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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Afinal a crise não existe...

Pagamos mais de um milhão para o Queiroz ir embora, ouve quem disse-se que nunca mais lá íamos, ouve o caso do desertor/mercenário, ouve ainda quem afirma-se “É pá, não estás a treinar os juniores.”
Mas ontem parece que não havia crise, voltou a haver orgulho em ser português, a Portuguesa foi cantada várias vezes, e sempre de uma forma muito sentida.
No tempo de Salazar Portugal era Fado, Fátima e Futebol, agora o que será?

Saramago completava hoje 89 anos...


Estou a ler o Ensaio Sobre a Lucidez, cada vez tenho mais a certeza de uma coisa: Saramago não tem bons livros, ou são muito bons, ou simplesmente são obras de arte.
Este pequeno video bem podia servir de introdução ao Ensaio Sobre a Lucidez.

Sugestão de leitura e citações de livros de Saramago:

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre O Quarto de Jack de Emma Donoghue

O Quarto de Jack tem sido até ao momento uma tremenda desilusão. Quando o comprei, nunca tinha ouvido falar da escritora, mas a obra tinha sido finalista do Man Booker Prize e do Orange Prize. Na capa, Michael Cunningham afirma que " o Quarto de Jack é uma raridade, uma completa e original obra de arte", pois bem, estou a meio do livro e ainda não vi nada, a continuar assim é um livro de 6-7 valores.
Geralmente só faço comentários aos livros depois de os acabar, pois já tive surpresas nas ultimas páginas, será este um deles?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aravind Adiga em O Tigre Branco

O corpo dum homem rico é como uma almofada de algodão da melhor qualidade, branca, macia e sem marcas. Os nossos são diferentes. A coluna vertebral do meu pai era corda cheia de nós, do género do que as mulheres usam nas aldeias para tirar água dos poços; as clavículas descreviam uma curva em alto-relevo à volta do pescoço, como uma coleira de cão; golpes, incisões e cicatrizes, como pequenas mascas deixadas por um chicote, percorriam-lhe o peito e a cintura, chegando-lhe abaixo dos ossos da bacia até às  nádegas. A história dum homem pobre está-lhe escrita no corpo, com uma caneta de ponta aguçada. 

Sugestão de leitura de O Tigre Branco de Aravind Adiga:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/04/aravind-adiga-o-tigre-branco.html

domingo, 6 de novembro de 2011

Albert Camus em O Estrangeiro





Depois do almoço aborreci-me um pouco e vagueei pela casa. Quando a mãe cá estava era comodá. Agora é grande de mais para mim...




Sugestão de leitura de O Estrangeiro de Albert Camus:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/O%20Estrangeiro

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Daniel Sampaio - Da Família, da Escola, e Umas Quantas Coisas Mais

“Da Família, da Escola e Umas Quantas Coisas Mais” é o vigésimo livro de Daniel Sampaio. Natural de Lisboa, formou-se em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Desde 2008 que é Professor Catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental nessa faculdade. Neste novo livro reúne um conjunto de crónicas originalmente publicadas na revista Pública em que o tema central é a família, a escola e a cidadania.
“Não pretendo ser neutro, nem busco consenso a todo o custo. Defendo a necessidade de nos preocuparmos com o que nos rodeia, com especial atenção para os que estão mais próximos, sobretudo se forem mais vulneráveis.
É sobretudo das pessoas mais próximas que o psiquiatra fala-nos, assim sobre as crianças, afirma que devem praticar desporto, mas ressalva: “ o desporto apenas se recomenda, não se pode impor (…) outras crianças preferem desenhar ou aprender música, não faz sentido obriga-las a jogar à bola.” Desaconselha a televisão nos quartos, (“nunca deverão estar no quarto dos mais pequenos”), diz não haver a necessidade de comprar brinquedos caros pois “as crianças preferem o faz-de-conta” além disso, “a exploração do território fora de casa promove a autonomia e a autoconfiança e a sujidade nas roupas não é factor de risco”.
Sobre a escola diz que os pais devem educar “ sempre com esperança e orgulho nos filhos, mas procurando nunca criar expectativas irrealistas ou traçar metas que não dizem respeito aos interesses das crianças.” Diz que a família não é uma democracia, mas “um espaço de crescimento emocional onde cada um tem o direito de falar ou ficar calado, e todos têm o dever de pensar no cuidar e bem-estar do outro.”
Ainda aborda temas como a internet; o controlo parental; os rituais familiares; o bowling; os chumbos na escola, as depressões e a democracia.
Boa leitura…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Breve comentário sobre O filho de mil homens de Valter Hugo Mãe


Já acabei de ler "O filho de mil homens".
Não senti o tsunami que senti quando li "a máquina de fazer espanhóis", mas fiquei com uma certeza, tal como o autor também "queria muito ser pai de mil homens e mais mil mulheres.
De um a dez, nota oito. Admito, no entanto, que com o passar do tempo possa rever a avaliação para nove valores. Por vezes precisamos de tempo para perceber a profundidade de uma obra.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sobre a cruel morte que Kadafi teve

José Rodrigues dos Santos em O Anjo Branco



"Porque isto, meu caro amigo, não é uma fita de Hollywood nem uma história do Mundo de Aventuras, mas a realidade da guerra. Nos filmes e nos livros os bons nunca eliminam mulheres nem crianças e só matam os maus em última instância. O mundo real não é assim."





Sugestão de leitura de O Anjo Branco de José Rodrigues dos Santos:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/05/o-anjo-branco-jose-rodrigues-dos-santos.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Gunter Grass - A Caixa

Gunter Grass é um dos nomes mais consagrados da literatura Alemã. O seu mais recente trabalho, “A Caixa” é uma autobiografia que começa em 1959, sendo uma continuação do seu anterior livro “Descascando a Cebola” só que, desta vez, liberta-se mais do campo político e volta-se para o universo familiar.
“A Mariechen é uma fotógrafa especial, pois possui uma câmara antiquada em formato de caixa que se chama Agra-Box e que durante a guerra sobreviveu aos danos causados por bombas, pelo fogo e pela água. Desde então, o aparelho nunca mais regulou bem ou então regula, mas de uma maneira diferente, razão pela qual é omnividente e produz imagens bem invulgares” e é através dessas fotos, sempre tiradas por Mariechen, que são um misto de ficção e realidade, que o autor, através do ponto de vista dos seus 8 filhos, nos vai desvendando a sua vida. Elas revelam-nos que teve 4 mulheres, é através das fotos sem flash que ficamos a saber como a construção do Muro de Berlim modificou a sua vida, ou ainda, o porquê de sendo ateu ter baptizado uns filhos e outros não. O Nobel da Literatura revela-nos que foi mau aluno, mas ensina-nos que numa relação é pior não falar do que discutir, é através das fotos em tom de sépia que o autor revela que passou fome e que restaurante português é sinonimo de barato.
Um livro polémico, em que Grass consegue ser crítico consigo e com os seus, mas também demonstra ternura e por vezes indiferença. Dá-nos ainda a conhecer alguns acontecimentos históricos da Alemanha.
Boa Leitura…

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

João Tordo em O Bom Inverno


Mas, Basco, até um escritor, que eu não sou, só é deus  das suas personagens. Só tem o poder de decidir o destino destas; e até elas, por vezes, lhe fogem das mãos.




Sugestão de leitura de O Bom Inverno de João Tordo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/11/o-bom-inverno-joao-tordo.html

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Comissão das Lágrimas de António Lobo Antunes



No passado dia 10 de Outubro comprei o novo livro de António Lobo Antunes. O livro foi lançado no dia 30 de Setembro, ou seja 11 dias antes de eu o comprar, apenas consegui arranjar a 3º edição. Pela amostra, parece que vai ser um sucesso de vendas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Alice Viera - O Livro da Avó Alice

Alice Vieira é um nome incontornável no panorama da literatura em Portugal. O seu trabalho distingue-se sobretudo na literatura infanto-juvenil. Entre vários prémios conquistados, destaca-se o Grande Prémio Gulbenkian, galardão que foi-lhe entregue em 1994 e que distingue o conjunto da sua obra. “O Livro da Avó Alice” é o seu mais recente trabalho.
Logo no início do livro a autora avisa: “Isto não é o manual da boa avó”, “não vou teorizar sobre coisa nenhuma, não sou psicóloga nem descobri a pólvora, nem sequer vou escrever um tratado sobre a arte de ser avó”. Então o que se pode esperar deste livro de Alice Viera? “Vou apenas abrir a porta da minha casa, e deixar entrar os leitores, e esperar que partilhem e se divirtam com as nossas brincadeiras”.
“É da tradição que as avós tenham todo o tempo do mundo para os netos” contudo os tempos mudaram e hoje em dia as avós “tal como as mães, trabalham fora de casa” algumas “até têm namorados”. É da actual geração de avós que Alice Vieira fala-nos. “Nas últimas décadas, tudo mudou. O mundo não é o mesmo. As crianças não são as mesmas. E nós também não”. Ao longo do livro, não deixa de criticar certos aspectos, como o facto de as crianças estarem a ser educadas por ecrãs (“ Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia.”), também alerta para o excesso de actividade que as crianças têm (“E quando é que as crianças ouvem as moscas”). Mas, não entra em revivalismos, (“por isso, avós minhas amigas!, que nem vos passe um segundo sequer pela cabeça murmurar a frase, entre todos fatídica, ah no meu tempo”) e não deixa de frisar que os netos também ajudam as avós a adaptar-se aos tempos modernos ( E os nossos netos ensinam-nos também – e não é pouco! – a viver no seu tempo”).
Com uma escrita simples e bastante agradável, este é sem dúvida um livro para ser lido por avós, pais e netos.
Boa leitura…

domingo, 16 de outubro de 2011

O Último Homem na Torre de Aravind Adiga



Acabei de ler O Ultimo Homem na Torre. Sinceramente espera mais, não que o livro seja um mau livro, este último trabalho de Adiga é sem dúvida um bom livro, mas não esta ao nível de "O Tigre Branco". De um a dez dou-lhe nota oito, mas mais perto do sete do que do nove.

O filho de mil homens de Valter Hugo Mãe


A máquina de fazer espanhóis foi um dos melhores livros que li até hoje, escusado será dizer que as expectativas são grandes relativamente a este novo romance de Valter Hugo Mãe. Vou nas primeiras páginas, vamos ver o que me espera.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Mario Vargas Llosa em A Tia Julia e o Escrevedor sobre as novelas

O que as novelas precisam de ter para serem boas, ou melhor, para terem audiência:




"Tinham de produzir, oito horas por dia, em silenciosas máquinas de escrever, essa torrente de adultérios, suicídios, paixões, encontros, heranças, devoções, casualidades e crimes (...) para iludir as tardes das avós, primas, e reformados de cada país."



Sugestão de leitura de A Tia Julia e o Escrevedor de Mario Vargas Llosa:

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poema sobre Lisboa de Tomas Tranströmer, Premio Nobel da Literatura 2011


Lisboa

No bairro de Alfama
os eléctricos amarelos
cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias.
Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem
o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor
e riu à sucapa
como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”.
Vi a fachada, a fachada,
a fachada e lá no cimo
um homem à janela,
tinha um óculo e olhava
para o mar.

Roupa branca no azul.
Os muros quentes.
As moscas liam cartas
microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei
a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?"














Tomas Transtromer, Prémio Nobel da Literatura 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre a medida que prevê cobrar a entrada nos museus aos Domingos de manhã

Hoje saio a notícia que o governo pretende passar a cobrar as entradas nos museus aos domingos de manhã.
 É verdade que as agências de viagem aproveitam muitas vezes esse horário para levar os seus clientes aos museus, quando na sua maioria essas pessoas têm condições económicas para pagar as entradas.
Estamos em tempo de crise, mas só posso concordar com essa medida, se for salvaguardado um dia em que todos possam entrar sem custos, para que as pessoas com menos recursos financeiros não fiquem privadas de conhecer a nossa cultura, a nossa arte, o nosso passado.


 Nenúfares

"Não é diante de uma paisagem que um jovem diz: quero ser pintor. É a olhar para um quadro que ele faz essa afirmação."

Claude Monet 1840 -1926

sábado, 8 de outubro de 2011

Tiago Salazar - Endereço Desconhecido


Acabei de ler o livro Endereço Desconhecido de Tiago Salazar.
Confesso que a desilusão é grande. Nunca vi o programa, mas o livro aborda tudo muito superficialmente, tem cenas que mais parece de um roteiro da Michelin, com os sítios para se comer e dormir. Tem bastantes entrevistas, mas são na sua maioria banais.
Outros podem ter outra opinião, mas quanto a mim está a anos-luz de autores como Gonçalo Cadilhe.

domingo, 2 de outubro de 2011

Gonçalo M. Tavares em Aprender a rezar na Era da Técnica

Sobre certos casos mediáticos que tem ocorrido lá para os lados de Oeiras e um pouco por todo o pais:

"Lenz não pôde mesmo deixar de pensar que até nas sociedades mais equilibradas e aparentemente mais justas, os homens poderosos só não matariam na rua, a frente de todos, um vagabundo, com as próprias mãos ou com uma arma, porque não queriam humilhar em publico as leis de um país."

Sugestão de leitura de Aprender a rezar na Era da Técnica:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/goncalo-m-tavares-aprender-rezar-na-era.html

Sugestão sobre O Senhor Eliot e as conferências.
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/04/o-senhor-eliot-e-as-conferencias.html

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Philip Roth - A Humilhação


Aos 78 anos Philip Roth foi, sem surpresa, galardoado com o Man Booker International Prize, premio que distingue bianualmente um escritor de língua inglesa pelo conjunto da sua obra. Este prémio é a mais importante distinção literária para escritores que originalmente escrevem na língua de Shakespeare. “A Humilhação”, trigésimo livro do autor, é o seu mais recente trabalho.
“No passado, quando representava não pensava em nada. Aquilo que fazia bem fazia-o por instinto. Agora pensava em tudo, e aniquilava tudo o que era espontâneo e vital.” Simon Axler era um dos melhores actores do teatro América, só que de um dia para o outro as coisas deixaram de correr bem, Axler já não conseguia subir ao palco. Acaba por ir fazer tratamentos para um hospital psiquiátrico, a partir dai, são varias as histórias que o autor nos conta em que as personagens tem em comum o facto de terem sido humilhadas.
 “Os temas antigos da literatura dramática: incesto, traição, injustiça, crueldade, vingança, ciúme, rivalidade, desejo, perda, desonra e luto” são ainda hoje bastante actuais. É desses tipos de humilhação que Roth nos fala ao longo do livro.
Um homem que é abandonado pela sua esposa; uns pais que não aceitam que a filha tenha uma relação com um homem 20 anos mais velho; um homem que vê a sua companheira troca-lo por uma mulher; uma mãe que vê a filha ser violada pelo seu marido são exemplos das diversas formas que levam as personagens de Roth a sentirem-se humilhadas.
“O suicídio é um tema que os dramaturgos abordam com temor reverencial desde o século V a. C., fascinados pelos seres humanos que são capazes de gerar emoções que possam inspirar tão extraordinário acto.” Será que Axler resistirá à tentação do suicídio, e as outras personagens, como é que se vão recompor da humilhação de sentiram?
Boa Leitura…

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Como Água para Chocolate - Laura Esquivel

            
             Laura Esquivel nasceu na Cidade do México a 30 de Setembro de 1950. “Como Água para Chocolate” é o seu maior sucesso. O livro foi adaptado ao cinema em 1992, conseguindo ser nomeado para o Óscar na categoria de melhor filme estrangeiro.
             Pedro dirige-se a casa da Mamã Elena para pedir a mão em casamento de Tita de La Garza. Só que Tita é a filha mais nova e segundo uma tradição mexicana as filhas mais novas não se podem casar nem ter filhos, ("Sabes muito bem que por seres a mais nova das mulheres cabe-te a ti cuidares de mim até ao dia da minha morte"), Mamã Elena recusa de imediato a oferta, mas diz que Rosaura, a filha mais velha, já está na idade de se casar, e caso Pedro queira, concede-lhe a sua mão em casamento. Estranhamente Pedro aceita, mas apenas para um fim, estar mais próximo de Tita.(Então vais-te casar sem sentir amor? Não, papá, caso-me sentindo um imenso e imorredoiro amor por Tita.) Tita encontra na cozinha um refúgio para o seu caso, mas os seus cozinhados tem poderes especiais, muito especiais.
            Um bolo que faz toda a gente chorar; uma mulher que nunca teve filhos e que estranhamente tem leite nas mamas; uma mãe que após morrer, reaparece muitas vezes; uma mulher que estando grávida, estranhamente deixa de estar; e muitos cozinhados com poderes especial transformam este livro numa enorme fonte de prazer para quem o lê. 
            Com uma escrita bastante apelativa e fácil de ler, esta obra não é apenas uma história bem contada pois tem várias passagens em que se questiona as mais diversas coisas. O ponto de vista da história é-nos sempre dado da aldeia onde vive toda a família de Tita, também é utilizado o realismo mágico como estilo de escrita, nestes aspectos a comparação com Cem anos de Solidão parece evidente, no entanto, esta obra, sendo um bom livro, está longe da profundidade do livro de Márquez.
            Boa leitura…

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Stéphane Hessel em Indignai-vos

Os responsáveis políticos, económicos, intelectuais e a sociedade em geral não podem desistir, nem deixar-se impressionar pela actual ditadura internacional dos mercados financeiros que ameaça a paz e a democracia.

Sugestão de leitura de Indignai-vos:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/05/stephane-hessel-indignai-vos.html

domingo, 18 de setembro de 2011

Eça de Queiroz em a Cidade a as Serras

Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a Cidade a maior ilusão!
(...) Certamente, meu Príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria.

Sugestão de leitura sobre A Cidade e as Serras:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/09/no-passado-dia-16-de-agosto-fez-cento-e.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Medina Carreira - O Fim da Ilusão

Actualmente com 80 anos, Medina Carreira é conhecido há vários anos por ser um crítico relativamente a caminho que o país seguiu. Chegou a ser apelidado de “profeta da desgraça”, ou de “Velho do Restelo”. O seu mais recente livro, além de uma análise sobre a actual situação económica e social, reúne os textos por si publicados desde 2001, que anteviam o actual cenário económico e social.
 “A situação é duríssima, e, doravante, só os tolos se deixaram enganar” segundo o antigo ministro das finanças, “chegou-se, assim, à beira da bancarrota, mais de um século depois da ultimo que conhecemos”. Para o autor, Portugal não tem apenas uma crise económica, também tem uma crise politica, pois "o sistema mostrou-se inapto para vencer as dificuldades”. Chega mesmo a afirmar que os actuais partidos “propiciam o aparecimento na cena politica de homens de segundo plano”. Bem ao seu estilo, sempre com frontalidade, falamos da actual situação na educação onde segundo este, faz-se “crer na possibilidade de aprender em poucos meses aquilo que só se pode aprender em alguns anos”.
            Na última crónica do seu livro, Medina Carreira deixa um aviso: “Sem resposta eficaz para o presente afundamento económico, a actual democracia mergulhará o nosso país numa confusão financeira e social, de efeitos dificilmente previsíveis, e acabará por ser substituída. Provavelmente, entre 2015 e 2020.” Por tudo isto, torna-se imperativo que o actual governo não falhe mais uma vez como aconteceu com os que o antecederam.
Boa leitura…

terça-feira, 13 de setembro de 2011

José Saramago em A Viagem do Elefante

O mesmo céptico, se aqui estivesse, não teria outro remédio que depor por um instante o seu cepticismo e reconhecer, Bonito gesto, este carnaca é realmente um bom homem, não há dúvida de que as melhores lições nos vêm sempre de gente simples.

Outras citações de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/jose-saramago-cadernos-de-lanzarote.html

Sugestões de leitura de livros de Saramago:
A Viagem do Elefante:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2009/01/aviagem-do-elefante-jose-saramago.html
O Evangelho Segundo Jesus Cristo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/06/o-evangelho-segundo-jesus-cristo-jose.html

domingo, 4 de setembro de 2011

O Planalto e a Estepe - Pepetela

“O Planalto e a Estepe” é o mais recente trabalho de Pepetela. Natural de Angola, Pepetela é licenciado em Sociologia e é docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto. Em 1997 tornou-se o mais jovem autor a receber o Premio Camões.
Baseado em acontecimentos reais, ficcionado pelo autor, o livro conta a história de Júlio Pereira desde os anos 60 até aos nossos dias. Júlio nasceu em Angola, num Planalto. Cedo apercebe-se que existe racismo em Angola, pois na sua aldeia, discriminam os seus amigos por estes serem negros. Ainda bastante jovem deseja a libertação do seu povo da opressão do colonialismo. Depois de acabar o liceu, parte para Portugal para estudar em Coimbra, o regime salazarista obriga-o a ir lutar contra os revoltosos em Angola, como iria combater pelo lado contrário ao seu coração vai para Argel e mais tarde para Moscovo com o intuito de formar-se para depois ajudar na independência de Angola. Em Moscovo conhece Sarangel, uma jovem rapariga mongol, natural da estepe, filha de um ministro da defesa Mongol, que ao saber da notícia do namoro da sua filha com um jovem africano decide separá-los. Ao longo da sua vida Júlio apercebe-se que, infelizmente, existe discriminação entre todos os grupos sociais.
A partir do momento da separação, Júlio irá lutar apenas por duas coisas: por reencontrar Sarangel e por um futuro diferente para Angola.
Este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras.
Boa leitura…

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Leite derramado de Chico Buarque

"E simbolicamente fiz gravar seu nome no jazigo que minha mãe mandara erigir para meu pai, conforme projeto de um escultor funerário genovês. Ali mamãe também seria sepultada, assim como o meu bisneto, e eu mesmo tinha uma gaveta reservada para quando Deus me chamasse. Mas da última vez que foi ao cemitério São João Batista, no lugar do jazigo dos Assumpção encontrei um monstrengo de mármore lilás, habitado por um defunto com nome de turco.Foi crueldade da minha filha, se ela vendesse o nosso apartamento em vez da sepultura, eu me acharia menos desalojado."

Sugestão de leitura de leite derramado de Chico Buarque:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/11/leite-derramado-chico-buarque.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa sobre o que vai acontecer à Libia

Sobre o que vai acontecer na Libia:

"Um regímen revolucionário, enquanto existe, e seja qual for o fim a que visa ou a ideia que o conduz, é materialmente só uma coisa – um regímen revolucionário. Ora um regímen revolucionário quer dizer uma ditadura de guerra, ou, nas verdadeiras palavras, um regímen militar despótico, porque o estado de guerra é imposto à sociedade por uma parte dela – aquela parte que assumiu revolucionariamente o poder. O que é que resulta? Resulta que quem se adaptar a esse regímen, como a única coisa que ele é materialmente, imediatamente, é um regímen militar despótico, adapta-se a um regímen militar despótico. A ideia, que conduziu os revolucionários, o fim, a que visaram, desapareceu por completo da realidade social, que é ocupada exclusivamente por fenómenos guerreiros. De modo que o que sai duma ditadura revolucionária – e tanto mais completamente, sairá, quanto mais tempo essa ditadura durar – é uma sociedade guerreira de tipo ditatorial, isto é, um despotismo militar. Nem mesmo podia ser outra coisa. E foi sempre assim."


domingo, 21 de agosto de 2011

Ilha Teresa - Richard Zimler

            Há vinte e um anos a viver na cidade do Porto, Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heigts, Nova Iorque. Actualmente lecciona Jornalismo na Universidade do Porto. Em 2002 obteve a nacionalidade portuguesa. Publicado em 2009, “Os Anagramas de Varsóvia” foi considerado pelo jornal Público um dos vinte melhores livros da década.
            Teresa é uma adolescente que vai viver para a América. Longe do seu país, demora algum tempo a aprender a dominar a língua inglesa. O seu pai morre pouco tempo depois de chegarem aos Estados Unidos. Tem uma relação bastante complicada com a mãe, que atraída pela sociedade de consumo torna-se bastante consumista e negligente. Pedro, o irmão mais novo, e Angel, um brasileiro de dezasseis anos, são os seus únicos amigos. Teresa vê-se assim “rodeada de água” vivendo na sua pequena ilha sentimental. (“Vamos lá a ver as coisas como elas são: ter quinze anos num país estrangeiro e não ter lado nenhum para onde fugir significa estar naufragada na nossa própria ilha deserta, a milhares de milhas de qualquer sítio onde pudéssemos estar.”). Teresa não consegue fazer novas amizades, na escola vê o seu amigo Angel ser descriminado por ser gay, o seu estado depressivo leva-a a consumir bastante vodka. Pensa em suicidar-se, mas Pedro antecipa-se a si. Enquanto o irmão melhora no hospital, Mickey, amigo do seu pai, revela-lhe o seu segredo: “ de um dia para o outro vi-me na casa pia”…”tinha nove anos quando aquilo começou”…”vendiam-me a homens fora do orfanato por uma noite de cada vez”.
            A revelação que Mickey faz, transforma completamente esta obra e dá-lhe um outro sentido, pois também aqueles adolescentes da Casa Pia viveram ou vivem numa “Ilha Teresa”
            Boa leitura…

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Albert Camus - O Estrangeiro

Camus foi um dos homens “que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”. “O Estrangeiro” é apontado por muitos como um dos maiores marcos literários do século XX. Em 1957, quinze anos após a publicação do livro, a Academia Sueca distinguia-o com o Premio Nobel da Literatura, na altura o Argelino tinha apenas quarenta e quatro anos.
 “Meus senhores, um dia depois da morte da sua mãe, este homem tomava banhos no mar, iniciava relações com uma amante e ia rir a gargalhada num filme cómico” mas não fica por aqui o absurdo ou a falta dele desta personagem, pois antes da morte da sua mãe, também não ia visita-la ao lar, pois ocupava-lhe o Domingo. Quem ficou aborrecido com a morte da mãe foi o seu patrão, não por uma razão sentimental, mas porque lhe tinha que dar dois dias. Aceita casar com Maria, mas respondeu “que tanto lhe fazia”, acaba por não casar, pois matou um árabe e por não ser casado com ela, os guardas não queriam que Maria o visse na prisão. No julgamento, que tem uma forte divulgação, pois os jornalistas tiveram que aproveitar a história pois não havia melhor, o que acaba por chocar mais o juiz é o facto de não acreditar em deus. A sentença, essa poderia ser diferente, se fosse dada a outra hora do dia, mas foi dada às cinco da tarde.
Um livro intrigante que além da personagem principal ter um comportamento absurdo, temos a certeza de que a sua principal característica é a lucidez implacável.
Boa leitura…

domingo, 14 de agosto de 2011

O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua - Manuel Alegre

"Mas ainda falta acrescentar que o miúdo que tocava piano sobre a mesa viu Miguel Torga no hospital segurando o caderno e a caneta como quem, no campo de batalha, ferido de morte, não larga as suas armas. Eram já poucas as forças, mas a mão mantinha-se firme na caneta e no caderno."

Sugestão de leitura sobre O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/07/manuel-alegre-o-miudo-que-pregava.html

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Álbum de Familia - Penelope Lively

"Quando um desastre surge, por todo o mundo, são as crianças que estão na linha da frente, que guarnecem a história, que a câmara filma, que permanecerão depois na cabeça de Gina - caladas, de olhos arregalados e pernas magras e barriga inchadas, ulceradas, deformadas, com um toco em lugar da mão ou da perna. Ele confronta estas crianças porque é a sua função, é por elas que ela lá está, o mundo tem de saber da existência delas. Ela envia-as para milhões de casas confortáveis, para lançar o mal-estar."

Sugestão de leitura sobre Álbum de Familia de Penelope Lively:

domingo, 7 de agosto de 2011

Gonçalo M. Tavares - Aprender a Rezar na Era da Técnica

Quando se olha para o currículo de Gonçalo M. Tavares não parece que estamos perante um escritor que conta apenas com quarenta primaveras. Já venceu o Prémio LER/Millennium bcp assim como o Prémio José Saramago. Em terras de Vera Cruz conquistou o Premio PT e este ano, venceu com Aprender a Rezar na Era da Técnica nada mais nada menos que o Prémio Médicis (prémio para melhor livro estrangeiro publicado em França). É apontado como um dos mais fortes candidatos entre os autores de língua portuguesa a conquistar o Nobel da Literatura.
Dividido em três partes; Força, Doença e Morte, a história conta a vida de Lenz Buchumann. Ele é um médico prestigiadíssimo e os seus pacientes nutrem por ele uma grande admiração contudo fora do consultório era uma pessoa bastante diferente, (“ O prazer que sentia em humilhar prostitutas, mulheres fracas ou adolescentes, pedintes que lhe batiam à porta ou a própria mulher, não podia ser mais antagónico com a aura que alguns familiares de doentes por si operados e salvos lhe colocavam em volta”). Após a morte do seu irmão, por quem não sentia grande simpatia, decide entrar no partido, ao entrar para a política entra para o “mundo dos grandes acontecimentos e das grandes doenças”, dois messe depois descobre que “já era conhecido por mais pessoas do que antes fora em mais de quinze anos na função de médico”. Aos poucos, torna-se num dos homens mais importantes da cidade, chegando a exercer a função de vice-presidente do partido. Só que uma grave doença acaba com todos os seus projectos.
Desde os tempos remotos da infância onde o pai o obrigava a ir para a cama com uma empregada, até ao tempo em que era medico e que para dar comida a um pedinte o obrigava a ver a fazer sexo com a sua mulher, aos tempos do partido onde via o mundo de um ponto de vista mais alto, chegando mesmo a executar atentados para poder ganhar eleições, ou até ao tempo da sua decadência em que não tinha nenhum poder de decisão, somos sempre confrontados com outras histórias que são tão ou mais importantes que a principal. Quanto a mim este é um livro que no que diz respeito à qualidade está ao nível do Memorial do Convento de Saramago.
            Boa Leitura…

terça-feira, 2 de agosto de 2011

José Saramago - Cadernos de Lanzarote

"Não foram poucas as vezes, no tempo da adolescência, que ocupei um envergonhado lugar na fila de aspirante à sopa e ao quato de pão que se serviam naquele atarracado e soturno edifício fronteiro à igreja dos Anjos."

Sugestões sobre livros de Saramago:
O Evangelho Segundo Jesus Cristo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/06/o-evangelho-segundo-jesus-cristo-jose.html
A Viagem do Elefante:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2009/01/aviagem-do-elefante-jose-saramago.html

sábado, 30 de julho de 2011

Fernando Pessoa - O Banquiro Anarquista


"Argumentei e argumentei, e , em resposta aos meus argumentos, não obtive senão frases, lixo, coisas como essas que os ministros respondem nas câmaras quando não têm resposta nenhuma..."

Sugestão sobre O Banqueiro Anarquista:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/12/o-banqueiro-anarquista-fernando-pessoa.html

domingo, 24 de julho de 2011

Jorge Amado - Capitães da Areia

Jorge Amado nasceu em Itabuna, uma cidade da Bahia, a 10 de Agosto de 1912. Foi também em Agosto, a dia 6 do ano 2001, que o mundo veria morrer um dos escritores brasileiros mais aclamados, tanto pelos críticos como pelos leitores. Formou-se em Direito, contudo, nunca exerceu a profissão, em contrapartida, no ano da sua licenciatura, em 1935, já era um escritor conhecido em todo o Brasil. Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Camões.
Publicado em 1937, Capitães da Areia conta com mais de 5 milhões de livros vendidos em todo o mundo. Teve a sua primeira edição apreendida e depois queimada na praça pública, devido ao intenso envolvimento político do autor, que já na altura era comunista.
Pedro Bala, um adolescente, é o líder de um grupo, que chegou a contar com mais de 100 crianças, o seu “quartel” é um velho trapiche situado na praia de Salvador da Bahia. Todas essas crianças estavam abandonadas nas ruas e encontraram nos capitães da areia um sítio onde lhe dão carinho, compreensão, amor e comida. Temidos pelos ricos, marginalizados pela igreja, o grupo assalta casas de gente abastada, burla e rouba nas ruas da Bahia, mas, cada vez que alguma criança desamparada, sem pai nem mãe, vem ter ao trapiche acolhem-no como um dos seus. As preocupações sociais estão bem explicitas ao longo do livro. Amado transforma estes jovens em heróis ao estilo de Robin Hood.
Um livro actual, apaixonante, que nos faz olhar para a criminalidade juvenil de uma maneira diferente.
Boa leitura…

domingo, 3 de julho de 2011

Dan Brown - O Símbolo Perdido

Aos quarenta e seis anos, Dan Brown, é actualmente um dos escritores mais conhecidos no mundo. No dia em que foi posto à venda, “O Símbolo Perdido” vendeu mais de um milhão de exemplares, actualmente conta com mais de seis milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Depois do Vaticano e de mistérios envolvendo a Igreja, Washington é agora o cenário para o novo livro e os segredos maçónicos o tema do novo romance.
Robert Langdon é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio, quando chega à sala onde iria dar a palestra, esta está vazia, depois de fazer um telefonema apercebe-se que foi levado para aquele edifício com outros objectivos, ao entrar na Rotunda do Capitólio Langdon deparasse com uma mão “posicionada com o dedo indicador e o polegar a apontarem para o tecto”, ao se aproximar vê que “as pontas do indicador e do polegar tinham sido decoradas com minúsculas tatuagens”, o prestigiado simbologista não teve duvidas, tratava-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos, para seu espanto o quarto dedo tinha um anel de ouro maçónico que Longdon tão bem conhecia, aquela mão no meio da rotunda do Capitólio era a mão do seu amigo Peter Salomam, filantropo e Soberano Grande Comendador da Maçonaria. Para salvar o seu amigo, Robert terá de desvendar um segredo escondido à centenas de anos pelos maçons.
George Washington, o F.B.I. a maçonaria, câmaras ocultas, túneis, templos, símbolos secretos e códigos enigmáticos fazem da última obra de Dan Brown um livro misterioso e que nos surpreende a cada página.
Boa leitura…

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O Evangelho Segundo Jesus Cristo - José Saramago

                No próximo dia 18 de Junho fará um ano que José Saramago nos deixou. Publicado em 1991, O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi o seu livro mais polémico. O livro era candidato a melhor romance europeu do ano quando, o governo de então, liderado por Cavaco Silva, decidiu censurar a participação da obra nessa distinção. Em virtude disso, Saramago foi viver para a ilha espanhola de Lanzarote com a sua esposa Pilar del Rio. Não ganhou esse galardão, mas em 1998 tornou-se o único autor de língua portuguesa a vencer o Premio Nobel da Literatura, o mais importante prémio literário mundial.
                A figura central deste romance é Jesus, filho de José e de Maria. Jesus vive maritalmente com Maria de Magdala que antes de o conhecer era prostituta. São muitos os temas abordados ao longo do livro. É através de Jesus que ficamos a saber, por exemplo, que Deus tem pouco ou nenhum respeito pelas mulheres; ou que adora que em sua devoção lhe sacrifiquem animais vivos, mas só se estes não tiverem qualquer espécie de deficiências; em diálogo com Jesus, Deus revela que para ambos se tornarem famosos terão que existir muitas guerras, assim como as Cruzadas e a Inquisição, onde milhares de pessoas serão mortas, outras torturadas, outras ainda mutiladas (“quanto de morte e de sofrimento vai custar a tua vitoria sobre os outros deuses, com quanto de sofrimento e de morte se pagarão as lutas que, em teu nome e no meu, os homens que em nós vão crer travarão uns contra os outros”). No fim do livro Jesus afirma, referindo-se a Deus: “Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez.”
                Este é um livro para ser lido tanto por crentes como por ateus porque como o autor afirma: “ Tudo quanto interessa a Deus, interessa ao Diabo.”
                Boa leitura…

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A Questão Finkler - Howard Jacobson

Aos 68 anos, Howard Jacobson viu o seu romance “A Questão Finkler” ser premiado com o Man Booker Prize de 2010, um dos mais importantes prémios literários mundiais. Já foi professor na Universidade de Sidney. De origem judaica, vive actualmente em Inglaterra.
 A história desenrola-se em torno de três amigos: Julian Treslove, Libor Sevcik e Sam Finkler. Libor é um judeu e antiga estrela de Hollywood, mantinha uma relação extremamente afectuosa com Malkie, sua mulher, cuja morte o deixou profundamente abalado. Finkler também é judeu, é um autor consagrado de livros de auto-ajuda, casado, vê a sua mulher converter-se ao judaísmo, mas Finkler é um judeu que condena os ataques de Israel à Palestina, recentemente tornou-se no líder dos Judeus Envergonhados. Treslove já foi professor, mas não conseguiu manter-se nessa profissão durante muito tempo, já teve várias mulheres, mas acabam sempre por o abandonar, tem dois filhos, mas mal os conhece, até ao falecimento da mulher de Finkler, mantinha uma relação estritamente sexual com esta. Translove mantém uma obsessão na sua vida: converte-se ao judaísmo.
                É através destas três personagens que ficamos a saber os costumes religiosos dos judeus, ou como ainda hoje são um povo perseguido. Também nos informa das atrocidades praticadas na Palestina. Fala-nos do holocausto e de como os europeus obrigaram os judeus a formar o estado de Israel. Com uma lucidez invejável, sem fanatismos religiosos ou políticos e sempre dando o ponto visto dos vários lados, Howard Jacobson faz uma profunda reflexão sobre as causas judaicas tanto passadas como futuras. A Questão Finkler bem se podia chamar As Questões do Judaísmo.
                Boa leitura…

terça-feira, 17 de maio de 2011

O Anjo Branco - José Rodrigues dos Santos

Ao longo da sua carreira, José Rodrigues dos Santos, já vendeu mais de um milhão de livros. É, além de escritor, jornalista na RTP. Também lecciona jornalismo na Universidade Nova de Lisboa. Como repórter de guerra foi três vezes premiados pela CNN e duas pelo Clube Português de Imprensa. “ O Anjo Branco” é o seu mais recente livro.
Lisboa organizava uma das maiores exposições mundiais; as tropas de Hitler invadiam vários países europeus e milhares de refugiados, sobretudo judeus, esperavam na nossa capital por um barco que os levasse até a América; no país é decretado o racionamento de comida. É neste difícil ambiente que José Branco passa a sua juventude.
Durante os anos 60, Branco parte para Moçambique para exercer a sua profissão de médico. Em Lourenço Marques, Ronco, um amigo seu, é mal tratado por um superior hierárquico só pelo facto de ser negro, por defende-lo, José vê-se obrigado a partir para Tete. Localizado no interior de Moçambique, Tete é um dos locais onde a guerra está mais activa. José Branco adapta-se bastante bem a cidade e cria o Serviço Médico Aéreo de forma a levar os cuidados de saúde ao maior número de pessoas possíveis, José transforma-se num “Anjo Branco” pois presta serviço médico a todos, independentemente da sua raça, crença religiosa, ou nacionalidade. Até que um dia numa missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar, o massacre de Wiriyamu. “Nos filmes e nos livros os bons nunca eliminam mulheres nem crianças e só matam os maus em última instância. O mundo real não é assim.”
Um romance histórico, mas que pode-nos ensinar bastante para o nosso futuro.
Boa Leitura…

terça-feira, 3 de maio de 2011

Stéphane Hessel - Indignai-vos

Stéphane Hessel foi um dos heróis da Resistência Francesa. Durante a Segunda Guerra Mundial evadiu-se de um campo de concentração nazi, mais tarde, já como diplomata francês, foi um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Aos 93 anos decidiu escrever um livro polémico, onde alerta que a Europa avança na direcção de um enorme precipício. A edição portuguesa de “Indignai-vos” tem o prefácio de Mário Soares.
Stéphane Hessel dá como razão para indignar-nos o crescente fosso entre os muito pobres e os muito ricos; o estado do planeta; o desrespeito pelos emigrantes e pelos direitos humanos; a falsa liberdade de imprensa pois “os media estão nas mãos dos poderosos”; o fim de muitos direitos sociais conquistados depois da queda do nazismo, como o direito à saúde, ou o direito às reformas; e questiona: “Mas como é possível que actualmente (os estados) não tenham verbas para manter e prolongar estas conquistas quando a produção de riquezas aumentou consideravelmente desde a Libertação (do nazismo), quando a Europa estava arruinada?” Para Hessel vivemos actualmente “numa ditadura internacional dos mercados financeiros” em que os cidadãos não sabem quem comanda ou quem decide.
 “Infelizmente, a História dá poucos exemplos de povos que retiram lições da sua própria história” e é esse o medo do autor, que a Europa possa vir a passar pelo mesmo que já passou, para isso não acontecer cabe a cada cidadão indignar-se, obrigando os políticos a mudarem as suas actuais politicas, mas essa indignação deve sempre seguir o caminho da não-violência pois, segundo o autor, só aí reside a esperança.
Boa Leitura…

domingo, 17 de abril de 2011

Aravind Adiga - O Tigre Branco

O “Tigre Branco” marca a estreia de Aravind Adiga no mundo da literatura. Com este livro, Adiga, conquistou um dos mais prestigiados prémios literários, o Man Booker Prize 2008. O livro é narrado na primeira pessoa e tem como receptor o primeiro-ministro chinês.
Balram Halwai nasceu em Laxmangarh uma aldeia pobre da Índia, mas, este jovem não é como os outros, é uma “criatura que só aparece uma vez em cada geração”: Balram é um Tigre Branco.
Condutor de riquexó, o seu pai cedo revela-lhe um segredo, “toda a minha vida fui tratado como um macaco. O meu único desejo é que um filho meu…pelo menos um…viva como um homem”. Balram vê-se obrigado a deixar a escola e ir trabalhar para uma casa de chá quando ainda era bastante jovem. Mais tarde, parte para Nova Deli, onde consegue um emprego como motorista. Após ter cometido um grave crime, parte para Bangalore e torna-se num grande empresário da Índia. Ao longo da sua vida o Tigre Branco consegue sair da “escuridão” e passar para a “claridade”.
A obra mostra-nos o outro lado da Índia, um país em que os pobres não têm cuidados médicos, em que milhares de pessoas sonham ter algo para comer. Fala-nos da falsa democracia daquele país. O autor não vê grande diferença entre a Índia democrática e a China comunista. Adiga mostra-nos o lado “escuro” e pouco divulgado do gigante asiático.
“As pessoas livres não reconhecem o valor da liberdade”, afirma o autor. Ler o “Tigre Branco” é sem dúvida aproveitar essa liberdade.
Boa leitura…

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O Senhor Eliot e as Conferências - Gonçalo M. Tavares

Aos quarenta anos, Gonçalo M. Tavares, já foi galardoado com vários prémios literários. Em terras lusas, conquistou, entre outros, o Prémio LER/Millennium bcp e o Prémio José Saramago. No Brasil venceu o Prémio PT, mas foi em França que o escritor venceu o prémio mais importante da sua carreira, o Prémio Médicis de 2010 (prémio para melhor livro estrangeiro publicado em França) com o romance “Aprender a Rezar na Era da Técnica”. José Saramago afirmou em 2009 que Gonçalo M. Tavares seria um dia Prémio Nobel da Literatura.
“O Senhor Eliot e as Conferencias” é o décimo livro que fala de um bairro inventado pelo escritor. Eliot é um novo habitante do bairro. Terá como missão dar sete conferências em que analisará sete versos e fará a interpretação dos mesmos. “ No fundo, a explicação deste verso, como qualquer outra, tem um objectivo: conseguir levar a clareza aos homens e às mulheres do mundo que sejam colocados diante do verso” e é dessa clareza que o autor faz as suas reflexões: “ numa cidade divertida um cego nunca saberia as horas exactas”; “ o leitor diria: este verso é absurdo; e o escritor diria: este leitor é imbecil”; “há uma clareza exigida ao verso, mas também se exige uma certa obscuridade.”
            As sete conferências de Eliot têm em comum não terem muita gente a assistir, além disso, começaram sempre depois da hora combinada e têm apenas um espectador atentíssimo, o senhor Swedenborg. O autor afirma “metade da perfeição não é metade da perfeição: é metade de um erro.” O Senhor Eliot e as Conferências é sem dúvida um livro perfeito.
            Boa Leitura…

terça-feira, 15 de março de 2011

Crónicas de uma Morte Anunciada - Gabriel García Márquez


“Pelos seus romances e contos, nos quais o fantástico e o real estão combinados em um mundo de imaginação ricamente composto, reflectindo a vida e os conflitos de um continente.”Foram estas as palavras, que em 1984, a Academia Nobel referiu para justificar a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Gabriel García Márquez. Um ano antes, o autor publicava “Crónicas de Uma Morte Anunciada”. Márquez completou 84 anos no passado dia 6 de Março.
“No dia em que iam mata-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5.30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.” É com estas palavras que o autor começa as “Crónicas de uma Morte Anunciada”, também, logo no final do primeiro capítulo, o autor revela que “Já o mataram.” Somos assim levados a ler o romance não para saber se a personagem ira morrer, mas sim para saber onde o mataram, porque o mataram e como o mataram. A história decorre numa pequena aldeia colombiana cuja única ligação com o exterior é um rio, aí decorre a festa de casamento entre Bayardo San Román, um homem recém-chegado há aldeia e bastante rico, com Angela Vicario. Mas na noite de núpcias, Bayardo descobre que a sua amada não é virgem.
Uma noiva, que por não ser virgem volta para casa dos país; dois irmãos dispostos a matarem quem tirou a virgindade da irmã, para restabelecer a honra da família; uma população inteira que sabendo das intenções do assassinato nada faz para evitar um crime anunciado; juntamente com o Realismo Mágico que Garcia Marquez escreve como ninguém, transforma este livro numa obra imperdível.
Boa leitura…

sexta-feira, 4 de março de 2011

No Teu Deserto - Miguel Sousa Tavares

Miguel Sousa Tavares é um “homem da televisão” e por isso, é um dos escritores mais conhecidos em Portugal. Além de escritor, é actualmente um consagrado comentador televisivo. O seu trabalho no mundo da literatura não é só reconhecido em terras Lusitanas, também é aclamado, tanto pela crítica como pelo público em diversos países. O seu maior sucesso foi “Equador” obra recentemente adaptada ao pequeno ecrã e actualmente traduzida em doze línguas. O seu mais recente trabalho é “No teu Deserto”.
 “Parti com ela para o deserto por simples acaso, porque sobrava um lugar vazio no meu jipe e ela era amiga de uma amiga minha. Não a conhecia de lado nenhum.” Em Novembro de 1987, saíram da mítica Torre de Belém para uma viagem de 40 dias no deserto. Todavia, logo na primeira frase da obra, o autor revela que no fim Cláudia morre “sem aviso, sem razão, a benefício apenas da história que se quis contar” e é ao saber da morte de Cláudia, já no final do livro, que o autor declara o absurdo da vida, o absurdo que o fez partir com uma pessoa que não conhecia para aquela inesquecível viagem, o absurdo que o fez estar, depois daquela viagem, muitos anos sem ver Cláudia, ou o absurdo que o levou a saber da morte da sua amiga bastante tempo depois de esta falecer.
Ao longo do livro, por vezes, chegamos a julgar que estamos a ler um livro de viagens, outras, um romance, mas, nesta obra em que a influência de Albert Camus é bem visível, o autor prefere designá-la como “quase romance”. Uma historia real, em que o autor presta homenagem a uma amiga.
Boa leitura…