destaque neste livro.
         Além de ser uma história comovente e muito bem escrita não vejo o que vem acrescentar de novo á Caverna de Platão. Julgo que quem conhece essa obra, por vezes chega a adivinhar o que vem a seguir, pois a estrutura da história é a mesma. Quanto a mim tudo o que é escrito neste livro está na obra de Platão. Este livro peca e muito por isso.
           Boa leitura…

terça-feira, 26 de junho de 2012

Fernando Pessoa em O Banqueiro Anarquista


"Um nasce filho de um milionário, protegido desde o berço contra o infortúnio -  e não são poucos - que o dinheiro pode evitar ou atenuar; outro nasce miserável, a ser, quando criança uma boca a mais numa família onde as bocas são de sobra para o comer que pode haver. Um nasce conde ou marquês, e tem por isso a consideração de toda a gente, faça ele o que fizer; outro nasce assim como eu, e tem de andar direitinho como um prumo para ser ao menos tratado como gente. Uns nascem em tais condições que podem estudar, viajar, instruir-se - tornar-se (pode-se dizer)  mais inteligentes que outros que naturalmente o são mais. É assim por aí adiante, e em tudo..."

Excerto da pagina 12

Mais citações e sugestão de leitura de O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa:

segunda-feira, 18 de junho de 2012

José Saramago deixo-nos há dois anos


     Faz hoje dois anos que José Saramago nos deixou, não morreu, porque pessoas como Saramago nunca morrem. Muitas vezes, foi através dos olhos deste homem que eu tomei conhecimento das maiores atrocidades que o ser humano é capaz de fazer.Não é do escritor que tenho mais saudades, para mim Saramago ainda tem muitos livros inéditos, pois ainda não os li todos, tenho bastante saudade é de ouvir as suas opiniões, sobretudo aquelas que publicava no seu blog.


Sugestões e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Jose%20Saramago

domingo, 17 de junho de 2012

Némesis - Philip Roth



Philip Roth é um dos autores americanos mais premiados da atualidade. Recentemente foi-lhe atribuído o Prémio Príncipe das Astúrias. Em 2011 ganhou o Man Booker International Prize, o mais prestigiante prémio para escritores de língua inglesa. Némesis é o seu trigésimo primeiro livro.
Decorria o ano de 1944, milhares de soldados americanos combatiam na Europa. Bucky Cantor é dado como inapto para o serviço militar por causa de um problema de visão. O sonho de combater na Europa é-lhe negado, sendo um dos poucos da sua geração a ficar em Newark. Passa a ser monitor de um recinto de jogos, mas um surto de pálio toma conta da cidade. As notícias sobre a guerra ficam para segundo plano, agora toda a gente fala na doença.
“Comeu aqui um cachorro quente, foi para casa, apanhou a pólio e morreu, e agora toda a gente tem medo de cá entrar.”
O medo é paralisante, com ele surgem os boatos e o ser humano revela os seus piores preconceitos como o racismo ou o antissemitismo. (“Mas então os italianos? De certeza que foi os italianos!”).
Cantor é devastado por sentimentos como a culpa, o medo, o pânico, a revolta, a incredulidade, o sofrimento ou a dor. Não devia estar a combater na guerra? Deverá abandonar a cidade, deixando a sua avó sozinha para ir ter com a sua namorada a Indian Hill onde o vírus não existe? Abandonaria os rapazes da cidade, logo agora que ele era mais preciso? Será que podia ter evitado a epidemia?
Deus também é tema ao longo de todo o livro, se para uns é o refúgio que os pode salvar da desgraça, para outros é o culpado pela propagação do vírus da pólio assim como da guerra na Europa. No final do livro o autor deixa em aberto uma reflexão: Será que se não acreditarmos em Deus podemos responsabiliza-lo pelas desgraças no mundo?
Também já no fim do livro lembra os avanços da medicina. Felizmente hoje já existe vacina contra a pólio, contudo os sentimentos humanos, assim como os preconceitos parecem ser hoje os mesmos que eram no final da 2ª Grande Guerra.
Boa leitura…

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Sobre os Malaquias de Andréa Del Fuego

     Quando li A Queda dum Anjo de Camilo Castelo Branco senti a mesma dificuldade que estou agora a sentir ao ler Os Malaquias de Andréa Del Fuego. Existem palavras que o significado não conheço, o brasileiro tem expressões que o português não tem, o contrário também é verdade. No entanto, nada que um dicionário online não resolva, pelo que tenho lido até agora está obra merece esse esforço.

Philip Roth venceu o Prémio Príncipe das Astúrias



O romancista judeu norte-americano Philip Roth venceu o Prémio Príncipe das Astúrias para as Letras, juntando mais uma prestigiada medalha à sua vasta colecção de prémios literários, à qual já só falta mesmo o Nobel da Literatura.


Fonte Jornal Publico.

   Gostei dos seus livros, é um autor que recomendo. Estou em crer que mais ano menos anos a Academia Sueca vai-lhe atribuir o maior galardão literário do mundo.


Ver sugestões e citações de livros de Philip Roth:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Philip%20Roth

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O Principezinho - Antoine Saint-Exupéry



Decorria o ano de 1942, Antoine de Saint-Exupéry encontrava-se em Nova Iorque, é aí que escreve o Principezinho. No “velho continente”, as tropas alemãs comandadas por Hitler continuavam a devastar tudo à sua passagem. O escritor, também piloto de aviões, tinha participado nessa trágica guerra ao serviço do seu país, a França. Será essa a razão que o fez ficar tão desiludido com os seres humanos e escrever este livro?
Sete planetas visitou o principezinho; no primeiro morava um Rei, que tudo ordenava; no segundo vivia o vaidoso, que só ouvia os elogios; no terceiro havia um bêbado, que estava sempre a beber; no quarto estava o homem de negócios que passava o dia a fazer contas; o quinto planeta era habitado pelo acendedor de candeeiros que passava o dia a acender e a apagar os candeeiros, cumprindo assim sempre as ordens sem nunca as questionar; no sexto vivia o geografo que nunca sai do seu gabinete; por último, visitou o planeta Terra:
“A terra não é um planeta qualquer. Tem cento e onze reis (contado, claro está, com os reis pretos), sete mil geógrafos, novecentos mil homens de negócios, sete milhões e meio de bêbados, trezentos e onze milhões de vaidosos, ou seja, aproximadamente dois mil milhões de pessoas crescidas”  como é óbvio, um sítio com todas estás características não podia ser um sítio fácil de viver.
“Não há dúvida que as pessoas crescidas são mesmo bastante esquisitas.”
Os preconceitos sociais; (“mas ninguém o levou a sério por causa da maneira como estava vestido”) a amizade; (“nem toda a gente tem um amigo na vida”) a autocritica (se conseguires julgar-te bem a ti próprio, és um sábio) os desgostos de amor ou as ilusões são temas abordados, mas a tristeza de viver na solidão é o tema que está em destaque ao longo de todo o livro.
“Tenho uma vida terrivelmente monótona…mas se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol…Estás a ver aqueles campos de trigo ali adiante?...Os campos de trigo não me fazem lembrar nada! E é uma triste coisa! Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Então, quando tu me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! O trigo é dourado e há de fazer-me lembrar de ti. E hei de gostar do som do vento a bater no trigo…"
Tal como o Saint-Exupéry pediu, este não é um livro para ler levianamente.
José Saramago escreveu um dia: “E se as histórias para crianças fossem de leitura obrigatória para os adultos?”
            Boa leitura…

domingo, 3 de junho de 2012

Vergílio Ferreira em Aparição



As histórias de esmola são sempre bonitas. E ficam contentes os ricos e os pobres...




´
Excerto da pagina 124





segunda-feira, 21 de maio de 2012

1Q84 Vol.1 - Haruki Murakami



Haruki Murakami é um dos escritores mais consensuais da atualidade. É raro o leitor, independentemente do seu gosto literário, – romance, policial, fantástico, etc. – que não goste dos seus livros. O seu nome tem sido apontado como um dos principais candidatos a receber o Prémio Nobel da Literatura.
“O ano de 1984, como eu o conhecia, já não existe. Estamos em 1Q84.”
Murakami é mestre em criar ambientes surreais. 1Q84 não é exceção. Mas é através desses cenários que aborda temas relacionados com a sociedade contemporânea. Quanto a mim, o autor nipónico é um dos escritores que melhor questiona o mundo atual.
O enredo é muito bem construído, mas o rumo da estória evolui de acordo com os temas que pretende questionar. Aomame é uma mulher com trinta anos, sem família, junta-se a uma velha senhora que é detentora de uma grande fortuna, a jovem faz justiça com as próprias mãos e mata vários homens que praticam atos violentos contra as mulheres. Tengo é um jovem professor e aspirante a escritor, a mando do seu editor reescreve A Crisálida de Ar, livro escrito por Fuka-Eri, conta a história do Povo Pequeno. O livro ganha um importante prémio para jovens escritores e Tengo tem de manter o segredo de que foi ele quem rescreveu a obra.
Neste enredo o autor questiona temas como a dislexia; a importância das amizades; o livre-arbítrio que cada um de nós tem; as vidas-duplas; as relações sexuais; a homossexualidade; a pedofilia; mas é sobretudo o fanatismo religioso, assim como a violência masculina sobre as mulheres que têm mais destaque neste livro.
Como qualquer livro de Murakami as referência musicais não poderiam faltar, a sinfonietta Janácêk tem particular destaque. As referências ao mundo consumista, nomeadamente através das marcar mundialmente conhecidas, (ex; Ray-Ban, Esso, Saab) está presente ao longo de todo o livro.
“ Um homem que tem prazer em violar raparigas pré-púberes, um guarda-costas homossexual bem constituído, pessoas que escolheram a morte em vez de uma transfusão de sangue, uma mulher que se suicida com comprimidos para dormir quando está grávida de seis meses, uma mulher que liquida homens problemáticos espetando-lhes uma agulha na parte de trás do pescoço, homens que odeiam as mulheres, mulheres que odeiam os homens”…um mundo com duas luas, o Povo Pequeno…transformam 1Q84 num excelente livro.
Boa leitura…

domingo, 13 de maio de 2012

Paul Auster em Invisível


"É demasiado triste para ser bela. Uma pessoa assim tão triste nunca pode ser bela."
Excerto da página 96

Sugestão de leitura de Invisível de Paul Auster:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Paul%20Auster

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Comissão das Lágrimas - António Lobo Antunes




António Lobo Antunes é um dos escritores portugueses mais premiados. Entre os vários prémios que conquistou, destacam-se o Prémio para Melhor Livro Estrangeiro publicado em França, 1997; o Prémio Jerusalém, 2005; e o Prémio Camões, 2007. Não deixa de ser curioso que só após a atribuição de dois dos prémios mais importantes a nível mundial tenha-lhe sida atribuído o mais importante prémio para escritores de língua portuguesa. Em Comissão das Lágrimas volta ao tema da guerra colonial.
Vive-se o período da pós-independência, as tropas portuguesas ainda estão em Angola, mas um grande sentimento de vingança está presente dos dois lados. Cristina saiu de África aos cinco anos, agora internada numa clinica psiquiátrica recorda esses tempos trágicos.
“Porque em Angola é assim, tudo ao contrário do que se imagina”.
O racismo; a incerteza no futuro; o medo; a responsabilidade de ambos os lados; o sentimento de culpa e de perdão ou a crueldade humana são temas abordados ao longo do livro.
“Um dia destes Deus vai saber de certeza.”
Lobo Antunes não esconde a realidade, como uma escrita poética e ao ritmo do pensamento humano vai descrevendo esse período histórico em que milhares de pessoas abandonaram o país deixando tudo o que tinham, quem ficou testemunhou a destruição, muitos foram assassinados, outras ainda continuaram a praticar atos racistas.
“…o pai da Cristina a recordar o cubículo para onde se atirava as granadas, contando os segundos antes da explosão, um dois três quatro cinco, que calava os gemidos e as rezas, calava o silêncio também,…depois das granadas desaferrolhava-se o cubículo e nem sequer muito sangue, ossos ao léu rompendo a pele e a carne”
Um livro duro, de palavras difíceis, onde a morte não tem importância e o silêncio é aterrador.
Com este livro António Lobo Antunes da mais razão as vozes que reclamam para si o Prémio Nobel da Literatura.
Boa Leitura…

terça-feira, 1 de maio de 2012

Lucy Eyre em O Dia em que Sócrates Vestiu Jeans



"Era, com certeza, preferível uma pessoa ter consciência da sua falta de conhecimento e aprender, a viver ignorante até da dimensão da sua própria ignorância."
Excerto página 36

"É um erro pensar que a felicidade é qualquer coisa que merecemos e não temos. Muitas coisas boas são apenas a ausência de coisas más... saúde, segurança e liberdade são bons exemplos... e nós não somos bons a apreciar o que falta. Felicidade é o estado em que não desejamos que qualquer coisa fosse diferente. Portanto, se aceitarmos as coisas como elas são, podemos permitir a nós mesmos ser felizes."
Excerto página 152

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A Queda dum Anjo - Camilo Castelo Branco



A 16 de Março de 1825, no Largo do Carmo em Lisboa, nascia Camilo Castelo Branco. Mais tarde tornara-se o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos. Tinha 65 anos, quando a 1 de Junho de 1890 faleceu. Autor de uma vastíssima obra literária, “A Queda dum Anjo” é, para muitos, um dos seus melhores livros.
O herói do conto é Calisto Barbuda, morgado de Agra de Freimas, casado com a sua segunda prima D. Teodora de Figueiroa. Calisto é um homem extremamente simples. Consegue ser eleito deputado para o parlamento. Logo nos seus primeiros discursos ganha o respeito da plateia, são suas bandeiras o combate à corrupção e à luxúria, defende sempre a moral dos bons costumes antigos e ataca a liberdade dos modernos. Calisto é apontado como um político exemplar, só que após algum tempo em Lisboa dá-se “a quedo dum anjo”, o politico perfeito rende-se ao luxo da capital portuguesa, apaixona-se por uma jovem e mantém uma relação ilícita como D. Ifigénia com quem acaba por viver maritalmente e ter duas filhas. Em Angra de Freimas, a mulher do deputado após ser abandonada por este, junta-se com Lobo Gamboa, seu primo, estes acabam por ter um filho.
Camilo Castelo Branco critica a sociedade de então, contudo, se as personagens não tivessem tantos bigodes e a maneira de vestir fosse mais moderna, poderíamos pensar que esta era uma obra a criticar a sociedade atual. Temas como o adultério, a luxúria dos políticos e a corrupção são hoje tão modernos como foram à data da publicação desta obra.
Boa leitura…

domingo, 15 de abril de 2012

António Lobo Antunes em Comissão das Lágrimas



"...e há pessoas com poder em toda a parte, meu filho, uma vida não tem preço aos olhos do Senhor mas não se deve transigir com o pecado, jogámos os egípcios no Mar vermelho, tirámos a boa vida a Job e demos-lhe um caco de telha para as crostas, não lembrando Sodoma e Gomarra, tornadas cinzas em menos de um  fósforo, a vingança é minha, está na Bíblia, e por conseguinte, de acordo com as Escrituras, não te rales com o poder dos pescadores, mesmo que seja o teu pai, o teu irmão, o teu primo, a acaba-me essas fossas até ao anoitecer, não trago a paz mas a Guerra, declara o Evangelho conforme declara que aqueles que matam pela espada morrerão pela espada, e se Deus fala assim,ainda que cheirando a sopa, quem somos tu ou eu para o contradizermos..."

Excerto da página 108


Sugestões e citações de livros de António Lobo Antunes:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Ant%C3%B3nio%20Lobo%20Antunes

sábado, 7 de abril de 2012

Um homem e duas mulheres - Doris Lessing



A 11 de Outubro de 2007, Doris Lessing chegava de táxi a casa após ter ido às compras, quando um jornalista da BBC a informa que ganhou o Prémio Nobel da Literatura desse ano, responde: "Ganhei todos os prémios existentes na Europa, todos sem exceção, por isso estou encantada por ganhá-los todos. É uma abada geral."
A leitura de trezentas páginas deu para concluir que não tem uma escrita muito acessível. Muita rico sim, cheia de pormenores, mas basta ler uma página com menos atenção para se perder o caminho para onde a autora nos quer levar.
Foi por isso positiva a minha iniciação nesta autora através de um livro de contos. É verdade que houve uns que adorei, também confesso que outros tive dificuldade em percebe-los.
“Não será exagerado dizer-se que nos círculos da nossa sociedade provar e experimentar as pessoas no amor é provavelmente a segunda atividade mais importante, sendo a primeira arranjar dinheiro:”
É este o tema mais abordado ao longo do livro, o comportamento do ser humano nas relações amorosas. A autora mostra o lado sombrio que por vezes existe nos casamentos. É sua opinião que a traição destrói sempre um casamento, mesmo que as pessoas o neguem; fala da solidão que certos casais vivem; das suas discussões e como podem ser traumáticas; também aborda o tema das depressões por causa dos desentendimentos conjugais, ao longo do livro é sempre o lado negativo dessas relações que nos é mostrado.
Lessing também aborda temas como o incesto, a pena de morte, a segunda guerra mundial, a pedofilia ou a Igreja.
“As pequenas coisas divertem as pequenas mentalidades.” Este é um livro, onde de uma forma dura e sem nunca esconder a realidade, se fala de “grandes coisas”.
Voltarei à autora, mas quanto isso acontecer terei de estar a ler apenas o seu livro.
Boa leitura…

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Sobre A máquina de Joseph Walser de Gonçalo M. Tavares



Este ano, é o primeiro livro que leio de Gonçalo M. Tavares, contudo, no espaço de um ano, será a terceiro obra que leio dele.
Se me perguntassem qual o autor português vivo que mais gosto, teria que nomear dois nomes, Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

António Lobo Antunes em Sôbolos Rios que Vão


"...é necessário desinfectar este quarto, retirar os espelhos, mudar o colchão, outro doente hoje e mais novo coitado, não o intestino, os pulmões, chega a duvidar-se que Deus existe e se existe não se preocupa,..."

Excerto da página 198


Sugestão de leitura de Sôbolos Rios que Vão:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/S%C3%B4balos%20Rios%20que%20V%C3%A3o

quarta-feira, 28 de março de 2012

Sobre A Caixa Negra de Amos Oz


Nos últimos anos,  quando aparecem as listas dos possíveis vencedores do Prémio Nobel, o nome de Amos Oz tem estado em lugar de destaque.
Apenas tinha lido um livro seu, Contra o Fanatismo. A obra não tem mais de cinquenta-sessenta páginas e contem discursos do autor. Não era um romance, apenas discursos, mas concordei com o ponto de vista do Israelita.
Em A Caixa Negra, a sinopse diz que o livro é a caixa negra de uma relação amora desfeita. Deve ser mais fácil vender o livro dizendo isso, mas o que Amos Oz fala nesta obra e essencialmente do fanatismo nos seus diversos modos. Vou a meio do livro, por este andar será um dos melhores livros que li até hoje.

quinta-feira, 22 de março de 2012

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Último Homem na Torre - Aravind Adiga


Com o seu primeiro romance, O Tigre Branco, Aravind Adiga conseguiu o notável feito de conquistar o Man Booker Prize de 2008. Em O Último Homem na Torre continua a falar sobre o seu país.
Em Bombaim, o construtor Dlarmen Shah, decide construir um edifício luxuoso num bairro antigo da cidade. A escolha recai sobre os terrenos onde está instalada a Cooporativa de Habitação Vishram que é constituída pelas Torres A e B. Nesses edifícios vivem as pessoas da chamada classe média indiana. O edifício não tem um fornecimento constante de água corrente, está situado perto dos bairros de lata, numa zona onde o barulho derivado ao tráfego aéreo é intenso, além disso, encontra-se bastante degradado, contudo estes indianos são considerados privilegiados pois a maioria da população vive em bairros-de-lata.
“«Um homem  é como um cabra amarrada a um poste»,(…) todos nós temos uma certa dose de livre-arbítrio, mas não muita.”
Dlarmen Shah faz uma proposta irrecusável, 190.000 rupias por m2, quando o valor na zona está situado entre 80.000 e 120.000 rupias por m2. “A Índia é uma república. Se um homem quer continuar a morar na sua casa, é livre de o fazer.” Será esta afirmação verdadeira?
Adiga fala-nos da corrupção e do porquê dos construtores terem tanto poder (“um politico famoso telefonara para os escritórios do Cofidence Group e debitara um número, uma quantia de dinheiro que teria de ser transportada nessa noite para a sua sede de campanha.”); mas é sobretudo as relações humanas que são questionadas neste romance, temas como hipocrisia; a inveja; a traição; as desilusões; a humilhação; a solidão; a fé e claro a poder que o dinheiro tem nessas relações estão presentes ao longo de todo o livro. Também são impressionantes as descrições que faz de Bombaim, sem nunca ter-mos visitado a cidade, ficamos com a impressão que passa-mos a conhecer parte dela.
Não tão bom como O Tigre Branco é no entanto um livro de elevada qualidade.
Boa leitura…

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mario Vargas Llosa em A Tia Julia e o Escrevedor



Sobre as bruxas ou os médium...


O escriturário fez-nos sentar à volta da mesa (não redonda mas sim quadrangular), apagou a luz, ordenou que déssemos as mãos (...) Eu pedi ao escriturário que chamasse o meu irmão Juan, e, surpreendentemente (porque nunca tive irmãos), veio e mando-me dizer, pela benigna voz do médium que não devia preocupar-me com ele pois estava com Deus e que rezava sempre por mim.

Mais citações e sugestões sobre A Tia Julia e o Escrevedor de Mario Vargas Llosa:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Mario%20Vargas%20Llossa

terça-feira, 13 de março de 2012

José Saramago - Cadernos de Lanzarote Diário II



Cadernos de Lanzarote, Diário II, foi escrito há 18 anos. Todos os dias José Saramago escrevia nesse seu caderno. A pergunta que se coloca é inevitável: Será proveitoso ler um diário escrito no ano de 1994? Infelizmente o mundo não mudou tanto assim deste então, razão pela qual este diário ainda é bastante atual.
Muitos amigos de Saramago são mencionados: Jorge Amado; Siza Viera; José Rodrigues Migueis; Eduardo Lourenço; Mário Soares, mas também fala de pessoas que não gosta como Cavaco Silva; Mario Vargas Llossa; ou António Lobo Antunes.
O Nobel que chegaria em 1998 já era tema de algumas crónicas. Deus, também ocupou várias páginas. Com uma humildade extrema, revela que muitas vezes teve na fila da sopa dos pobres, também dá a conhecer que estava previsto ser preso pela PIDE a 29 de Abril de 1974.
Sobre os seus livros garante que o Memorial do Convento “já está na História de Portugal”. Também publica um excerto de uma crítica ao Memorial, onde Ângela Caires afirma: “Para não falar do flop total de outra tentativa, Memorial do Convento, de que seguramente ninguém guarda memória.” O Evangelho também é abordado, e nesse ano escrevia o Ensaio Sobre a Cegueira.
O seu ceticismo perante as atitudes dos seres humanos é bem patente ao longo de todo o diário, entre outras coisas, fala sobre o holocausto e do medo que possa um dia voltar, critica a política de Fidel Castro além de manifestar apoio ao regime. Sobre a europa prevê que um dia será comandada pela Alemanha, relativamente a Portugal, afirma que os nossos maiores inimigos somos nós mesmos.
 O reconhecimento pelo seu trabalho chegava dos mais diversos recantos do mundo, o que o levou a afirmar que razão tinha quem dizia que ninguém é profeta na sua terra.
Muitas mais coisas são abordadas neste diário, o melhor é mesmo lê-lo, eu já comecei a ler outro, o diário I.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Muito Obrigado Teresa...



Uau! Ganhei um prémio da Teresa Dias, do blog rol de leituras

"O Prémio Dardos reconhece os valores que cada blogueiro mostra em cada dia no seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais... que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras."


Muito obrigado Teresa...

sexta-feira, 2 de março de 2012

Gunter Grass em A Caixa


"Em todo o caso, e na verdade por eu ter dito que, se o pai tivesse de sair, eu saía também, a casa acabou por ser simplesmente dividida. Ele ficou com a parte mais pequena, para a esquerda das escadas, mantendo a sua toca la em cima. Além disso, mais uma divisão, para servir de cozinha, e por baixo o quarto com casa de banho que antes fora o quarto dos pais, mais abaixo o seu escritório, onde ficava sentado a sua secretária, que lhe dactilografava as cartas. Foi decerto a melhor solução. Mas as minhas amigas até fizeram troça: « Mas isso é brutal! É como o Muro de Berlim, a passar mesmo através  da casa. Só falta o arame farpado.»"

Sugestão de leitura de A Caixa de Gunter Grass: