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domingo, 4 de novembro de 2012

O Teu Rosto Será o Último - João Ricardo Pedro


         

         João Ricardo Pedro nasceu em 1973 na Reboleira, Amadora. Licenciado em engenharia eletrotécnica, ficou em 2009 sem emprego após uma década a trabalhar numa empresa de telecomunicações. O ditado popular afirma: “a ocasião faz o ladrão”, neste caso o tempo disponível levou o autor a escrever “O Teu Rosto Será o Último”, romance de estreia que lhe valeu o Prémio Leya 2011, galardão que tem como recompensa o valor de 100.000€ e garante a venda de muitos livros.
                 “«Pai, quem é que foi o Salazar?» O pai respondeu sem hesitações: «Foi um defesa esquerdo do Belenenses.» (…) «Não, pai, o Salazar mau, aquele mesmo muita mau de que às vezes falam na televisão.» O pai pousou os óculos sobre o jornal, olhou o teto, olhou o filho e disse: «Foi o cabrão que matou o teu avô, o pai da tua mãe.»”
                O romance começa com a revolução de 1974 como pano de fundo. Ao longo das páginas, as histórias de avó, pai e neto vão sendo contadas em episódios aparentemente autónomos. Sempre com muita música pelo meio, somos levados ao tempo em que o doutor Augusto Mendes, após comprar uma casa numa aldeia, é recebido com muita alegria.
                “Quando chegaram as coisas para o consultório, a alegria das pessoas. Já temos médico. Já temos doutor. Faziam fila para me darem batatas e coelhos e queijos de cabra.”
                O entusiasmo com a passagem da volta a Portugal em bicicleta contrastava com os horrores da guerra colonial. António, filho do doutor Augusto, espelha o desespero e os traumas que a guerra deixou na nação. A madrinha de guerra de António acabou por ser sua esposa. Duarte, o pianista promissor, é filho de ambos.
                “Ele escrevia cartas. Cartas lindas. Talvez te seja difícil imaginar o teu pai a escrever cartas, muito menos cartas lindas, mas é verdade.”
                Sendo um livro que reflete a realidade popular das épocas retratadas, o futebol tinha que ser tema obrigatório. Outros temas também são abordados como a União Soviética, o incidente na praça de Tiananmen ou a pobreza vivida no tempo do Estado Novo.
                Com uma escrita simples e muito acessível, é sem dúvida um excelente trabalho para um romance de estreia.
                Boa leitura…

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Chico Buarque em Leite Derramado


O teu mal faz-me tão bem...

"Chegando o dia, vestiu-se como achou que era bom-tom, com um vestido de cetim cor de laranja e um turbante de feltro mais alaranjado ainda. Eu já lhe havia sugerido que guardasse aquele luxo para o mês seguinte, na despedida do francês, quando poderia subir a bordo para um vinho da honra. Mas ela estava tão ansiosa que se aprontou antes de mim, ficou na porta me esperando em pé. Parecia empinada na ponta dos pés, com os sapatos de salto, e estava muito corada ou com rude demais. E quando vi sua mãe naquele estado, falei, você não vai. Por quê, ela perguntou com voz fina, e não lhe dei satisfação, peguei meu chapéu e saí. Nem parei para pensar de onde vinha a minha raiva repentina, só senti que era alaranjada a raiva cega que tive da alegria dela."

Excerto das páginas 16 e 17

Sugestões e citações sobre Leite Derramado de Chico Buarque:

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Hilary Mantel com “Bring up the Bodies” é a vencedora do Man Booker Prize 2012



Hilary Mantel com “Bring up the Bodies” é a vencedora do Man Booker Prize 2012.
"Esperei 20 anos por um Prémio Man Booker e em pouco tempo são-me atribuídos dois"
Ao vencer o galardão, torna-se na primeira mulher a receber o prémio pela segunda vez. Na história do prémio, Mantel é a terceira, depois do australiano Peter Carey e do sul-africano J.M. Coetzee, a receber este prémio duas vezes.

 Sugestões de leitura e citações de outros Man Booker Prize:

2011 - Julian Barnes - O Sentido do Fim
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/2012/08/o-sentido-do-fim-julian-barnes.html

2010 - Howard Jacobson - A Questão Finkler
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/A%20Quest%C3%A3o%20Finkler

2008 - Aravind Adiga - O Tigre Branco
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Aravind%20Adiga

Philip Roth
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Philip%20Roth

Penelope Liverly
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Penelope%20Liverly


quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Paul Krugman - Acabem com esta crise já!



Paul Krugman foi galardoado com o Prémio Nobel da Economia em 2008. Os seus livros são conhecidos por serem de fácil interpretação, tal como o autor afirma, não é preciso ter formação em economia para os perceber. Em Acabem com Esta Crise Já! Aborda a situação económica mundial e deixa o seu ponto de vista para podermos sair da crise.
“Estamos a viver tempos terríveis, mais terríveis ainda porque toda esta crise é completamente desnecessária.”
O autor recorda que o desemprego nos Estados Unidos da América e nos países Europeus em dificuldades está a um nível elevadíssimo. Uma grande percentagem das pessoas que trabalham viram o seu rendimento diminuir, pois, ou perderam o segundo emprego, método utilizado por muitos para equilibrar o orçamento familiar, ou deixaram de fazer horas extraordinárias na empresa onde trabalham.
“Os devedores não podem gastar e os credores não querem gastar."
Para sair desta situação atual, Krugman defende o regresso das políticas keynesianas. No caso Europeu, defende que os estados em dificuldades - onde se inclui Portugal – terão que conseguir uma redução dos custos do trabalho em comparação com a Alemanha, mas uma vez que esses povos estão muito endividados e que uma redução dos ordenados levaria a um incumprimento massivo das famílias, cabe aos estados europeus mais ricos levarem a cabo políticas de investimento público, dessa forma e tendo em conta o pleno emprego registados nesses países os ordenados tenderiam a subir. Assim, os países em dificuldade, mantendo os atuais ordenados aos seus trabalhadores viriam os custos unitários do trabalho baixarem relativamente à Alemanha. Esta medida também levaria a que as exportações dos países em dificuldade aumentassem.
“É difícil fazer um homem algo quando o seu salário depende do facto de ele não entender isso. O dinheiro compra influências; e as políticas que nos levaram à situação em que estamos, apesar de não terem feito grande coisa pela maior parte das pessoas, pelo menos por uns tempos foram realmente muito boas para uns quantos indivíduos no topo”
Existe uma percentagem da população, os 0,1% mais ricos, que estão a ganhar muito dinheiro com a situação atual, dai ser difícil executar este plano, mas caso não seja realizado, Krugman alerta que os países em dificuldades enfrentaram décadas de desemprego elevado.
Boa leitura…

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nobel da Literatura 2012 é atribuído a Mo Yan



A Academia Sueca atribuiu nesta quinta-feira o Prémio Nobel da Literatura ao escritor chinês Mo Yan, pseudónimo literário de Guan Moye. 
Em Portugal foi publicado em 2007 o livro "Peito grande, ancas largas", traduzido por João Martins e editado pela Ulisseia, mas atualmente encontrasse esgotado. Certamente que mais livros seus serão traduzidos para português. 
Não conheço a escrita de Mo Yan, mas será o primeiro autor chinês que irei ler… 

P.S. Era o terceiro na lista no site de opostas Ladbrokes

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Amanhã saberemos quem é o Nobel da Literatura 2012...




O nome do vencedor do Prémio Nobel de Literatura será anunciado na próxima quinta-feira às 13:00..
Nenhum nome é apontado como grande favorito, mas os círculos literários em Estocolmo destacam a possibilidade de vitória de uma mulher ou de um autor americano.
Segundo o site de apostas online Ladbrokes, Huraki Murakami é o principal favorito. Recorde-se que por mais de uma vez as previsões deste site foram certas, o nome do vencedor tem estado sempre nos cinquenta nomes apresentados.
Como tem sido hábito, António Lobo Antunes também figura entre os favoritos. Em baixo deixo o link para poderem aceder há lista:

Deixo aqui o link das citações e sugestões de leitura que fiz dos autores que constam nessa lista:
Boas Leituras...
Haruki Murakami
Philip Roth
Amos Oz
António Lobo Antunes
Julian Barnes 
Paul Auster

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Despacho da PIDE que autoriza a publicação do Hospede de Job de José Cardoso Pires


Para todos os interessados aqui fica o Despacho da PIDE que autoriza a publicação do Hospede de Job de José Cardoso Pires.



Livro de Alice Vieira para adultos recomendado a crianças de sete anos

O Plano Nacional de Leitura recomenda um livro de Alice Vieira escrito para adultos a crianças do segundo ano, que têm sete anos. A autora foi alertada pela directora de uma escola que visitou e ficou incrédula.
“Quando cheguei a casa, tarde, fui ver e realmente está indicado para leitura dos meninos do segundo ano, que têm sete anos. Este é um livro de poesia de amor, erótica, para adultos. Como é que se pode pôr isto aconselhado a sete anos?”, questiona.
No seu facebook, a autora também mostra a sua indignação, apelidando de "energúmenos" os que "escolhem os livros para o Plano Nacional de Leitura".
"Acabei de ver que o meu livro de poesia (poesia de amor, PARA ADULTOS!!!!) chamado 'O Que Dói às Aves' está aconselhado para...o segundo ano!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Mas essa gente leu alguma coisa do livro para lá do título? Será que pensam que são histórias de pintaínhos?????", questiona.
Alice Vieira espera agora que haja uma acção do comissário do Plano Nacional de Leitura.
“Acho que é o Fernando Pinto do Amaral, que me conhece muito bem, que conhece este livro e, portanto, penso que pelo menos ele irá mandar retirá-lo”, afirma.
A autora teme que, contudo, haja nas recomendações do PNL outros casos semelhantes.
Alice Vieira é conhecida pela sua literatura infanto-juvenil, mas também escreve para adultos.
Fonte: Radio Renascença
Sugestões de livros de Alice Viera:

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O Hóspede de Job - José Cardoso Pires



Outubro é o mês que se assinala a data do nascimento assim como da morte de José Cardoso Pires. Nasceu na aldeia de São João de Peso, conselho de Vila de Rei a 2 de Outubro de 1925 e foi em Lisboa, a 26 de Outubro de 1998, que viria a falecer.
Ao longo da sua carreira publicou vários livros e conquistou vários galardões literários. Com “O Hospede de Job” venceu o Prémio Camilo Castelo Branco, obra dedicada ao seu irmão que perdeu a vida quando cumpria o serviço militar obrigatório.
“Na véspera, as mulheres tinham marchado sobre a Vila e, todas em coro, apresentaram-se na Câmara. Pediam pão para casa, trabalho para os maridos.”
Editado pela primeira vez em 1963 mas escrito em 1953, O Hóspede de Job é um livro que descreve muito bem o Portugal de então. Dessa forma descobrimos um país onde o desemprego abundava e a fome era uma constante; onde as pessoas, pela força da necessidade, faziam muitos quilómetros a pé na esperança de arranjar emprego; onde já existiam algumas máquinas agrícolas, mas onde essas mesmas máquinas preocupavam os trabalhadores pois pensavam que ainda iriam agravar mais a falta de trabalho; nessa altura os guardas andavam pelas aldeias a cavalo e prendiam muitas pessoas por aspetos políticos e os jovens eram obrigados a cumprir o serviço militar.
“Na grande maioria são homens-operários, homens-camponeses, cobertos com uma farda que cobriu antes deles outros operários, outros camponeses, ou pescadores”
O filho de Aníbal é um desses homens. No quartel onde está fazem-se testes militares comandados pelo hóspede de job, Gallager, um americano a mandar nas nossas tropas. João Portela, que esfomeado andava naquela zona há procura de emprego fica sem uma perna por causa dos testes militares, ele simboliza todos aqueles que ficaram sacrificados pela tirania de uma ditadura. Tio Aníbal é o típico português que se preocupa com a vida dos outros. Floripes, uma jovem, está pressa numa cela por cima de uma Igreja, sitio onde já poucas pessoas rezam.
“Tu não pertences aos presos comuns…”
Este livro reaviva o passado para que essas memórias não sejam esquecidas, mas existe uma pergunto inevitável: Como é que a PIDE autorizou a publicação da obra?
            Boa leitura…

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

OS Malaquias - Andréa del Fuego



Andréa del Fuego é uma jovem escritora brasileira natural de São Paulo. Com apenas trinta e sete “primaveras” já tem vários livros editados no Brasil. O seu último romance, Os Malaquias, ao vencer o Prémio José Saramago, fez com que “saltasse para as luzes da ribalta” e ocupasse por várias semanas os tops de vendas tanto em Portugal como no Brasil.
Com um estilo de escrita muito próprio, onde o supérfluo não existe, a poesia é uma constante e o realismo mágico está sempre em pano de fundo, descreve a vida de três irmãos que ainda muito jovem – Nico aos nove anos, António aos seis anos e Júlia aos quatro anos – veem os seus pais morrerem após um raio atingir a sua humilde casa. Impercetível na altura, o raio deixaria marcas nos três jovens.
Júlia é adotada por Leila, uma senhora muito rica, António acaba por ficar num orfanato e Nico passa a viver na fazenda de Geraldo. Mas as vidas de ambos vão ser bastante diferentes, nem sempre quem aparenta ficar melhor é aquele que fica.
 “Geraldo era dono até do que não tinha”
Geraldo, o fazendeiro, é outra das personagens em destaque ao longo do livro. Ele representa todos aqueles que valendo-se da sua posição social e económica aproveitam o mal dos outros para fazerem fortuna.
“Que Deus não me ouça, mas já ouvi casos em que a mulher adúltera é castigada com um filho defeituoso”
Muitos temas são abordados ao longo do livro. Os preconceitos socias, a vida dura das pessoas com poucos recursos, a não preocupação pelo mal dos amigos, mesmo quando estes passam fome, os laços sanguíneos que não garantem a amizade e a compaixão, a maçonaria ou a ganancia pelo lucro são apenas alguns dos temas abordados.
“Em águas turvas as substâncias não se veem.”
Quer se goste, quer se odeie, Os Malaquias fazem partes daqueles livros que não deixam o leitor indiferente.
Boa leitura…

sábado, 15 de setembro de 2012

Paul Krugman (Prémio Nobel da Economia 2008) em Acabem com esta Crise já!


"Mas se um trabalhador individual pode melhorar as suas hipóteses de arranjar emprego ao aceitar um salário  mais baixo, porque isso o torna mais apetecível em comparação com outros trabalhadores, já o corte nos salários em todos os sectores de atividade deixa toda a gente na mesma situação, à exceção disto: tal corte reduz os rendimentos a toda a gente, mas o nível de endividamento continua igual. Por conseguinte, uma maior flexibilidade nos salários (e nos preços) resultaria simplesmente num agravamento das coisas."

Excerto da página 65.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Gabriel Garcia Marquez - A Aventura de Miguel Littín Clandestino no Chile



Decorria o ano de 1985. O Chile vivia sobre a ditadora militar do general Pinochet, umas das mais duras que a América Latina conheceu. Nos doze anos de ditadura que tinha decorrido até então, Pinochet tinha provocado quarenta mil mortos, dois mil desaparecidos e mais de um milhão de exilados. O país vivia um novo estado de sítio, todos os dias as sirenes assinalavam a hora do recolher obrigatório. É nestas condições que Miguel Littín, realizador de cinema e exilado político chileno, decide entrar no país para “filmar clandestinamente um documentário sobre a realidade do Chile”.
Gabriel Garcia Marquez, Prémio Nobel da Literatura 1982, já então um dos autores mais respeitados em todo o mundo, ao ouvir a história contada pelo próprio Miguel Littín aproveita a sua grande projeção mundial para dar uma ajuda ao povo chileno. Assim nasceu este livro, uma aventura verdadeira em que o autor tentou ser o mais realista possível.
“Eu, Miguel Littín, filho de Hernán e de Cristina, realizador de cinema e um dos cinco mil chilenos com proibição de regressar, estava de novo no meu país, ao fim de doze anos de exílio, embora ainda me encontrasse exilado dentro de mim próprio: usava uma identidade falsa, um passaporte falso e até uma esposa falsa.”
As mudanças constantes de hotéis por razões de segurança, as entrevistas a dirigentes da oposição que viviam na clandestinidade, as filmagens dentro do Palácio La Moneda onde Pinochet trabalha, ou a inesperada visita à sua mãe, onde esta não o reconheceu, são apenas algumas das aventuras que teve durante as seis semanas que permaneceu no Chile.
“Assumi a estranha condição de exilado dentro do meu próprio país, que é a mais amarga forma de exílio.”
Entre muitas coisas, Miguel Littín filmou um país onde as pessoas tinham medo de falar, onde o trabalho escasseava e a fome abondava, onde era preciso autorização para filmar na rua, onde os mineiros tinham péssimas condições de trabalho.
“Este não é o feito mais heroico da minha vida mas sim o mais digno”
Um livro cheio de histórias e aventuras e com a incontornável qualidade literária de Garcia Marquez.
Boa leitura…

Mais sugestões e citaçoes de livros de Gabriel Garcia Marquez:

domingo, 9 de setembro de 2012

José Cardoso Pires em O Hóspede de Job


O nosso cérebro é incrível...

Após a amputação da perna de João Portela:

"Agora ainda não é nada. O pior vai ser quando acordar. Diz o nosso sargento que as pessoas continuam durante muitos dias a julgar que têm perna, braço ou seja lá o que perderam. Chegam a sentir dor, vê tu. Já pensaste o que é ter dor numa coisa que não existe? Procurar aqui e não achar nada."

Excerto da página 144.

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Sentido do Fim - Julian Barnes



Com “O Sentido do Fim”, Julian Barnes conseguiu um feito que só está ao alcance dos grandes escritores, vencer o Man Booker Prize de 2011, prémio por muitos considerado como o segundo galardão mais importante da literatura mundial.
“Sobre aquilo de que não sabemos falar devemos guardar silêncio.”
É já na idade da reforma que Tony vesse obrigado a recordar todo o seu passado. Uma carta de uma solicitadora com o testamento de Adrian Finn, seu amigo de liceu e mais tarde namorado de uma ex-namorada sua, Verónica, leva-o a percorrer as suas memórias. Assim que soube do namoro entre Adrian e Verónica, Tony tinha cortado relações com o casal e desde então não mais tinha tido notícias deles.
“Camus disse que o suicídio era a única questão filosófica verdadeira”
Adrian era o mais inteligente do seu grupo de amigos, era aquele que tinha o futuro mais promissor, só que, sem razão aparente, comete o suicídio ainda na flor da idade. Será que ao optar pelo suicídio escolhe a via mais simples? Será que cometeu um ato filosófico? Ou será que a situação que vivia era bem mais complexa do que aquilo que aparentemente demonstrava?
“Era capaz de jurar solenemente que, se havia mente que nunca perderia o equilíbrio, era a de Adrian. Mas aos olhos da lei, se nos matássemos, eramos loucos por definição pelo menos no momento em que cometíamos o ato”
A solidão, o arrependimento pelo odio que sentimos num determinado momento, as mentiras que se contam sobre o sexo, as promessas de amizade eterna que se faz na adolescência e que mais tarde não se cumprem, os amigos e familiares que se contactam só por e-mail ou a imperfeição da nossa memoria são alguns dos outros temas abordados pelo autor.
“O que acabamos por recordar nem sempre é igual ao que presenciámos.”
Com este livro, Julian Barnes demostra que um pequeno livro pode ser uma grande obra.
Boa leitura…  

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Jorge Amado faria hoje 100 anos


Jorge Amado faria hoje 100 anos.


"Inventor do Brasil moderno. Campeão da mestiçagem. Pregador do sincretismo. Retratista de um país colorido e multirracial, mas também desigual, machista e violento. Cabem muitas descrições à obra de Jorge Amado e elas podem ir da qualidade literária à representação social de uma nação que começava a se descobrir."

Fonte: Correiobraziliense

Capitães da Areia foi um dos melhores livros que li até hoje, deixo aqui o link com a sugestão de leitura da obra:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Jorge%20Amado

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

José Rodrigues dos Santos em O Anjo Branco

   
   Foi assim na Expo 40, realizada em Lisboa:

   Desembocaram por fim no grande Pavilhão de Angola e Moçambique, protegido por dois hipopótamos que ladeavam a escadaria. Ao fundo viam-se umas palhotas e uma multidão curiosa formigava em torno delas.
   Aproximaram-se do local e logo o capitão exclamou:
   "Estão a ver?Estão a ver' Eu não dizia?"
   Amália e Joana abriram a boca de espanto quando espreitaram entre os ombros e as cabeças das pessoas  que se acotovelavam em frente, e o mesmo aconteceu com a criada e as crianças.
   "Credo!", exclama Joana, horrorizada. "Ai Jesus!"
   "Ora esta!", concordou a irmã. "Realmente, se eu não visse não acreditava!"
   António, o mais velho dos filhos, lançou ao capitão um olhar receoso.
   "O pai, eles comem a gente?"
   "Não, que disparate!"
   "Comem comem!" insistiu Lourdes. "Comem que eu sei!"
   "Não comem nada."
   E ali ficaram todos, embasbacados, num misto de repulsa e fascínio, a a contemplar o espetáculo que se desenrolava diante deles, a mirar aquela extraordinária atração: Um homem de tronco nu e tanga e pele escura como carvão, os cabelos encaracolados e o olhar enfastiado, sentado diante da palhota como se estivesse encarcerado numa jaula.

Excerto da pagina 54

Mais sugestões e citações sobre O Anjo Branco:
http://sugestaodeleitura.blogspot.pt/search/label/Jos%C3%A9%20Rodrigues%20dos%20Santos

sábado, 4 de agosto de 2012

A Caixa Negra - Amos Oz


Em 1987, o agora prestigiado autor israelita Amos Oz, escrevia A Caixa Negra. No ano seguinte a obra ganhou o prestigiado “Prémio Femina”. Seria o primeiro dos vários galardões conquistados pelo autor ao longo da sua carreira. O livro foi reeditado recentemente em Portugal. Além de escritor, Oz é professor de literatura na Universidade Ben-Gurion e dedica-se à militância a favor da paz entre palestinianos e israelitas.
“Não cuides que vim trazer a paz ao mundo; não vim para trazer a paz mas a espada.”
O livro conta a história do divórcio de Ilana e Alex e sendo este livro a “caixa negra” de um complicado divorcio, sentimentos como o ódio, o desespero, o desgosto, a culpa, o arrependimento, a inveja, o receio, o medo ou o ciúme estão presentes ao longo de toda a obra. Boaz, filho de ambos, começa a ter comportamentos de indisciplina. Desesperada, Ilana pede ajuda ao seu ex-marido, reatando dessa forma a ligação. Ilana é agora casado com Michel, que mais tarde vem a ser um fanático religioso.
“Nós somos o Povo do Livro, Boaz, e um judeu sem a Torah é pior do que um animal dos campos”
Quando se dá um divórcio muitas vezes as posições extremam-se, esses extremismos levam ao fanatismo. A causa Israelo-Palestiniana  é um longo e duríssimo divórcio entre dois povos, com religiões diferentes e quase sempre com posições antagónicas  o entendimento mostra-se quase impossível. Alex, consagrado escritor de livros contra o fanatismo, é o próprio a praticar a violência domestica e a humilhar tudo e todos. Não basta ter um bonito discurso é preciso passar aos atos. A causa Israelo-Palestiniana e a culpa de ambos os lados torna-se assim no principal tema deste livro. Tal como no divórcio entre Ilana e Alex, a falta de compreensão e de tolerância leva a que ambos se odeiem. Quantas caixas negras seriam precisas para registar tudo o que tem acontecido ao longo dos anos entre Israelitas e Palestinianos.
“Para tentar responder a esta pergunta, transcrevo-te a seguir os dez mandamentos do teu filho, fora da ordem mas respeitando a maneira de falar dele. I. Ter pena deles todos. II. Reparar mais nas estrelas. III. Ser contra estar zangado. IV. Ser contra fazer troça. V. Ser contra o ódio. VI. Os filhas da mãe também são seres humanos, não são merda. VII. Ser contra a violência. VIII. Ser contra matar. IX. Não nos comermos uns aos outros. X. Calma.”
Boa leitura…

domingo, 29 de julho de 2012

A Prisioneira de Teerão - Marina Nemat





“A Prisioneira de Teerão” conta a história de Marina Nemat uma mulher que conseguiu fugir do Irão.
Com 16 anos, Marina é detida pela polícia, pois tinha feito alguns artigos no jornal da escola a criticar o governo e protestou com a professora acerca da substituição da aula de matemática pela leitura do Corão. Marina é acusada de ser uma ameaça para a sociedade islâmica. Levada para Evin, uma prisão política Iraniana, é torturada e condenada à morte por traição, mas, um dos guardas prisionais, Ali, apaixona-se por ela e consegue que a sua pena seja revista para prisão perpétua. Este obriga-a a casar-se consigo, Marina consegue assim sair de Evin, mas, não alcança a liberdade…que passado alguns anos consegue encontrar.
De fácil leitura, esta história verídica lê-se como um romance, contudo, é um documento histórico que demonstra algumas das atrocidades cometidas por um dos governos mais tiranos da actualidade.
Boa Leitura...




quinta-feira, 26 de julho de 2012

Nova TV egípcia só tem apresentadoras de burka



"Há um novo canal de televisão no Egito. Até aqui nada de novo, não fossem as apresentadoras de noticiários usarem burkas.
Os proprietários do canal Al-ummah dizem que querem mudar a perspectiva social e dar oportunidades de trabalho a mulheres.
Mas não são só as pivots que envergam este tipo de vestuário que lhes deixa ver apenas os olhos. Atrás das câmaras, a burka também é de uso obrigatório.
Fonte: TVI

No inicio da "Primavera Árabe" existia a esperança que os povos do norte de África fossem libertados dos seus regimes ditatoriais, ao que parece Giuseppe Tomasi di Lampedusa tinha razão quando no inicio do século XX  afirmou: por vezes é preciso que todo mude para que todo fique na mesma.