O mesmo céptico, se aqui estivesse, não teria outro remédio que depor por um instante o seu cepticismo e reconhecer, Bonito gesto, este carnaca é realmente um bom homem, não há dúvida de que as melhores lições nos vêm sempre de gente simples.
Outras citações de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/jose-saramago-cadernos-de-lanzarote.html
Sugestões de leitura de livros de Saramago:
A Viagem do Elefante:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2009/01/aviagem-do-elefante-jose-saramago.html
O Evangelho Segundo Jesus Cristo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/06/o-evangelho-segundo-jesus-cristo-jose.html
terça-feira, 13 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
O Planalto e a Estepe - Pepetela
“O Planalto e a Estepe” é o mais recente trabalho de Pepetela. Natural de Angola, Pepetela é licenciado em Sociologia e é docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto. Em 1997 tornou-se o mais jovem autor a receber o Premio Camões.
Baseado em acontecimentos reais, ficcionado pelo autor, o livro conta a história de Júlio Pereira desde os anos 60 até aos nossos dias. Júlio nasceu em Angola, num Planalto. Cedo apercebe-se que existe racismo em Angola, pois na sua aldeia, discriminam os seus amigos por estes serem negros. Ainda bastante jovem deseja a libertação do seu povo da opressão do colonialismo. Depois de acabar o liceu, parte para Portugal para estudar em Coimbra, o regime salazarista obriga-o a ir lutar contra os revoltosos em Angola, como iria combater pelo lado contrário ao seu coração vai para Argel e mais tarde para Moscovo com o intuito de formar-se para depois ajudar na independência de Angola. Em Moscovo conhece Sarangel, uma jovem rapariga mongol, natural da estepe, filha de um ministro da defesa Mongol, que ao saber da notícia do namoro da sua filha com um jovem africano decide separá-los. Ao longo da sua vida Júlio apercebe-se que, infelizmente, existe discriminação entre todos os grupos sociais.
A partir do momento da separação, Júlio irá lutar apenas por duas coisas: por reencontrar Sarangel e por um futuro diferente para Angola.
Este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras.
Boa leitura…
terça-feira, 30 de agosto de 2011
Leite derramado de Chico Buarque
"E simbolicamente fiz gravar seu nome no jazigo que minha mãe mandara erigir para meu pai, conforme projeto de um escultor funerário genovês. Ali mamãe também seria sepultada, assim como o meu bisneto, e eu mesmo tinha uma gaveta reservada para quando Deus me chamasse. Mas da última vez que foi ao cemitério São João Batista, no lugar do jazigo dos Assumpção encontrei um monstrengo de mármore lilás, habitado por um defunto com nome de turco.Foi crueldade da minha filha, se ela vendesse o nosso apartamento em vez da sepultura, eu me acharia menos desalojado."
Sugestão de leitura de leite derramado de Chico Buarque:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/11/leite-derramado-chico-buarque.html
Sugestão de leitura de leite derramado de Chico Buarque:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/11/leite-derramado-chico-buarque.html
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa sobre o que vai acontecer à Libia
Sobre o que vai acontecer na Libia:
"Um regímen revolucionário, enquanto existe, e seja qual for o fim a que visa ou a ideia que o conduz, é materialmente só uma coisa – um regímen revolucionário. Ora um regímen revolucionário quer dizer uma ditadura de guerra, ou, nas verdadeiras palavras, um regímen militar despótico, porque o estado de guerra é imposto à sociedade por uma parte dela – aquela parte que assumiu revolucionariamente o poder. O que é que resulta? Resulta que quem se adaptar a esse regímen, como a única coisa que ele é materialmente, imediatamente, é um regímen militar despótico, adapta-se a um regímen militar despótico. A ideia, que conduziu os revolucionários, o fim, a que visaram, desapareceu por completo da realidade social, que é ocupada exclusivamente por fenómenos guerreiros. De modo que o que sai duma ditadura revolucionária – e tanto mais completamente, sairá, quanto mais tempo essa ditadura durar – é uma sociedade guerreira de tipo ditatorial, isto é, um despotismo militar. Nem mesmo podia ser outra coisa. E foi sempre assim."http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/12/o-banqueiro-anarquista-fernando-pessoa.html
domingo, 21 de agosto de 2011
Ilha Teresa - Richard Zimler
Há vinte e um anos a viver na cidade do Porto, Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heigts, Nova Iorque. Actualmente lecciona Jornalismo na Universidade do Porto. Em 2002 obteve a nacionalidade portuguesa. Publicado em 2009, “Os Anagramas de Varsóvia” foi considerado pelo jornal Público um dos vinte melhores livros da década.
Teresa é uma adolescente que vai viver para a América. Longe do seu país, demora algum tempo a aprender a dominar a língua inglesa. O seu pai morre pouco tempo depois de chegarem aos Estados Unidos. Tem uma relação bastante complicada com a mãe, que atraída pela sociedade de consumo torna-se bastante consumista e negligente. Pedro, o irmão mais novo, e Angel, um brasileiro de dezasseis anos, são os seus únicos amigos. Teresa vê-se assim “rodeada de água” vivendo na sua pequena ilha sentimental. (“Vamos lá a ver as coisas como elas são: ter quinze anos num país estrangeiro e não ter lado nenhum para onde fugir significa estar naufragada na nossa própria ilha deserta, a milhares de milhas de qualquer sítio onde pudéssemos estar.”). Teresa não consegue fazer novas amizades, na escola vê o seu amigo Angel ser descriminado por ser gay, o seu estado depressivo leva-a a consumir bastante vodka. Pensa em suicidar-se, mas Pedro antecipa-se a si. Enquanto o irmão melhora no hospital, Mickey, amigo do seu pai, revela-lhe o seu segredo: “ de um dia para o outro vi-me na casa pia”…”tinha nove anos quando aquilo começou”…”vendiam-me a homens fora do orfanato por uma noite de cada vez”.
A revelação que Mickey faz, transforma completamente esta obra e dá-lhe um outro sentido, pois também aqueles adolescentes da Casa Pia viveram ou vivem numa “Ilha Teresa”
Boa leitura…
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Albert Camus - O Estrangeiro
Camus foi um dos homens “que por obras valorosas se vão da lei da morte libertando”. “O Estrangeiro” é apontado por muitos como um dos maiores marcos literários do século XX. Em 1957, quinze anos após a publicação do livro, a Academia Sueca distinguia-o com o Premio Nobel da Literatura, na altura o Argelino tinha apenas quarenta e quatro anos.
“Meus senhores, um dia depois da morte da sua mãe, este homem tomava banhos no mar, iniciava relações com uma amante e ia rir a gargalhada num filme cómico” mas não fica por aqui o absurdo ou a falta dele desta personagem, pois antes da morte da sua mãe, também não ia visita-la ao lar, pois ocupava-lhe o Domingo. Quem ficou aborrecido com a morte da mãe foi o seu patrão, não por uma razão sentimental, mas porque lhe tinha que dar dois dias. Aceita casar com Maria, mas respondeu “que tanto lhe fazia”, acaba por não casar, pois matou um árabe e por não ser casado com ela, os guardas não queriam que Maria o visse na prisão. No julgamento, que tem uma forte divulgação, pois os jornalistas tiveram que aproveitar a história pois não havia melhor, o que acaba por chocar mais o juiz é o facto de não acreditar em deus. A sentença, essa poderia ser diferente, se fosse dada a outra hora do dia, mas foi dada às cinco da tarde.
Um livro intrigante que além da personagem principal ter um comportamento absurdo, temos a certeza de que a sua principal característica é a lucidez implacável.
Boa leitura…
domingo, 14 de agosto de 2011
O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua - Manuel Alegre
"Mas ainda falta acrescentar que o miúdo que tocava piano sobre a mesa viu Miguel Torga no hospital segurando o caderno e a caneta como quem, no campo de batalha, ferido de morte, não larga as suas armas. Eram já poucas as forças, mas a mão mantinha-se firme na caneta e no caderno."
Sugestão de leitura sobre O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/07/manuel-alegre-o-miudo-que-pregava.html
Sugestão de leitura sobre O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/07/manuel-alegre-o-miudo-que-pregava.html
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Álbum de Familia - Penelope Lively
"Quando um desastre surge, por todo o mundo, são as crianças que estão na linha da frente, que guarnecem a história, que a câmara filma, que permanecerão depois na cabeça de Gina - caladas, de olhos arregalados e pernas magras e barriga inchadas, ulceradas, deformadas, com um toco em lugar da mão ou da perna. Ele confronta estas crianças porque é a sua função, é por elas que ela lá está, o mundo tem de saber da existência delas. Ela envia-as para milhões de casas confortáveis, para lançar o mal-estar."
Sugestão de leitura sobre Álbum de Familia de Penelope Lively:
domingo, 7 de agosto de 2011
Gonçalo M. Tavares - Aprender a Rezar na Era da Técnica
Quando se olha para o currículo de Gonçalo M. Tavares não parece que estamos perante um escritor que conta apenas com quarenta primaveras. Já venceu o Prémio LER/Millennium bcp assim como o Prémio José Saramago. Em terras de Vera Cruz conquistou o Premio PT e este ano, venceu com Aprender a Rezar na Era da Técnica nada mais nada menos que o Prémio Médicis (prémio para melhor livro estrangeiro publicado em França). É apontado como um dos mais fortes candidatos entre os autores de língua portuguesa a conquistar o Nobel da Literatura.
Dividido em três partes; Força, Doença e Morte, a história conta a vida de Lenz Buchumann. Ele é um médico prestigiadíssimo e os seus pacientes nutrem por ele uma grande admiração contudo fora do consultório era uma pessoa bastante diferente, (“ O prazer que sentia em humilhar prostitutas, mulheres fracas ou adolescentes, pedintes que lhe batiam à porta ou a própria mulher, não podia ser mais antagónico com a aura que alguns familiares de doentes por si operados e salvos lhe colocavam em volta”). Após a morte do seu irmão, por quem não sentia grande simpatia, decide entrar no partido, ao entrar para a política entra para o “mundo dos grandes acontecimentos e das grandes doenças”, dois messe depois descobre que “já era conhecido por mais pessoas do que antes fora em mais de quinze anos na função de médico”. Aos poucos, torna-se num dos homens mais importantes da cidade, chegando a exercer a função de vice-presidente do partido. Só que uma grave doença acaba com todos os seus projectos.
Desde os tempos remotos da infância onde o pai o obrigava a ir para a cama com uma empregada, até ao tempo em que era medico e que para dar comida a um pedinte o obrigava a ver a fazer sexo com a sua mulher, aos tempos do partido onde via o mundo de um ponto de vista mais alto, chegando mesmo a executar atentados para poder ganhar eleições, ou até ao tempo da sua decadência em que não tinha nenhum poder de decisão, somos sempre confrontados com outras histórias que são tão ou mais importantes que a principal. Quanto a mim este é um livro que no que diz respeito à qualidade está ao nível do Memorial do Convento de Saramago.
Boa Leitura…
terça-feira, 2 de agosto de 2011
José Saramago - Cadernos de Lanzarote
"Não foram poucas as vezes, no tempo da adolescência, que ocupei um envergonhado lugar na fila de aspirante à sopa e ao quato de pão que se serviam naquele atarracado e soturno edifício fronteiro à igreja dos Anjos."
Sugestões sobre livros de Saramago:
O Evangelho Segundo Jesus Cristo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/06/o-evangelho-segundo-jesus-cristo-jose.html
A Viagem do Elefante:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2009/01/aviagem-do-elefante-jose-saramago.html
Sugestões sobre livros de Saramago:
O Evangelho Segundo Jesus Cristo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/06/o-evangelho-segundo-jesus-cristo-jose.html
A Viagem do Elefante:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2009/01/aviagem-do-elefante-jose-saramago.html
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
a máquina de fazer espanhóis - valter hugo mãe
o lar da feliz idade estava sempre de luto, como um lar de idosos foi feito para estar.
Sugestão de leitura de a maquina de fazer espanhóis:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/08/valter-hugo-mae-maquina-de-fazer.html
Sugestão de leitura de a maquina de fazer espanhóis:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/08/valter-hugo-mae-maquina-de-fazer.html
sábado, 30 de julho de 2011
Fernando Pessoa - O Banquiro Anarquista
"Argumentei e argumentei, e , em resposta aos meus argumentos, não obtive senão frases, lixo, coisas como essas que os ministros respondem nas câmaras quando não têm resposta nenhuma..."
Sugestão sobre O Banqueiro Anarquista:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/12/o-banqueiro-anarquista-fernando-pessoa.html
Sugestão sobre O Banqueiro Anarquista:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/12/o-banqueiro-anarquista-fernando-pessoa.html
domingo, 24 de julho de 2011
Jorge Amado - Capitães da Areia
Jorge Amado nasceu em Itabuna, uma cidade da Bahia, a 10 de Agosto de 1912. Foi também em Agosto, a dia 6 do ano 2001, que o mundo veria morrer um dos escritores brasileiros mais aclamados, tanto pelos críticos como pelos leitores. Formou-se em Direito, contudo, nunca exerceu a profissão, em contrapartida, no ano da sua licenciatura, em 1935, já era um escritor conhecido em todo o Brasil. Em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Camões.
Publicado em 1937, Capitães da Areia conta com mais de 5 milhões de livros vendidos em todo o mundo. Teve a sua primeira edição apreendida e depois queimada na praça pública, devido ao intenso envolvimento político do autor, que já na altura era comunista.
Pedro Bala, um adolescente, é o líder de um grupo, que chegou a contar com mais de 100 crianças, o seu “quartel” é um velho trapiche situado na praia de Salvador da Bahia. Todas essas crianças estavam abandonadas nas ruas e encontraram nos capitães da areia um sítio onde lhe dão carinho, compreensão, amor e comida. Temidos pelos ricos, marginalizados pela igreja, o grupo assalta casas de gente abastada, burla e rouba nas ruas da Bahia, mas, cada vez que alguma criança desamparada, sem pai nem mãe, vem ter ao trapiche acolhem-no como um dos seus. As preocupações sociais estão bem explicitas ao longo do livro. Amado transforma estes jovens em heróis ao estilo de Robin Hood.
Um livro actual, apaixonante, que nos faz olhar para a criminalidade juvenil de uma maneira diferente.
Boa leitura…
domingo, 3 de julho de 2011
Dan Brown - O Símbolo Perdido
Aos quarenta e seis anos, Dan Brown, é actualmente um dos escritores mais conhecidos no mundo. No dia em que foi posto à venda, “O Símbolo Perdido” vendeu mais de um milhão de exemplares, actualmente conta com mais de seis milhões de cópias vendidas em todo o mundo. Depois do Vaticano e de mistérios envolvendo a Igreja, Washington é agora o cenário para o novo livro e os segredos maçónicos o tema do novo romance.
Robert Langdon é convidado à última hora para dar uma palestra no Capitólio, quando chega à sala onde iria dar a palestra, esta está vazia, depois de fazer um telefonema apercebe-se que foi levado para aquele edifício com outros objectivos, ao entrar na Rotunda do Capitólio Langdon deparasse com uma mão “posicionada com o dedo indicador e o polegar a apontarem para o tecto”, ao se aproximar vê que “as pontas do indicador e do polegar tinham sido decoradas com minúsculas tatuagens”, o prestigiado simbologista não teve duvidas, tratava-se de um convite ancestral para um mundo perdido de saberes esotéricos e ocultos, para seu espanto o quarto dedo tinha um anel de ouro maçónico que Longdon tão bem conhecia, aquela mão no meio da rotunda do Capitólio era a mão do seu amigo Peter Salomam, filantropo e Soberano Grande Comendador da Maçonaria. Para salvar o seu amigo, Robert terá de desvendar um segredo escondido à centenas de anos pelos maçons.
George Washington, o F.B.I. a maçonaria, câmaras ocultas, túneis, templos, símbolos secretos e códigos enigmáticos fazem da última obra de Dan Brown um livro misterioso e que nos surpreende a cada página.
Boa leitura…
quarta-feira, 15 de junho de 2011
O Evangelho Segundo Jesus Cristo - José Saramago
No próximo dia 18 de Junho fará um ano que José Saramago nos deixou. Publicado em 1991, O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi o seu livro mais polémico. O livro era candidato a melhor romance europeu do ano quando, o governo de então, liderado por Cavaco Silva, decidiu censurar a participação da obra nessa distinção. Em virtude disso, Saramago foi viver para a ilha espanhola de Lanzarote com a sua esposa Pilar del Rio. Não ganhou esse galardão, mas em 1998 tornou-se o único autor de língua portuguesa a vencer o Premio Nobel da Literatura, o mais importante prémio literário mundial.
A figura central deste romance é Jesus, filho de José e de Maria. Jesus vive maritalmente com Maria de Magdala que antes de o conhecer era prostituta. São muitos os temas abordados ao longo do livro. É através de Jesus que ficamos a saber, por exemplo, que Deus tem pouco ou nenhum respeito pelas mulheres; ou que adora que em sua devoção lhe sacrifiquem animais vivos, mas só se estes não tiverem qualquer espécie de deficiências; em diálogo com Jesus, Deus revela que para ambos se tornarem famosos terão que existir muitas guerras, assim como as Cruzadas e a Inquisição, onde milhares de pessoas serão mortas, outras torturadas, outras ainda mutiladas (“quanto de morte e de sofrimento vai custar a tua vitoria sobre os outros deuses, com quanto de sofrimento e de morte se pagarão as lutas que, em teu nome e no meu, os homens que em nós vão crer travarão uns contra os outros”). No fim do livro Jesus afirma, referindo-se a Deus: “Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez.”
Este é um livro para ser lido tanto por crentes como por ateus porque como o autor afirma: “ Tudo quanto interessa a Deus, interessa ao Diabo.”
Boa leitura…
quinta-feira, 2 de junho de 2011
A Questão Finkler - Howard Jacobson
Aos 68 anos, Howard Jacobson viu o seu romance “A Questão Finkler” ser premiado com o Man Booker Prize de 2010, um dos mais importantes prémios literários mundiais. Já foi professor na Universidade de Sidney. De origem judaica, vive actualmente em Inglaterra.
A história desenrola-se em torno de três amigos: Julian Treslove, Libor Sevcik e Sam Finkler. Libor é um judeu e antiga estrela de Hollywood, mantinha uma relação extremamente afectuosa com Malkie, sua mulher, cuja morte o deixou profundamente abalado. Finkler também é judeu, é um autor consagrado de livros de auto-ajuda, casado, vê a sua mulher converter-se ao judaísmo, mas Finkler é um judeu que condena os ataques de Israel à Palestina, recentemente tornou-se no líder dos Judeus Envergonhados. Treslove já foi professor, mas não conseguiu manter-se nessa profissão durante muito tempo, já teve várias mulheres, mas acabam sempre por o abandonar, tem dois filhos, mas mal os conhece, até ao falecimento da mulher de Finkler, mantinha uma relação estritamente sexual com esta. Translove mantém uma obsessão na sua vida: converte-se ao judaísmo.
É através destas três personagens que ficamos a saber os costumes religiosos dos judeus, ou como ainda hoje são um povo perseguido. Também nos informa das atrocidades praticadas na Palestina. Fala-nos do holocausto e de como os europeus obrigaram os judeus a formar o estado de Israel. Com uma lucidez invejável, sem fanatismos religiosos ou políticos e sempre dando o ponto visto dos vários lados, Howard Jacobson faz uma profunda reflexão sobre as causas judaicas tanto passadas como futuras. A Questão Finkler bem se podia chamar As Questões do Judaísmo.
Boa leitura…
terça-feira, 17 de maio de 2011
O Anjo Branco - José Rodrigues dos Santos
Ao longo da sua carreira, José Rodrigues dos Santos, já vendeu mais de um milhão de livros. É, além de escritor, jornalista na RTP. Também lecciona jornalismo na Universidade Nova de Lisboa. Como repórter de guerra foi três vezes premiados pela CNN e duas pelo Clube Português de Imprensa. “ O Anjo Branco” é o seu mais recente livro.
Lisboa organizava uma das maiores exposições mundiais; as tropas de Hitler invadiam vários países europeus e milhares de refugiados, sobretudo judeus, esperavam na nossa capital por um barco que os levasse até a América; no país é decretado o racionamento de comida. É neste difícil ambiente que José Branco passa a sua juventude.
Durante os anos 60, Branco parte para Moçambique para exercer a sua profissão de médico. Em Lourenço Marques , Ronco, um amigo seu, é mal tratado por um superior hierárquico só pelo facto de ser negro, por defende-lo, José vê-se obrigado a partir para Tete. Localizado no interior de Moçambique, Tete é um dos locais onde a guerra está mais activa. José Branco adapta-se bastante bem a cidade e cria o Serviço Médico Aéreo de forma a levar os cuidados de saúde ao maior número de pessoas possíveis, José transforma-se num “Anjo Branco” pois presta serviço médico a todos, independentemente da sua raça, crença religiosa, ou nacionalidade. Até que um dia numa missão sanitária, José cruza-se com aquele que se vai tornar o mais aterrador segredo de Portugal no Ultramar, o massacre de Wiriyamu. “Nos filmes e nos livros os bons nunca eliminam mulheres nem crianças e só matam os maus em última instância. O mundo real não é assim.”
Um romance histórico, mas que pode-nos ensinar bastante para o nosso futuro.
Boa Leitura…
terça-feira, 3 de maio de 2011
Stéphane Hessel - Indignai-vos
Stéphane Hessel foi um dos heróis da Resistência Francesa. Durante a Segunda Guerra Mundial evadiu-se de um campo de concentração nazi, mais tarde, já como diplomata francês, foi um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Aos 93 anos decidiu escrever um livro polémico, onde alerta que a Europa avança na direcção de um enorme precipício. A edição portuguesa de “Indignai-vos” tem o prefácio de Mário Soares.
Stéphane Hessel dá como razão para indignar-nos o crescente fosso entre os muito pobres e os muito ricos; o estado do planeta; o desrespeito pelos emigrantes e pelos direitos humanos; a falsa liberdade de imprensa pois “os media estão nas mãos dos poderosos”; o fim de muitos direitos sociais conquistados depois da queda do nazismo, como o direito à saúde, ou o direito às reformas; e questiona: “Mas como é possível que actualmente (os estados) não tenham verbas para manter e prolongar estas conquistas quando a produção de riquezas aumentou consideravelmente desde a Libertação (do nazismo), quando a Europa estava arruinada?” Para Hessel vivemos actualmente “numa ditadura internacional dos mercados financeiros” em que os cidadãos não sabem quem comanda ou quem decide.
“Infelizmente, a História dá poucos exemplos de povos que retiram lições da sua própria história” e é esse o medo do autor, que a Europa possa vir a passar pelo mesmo que já passou, para isso não acontecer cabe a cada cidadão indignar-se, obrigando os políticos a mudarem as suas actuais politicas, mas essa indignação deve sempre seguir o caminho da não-violência pois, segundo o autor, só aí reside a esperança.
Boa Leitura…
domingo, 17 de abril de 2011
Aravind Adiga - O Tigre Branco
O “Tigre Branco” marca a estreia de Aravind Adiga no mundo da literatura. Com este livro, Adiga, conquistou um dos mais prestigiados prémios literários, o Man Booker Prize 2008. O livro é narrado na primeira pessoa e tem como receptor o primeiro-ministro chinês.
Balram Halwai nasceu em Laxmangarh uma aldeia pobre da Índia, mas, este jovem não é como os outros, é uma “criatura que só aparece uma vez em cada geração”: Balram é um Tigre Branco.
Condutor de riquexó, o seu pai cedo revela-lhe um segredo, “toda a minha vida fui tratado como um macaco. O meu único desejo é que um filho meu…pelo menos um…viva como um homem”. Balram vê-se obrigado a deixar a escola e ir trabalhar para uma casa de chá quando ainda era bastante jovem. Mais tarde, parte para Nova Deli, onde consegue um emprego como motorista. Após ter cometido um grave crime, parte para Bangalore e torna-se num grande empresário da Índia. Ao longo da sua vida o Tigre Branco consegue sair da “escuridão” e passar para a “claridade”.
A obra mostra-nos o outro lado da Índia, um país em que os pobres não têm cuidados médicos, em que milhares de pessoas sonham ter algo para comer. Fala-nos da falsa democracia daquele país. O autor não vê grande diferença entre a Índia democrática e a China comunista. Adiga mostra-nos o lado “escuro” e pouco divulgado do gigante asiático.
“As pessoas livres não reconhecem o valor da liberdade”, afirma o autor. Ler o “Tigre Branco” é sem dúvida aproveitar essa liberdade.
Boa leitura…
segunda-feira, 4 de abril de 2011
O Senhor Eliot e as Conferências - Gonçalo M. Tavares
Aos quarenta anos, Gonçalo M. Tavares, já foi galardoado com vários prémios literários. Em terras lusas, conquistou, entre outros, o Prémio LER/Millennium bcp e o Prémio José Saramago. No Brasil venceu o Prémio PT, mas foi em França que o escritor venceu o prémio mais importante da sua carreira, o Prémio Médicis de 2010 (prémio para melhor livro estrangeiro publicado em França) com o romance “Aprender a Rezar na Era da Técnica”. José Saramago afirmou em 2009 que Gonçalo M. Tavares seria um dia Prémio Nobel da Literatura.
“O Senhor Eliot e as Conferencias” é o décimo livro que fala de um bairro inventado pelo escritor. Eliot é um novo habitante do bairro. Terá como missão dar sete conferências em que analisará sete versos e fará a interpretação dos mesmos. “ No fundo, a explicação deste verso, como qualquer outra, tem um objectivo: conseguir levar a clareza aos homens e às mulheres do mundo que sejam colocados diante do verso” e é dessa clareza que o autor faz as suas reflexões: “ numa cidade divertida um cego nunca saberia as horas exactas”; “ o leitor diria: este verso é absurdo; e o escritor diria: este leitor é imbecil”; “há uma clareza exigida ao verso, mas também se exige uma certa obscuridade.”
As sete conferências de Eliot têm em comum não terem muita gente a assistir, além disso, começaram sempre depois da hora combinada e têm apenas um espectador atentíssimo, o senhor Swedenborg. O autor afirma “metade da perfeição não é metade da perfeição: é metade de um erro.” O Senhor Eliot e as Conferências é sem dúvida um livro perfeito.
Boa Leitura…
terça-feira, 15 de março de 2011
Crónicas de uma Morte Anunciada - Gabriel García Márquez
“Pelos seus romances e contos, nos quais o fantástico e o real estão combinados em um mundo de imaginação ricamente composto, reflectindo a vida e os conflitos de um continente.”Foram estas as palavras, que em 1984, a Academia Nobel referiu para justificar a atribuição do Prémio Nobel da Literatura a Gabriel García Márquez. Um ano antes, o autor publicava “Crónicas de Uma Morte Anunciada”. Márquez completou 84 anos no passado dia 6 de Março.
“No dia em que iam mata-lo, Santiago Nasar levantou-se às 5.30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.” É com estas palavras que o autor começa as “Crónicas de uma Morte Anunciada”, também, logo no final do primeiro capítulo, o autor revela que “Já o mataram.” Somos assim levados a ler o romance não para saber se a personagem ira morrer, mas sim para saber onde o mataram, porque o mataram e como o mataram. A história decorre numa pequena aldeia colombiana cuja única ligação com o exterior é um rio, aí decorre a festa de casamento entre Bayardo San Román, um homem recém-chegado há aldeia e bastante rico, com Angela Vicario. Mas na noite de núpcias, Bayardo descobre que a sua amada não é virgem.
Uma noiva, que por não ser virgem volta para casa dos país; dois irmãos dispostos a matarem quem tirou a virgindade da irmã, para restabelecer a honra da família; uma população inteira que sabendo das intenções do assassinato nada faz para evitar um crime anunciado; juntamente com o Realismo Mágico que Garcia Marquez escreve como ninguém, transforma este livro numa obra imperdível.
Boa leitura…
sexta-feira, 4 de março de 2011
No Teu Deserto - Miguel Sousa Tavares
Miguel Sousa Tavares é um “homem da televisão” e por isso, é um dos escritores mais conhecidos em Portugal. Além de escritor, é actualmente um consagrado comentador televisivo. O seu trabalho no mundo da literatura não é só reconhecido em terras Lusitanas, também é aclamado, tanto pela crítica como pelo público em diversos países. O seu maior sucesso foi “Equador” obra recentemente adaptada ao pequeno ecrã e actualmente traduzida em doze línguas. O seu mais recente trabalho é “No teu Deserto”.
“Parti com ela para o deserto por simples acaso, porque sobrava um lugar vazio no meu jipe e ela era amiga de uma amiga minha. Não a conhecia de lado nenhum.” Em Novembro de 1987, saíram da mítica Torre de Belém para uma viagem de 40 dias no deserto. Todavia, logo na primeira frase da obra, o autor revela que no fim Cláudia morre “sem aviso, sem razão, a benefício apenas da história que se quis contar” e é ao saber da morte de Cláudia, já no final do livro, que o autor declara o absurdo da vida, o absurdo que o fez partir com uma pessoa que não conhecia para aquela inesquecível viagem, o absurdo que o fez estar, depois daquela viagem, muitos anos sem ver Cláudia, ou o absurdo que o levou a saber da morte da sua amiga bastante tempo depois de esta falecer.
Ao longo do livro, por vezes, chegamos a julgar que estamos a ler um livro de viagens, outras, um romance, mas, nesta obra em que a influência de Albert Camus é bem visível, o autor prefere designá-la como “quase romance”. Uma historia real, em que o autor presta homenagem a uma amiga.
Boa leitura…
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Sôbolos Rios que Vão - António Lobo Antunes
António Lobo Antunes é apontado há vários anos como possível vencedor do Prémio Nobel da Literatura. São já muitos os prémios literários por ele conquistados, em 2005 foi-lhe atribuído o Prémio Jerusalém, em 2007 o Prémio Camões, em 2008 o governo francês atribuiu-lhe o título de Comendador da Ordem das Artes e das Letras francesas. Sôbolos Rios que Vão é o seu mais recente trabalho.
A história começa a 21 de Março e termina a 4 de Abril de 2007, a data corresponde ao tempo em que Antunes esteve internado num hospital com um problema nos intestinos, e é no hospital que “Antonino” nos dá a conhecer o inevitável da vida: que todos nós um dia temos que chegar á foz de um rio (“e não é preciso contar-lhe, sabia, bastava a certeza de chegar à foz”) e tal como as águas do rio, até chegarmos á foz temos muito caminho a percorrer. Nessa caminhada a personagem recua até a infância, outras vezes até há idade de adulto e também relata o que está a acontecer no hospital, (“e que curioso haver sido outro e depois outro até ao homem de hoje (…), aos cinco um senhor a tocar piano e a rodar no banco (…) aos dezassete a empregada para ele – Você não é o seu pai (...) aos quarenta um enjoo de para quê, uma mulher ao seu lado e ele – Não me abandones”). No texto, a personagem avança e recua no tempo conforme o seu pensamento.
Com este trabalho, António Lobo Antunes, tem o poder de nos conseguir fazer reflectir sobre a vida, somos obrigados a relembrar o nosso passado, assim como pensar sobre o nosso futuro. Como os livros dos grandes escritores este é um livro difícil de esquecer.
Boa leitura…
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Caderneta de Cromos - Nuno Markl
Aos 39 anos, Nuno Markl é um dos humoristas mais consagrados de Portugal. Com o livro “O Homem que Mordeu o Cão” chegou aos tops de vendas. O seu mais recente trabalho, “Caderneta de Cromos”, foi um dos livros mais vendidos de sempre em pré-venda no nosso país, além disso, desde que foi publicado é presença assídua no top das principais livrarias nacionais.
As cadernetas de cromos foram uma das coisas muito em voga nos anos 70 e 80, nessa altura os cromos ainda eram colados com cola, pois ainda não tinham chegado ao nosso país os “cromos autocolantes” que mais tarde viriam revolucionar as colecções de cromos. Nuno Markl divide a sua caderneta de cromos em 5 categorias, os cromos de Comer, de Brincar, de Usar, de Ver e de Ouvir. Num total de 100 cromos, podemos encontrar na parte de Comer as Peta Zetas, ou os gelados que a Olá comercializava com o formato de dedo e pé, ou ainda os Granizados Fá que segundo o autor “tratava-se de um produto tão natural como uma embalagem Domplex”; na secção de brincar são cromos principais o mítico Sabichão, o Cubo Mágico ou os Berlindes; como cromos de Usar temos as botas Colibri e o Walkman; na parte de Ver, entre vários cromos, descobrimos a Revista Bravo, a Revista Gina e o Rambo; por último, da parte dos cromos de Ouvir o autor relembra-nos a Kim Wilde, Santantha Fox ou ainda o José Cid.
Nuno Marlk reaviva-nos a memória e fala-nos de muitos objectos, pessoas ou músicas que marcaram uma geração, algumas quase desaparecidas, outras não tão na moda como na altura, mas passados estes anos é curioso voltar a falar delas.
Boa leitura…
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
A Tia Julia e o Escrevedor - Mario Vargas Llosa
Há vários anos apontado como um dos possíveis vencedores do Premio Nobel, Mario Vargas Llosa viu, no passado mês de Outubro, ser-lhe atribuído o mais importante premio literário do planeta, tornou-se aos 74 anos o primeiro peruano a ser distinguido com o Nobel da Literatura.
“Varguitas” é um jovem que trabalhava na rádio e estudava direito, tinha o sonho de um dia ser escritor. Apaixona-se loucamente por uma mulher com o dobro da sua idade e que é sua tia. Contudo, vão ter toda uma sociedade a tentar impedir o casamento entre si. Ao mesmo tempo conhece na rádio Pedro Camacho, o escrevedor Boliviano mais afamado no Peru e que o vai inspirar como escritor. As novelas de Camacho batem todos os recordes de audiências. Um dia a sua memória começa a falhar, por isso troca as personagens de um folhetim para o outro, mas os donos da rádio, “os empresários progressistas”, vendo as audiências aumentarem ainda mais por esse motivo, não lhe dão descanso, o boliviano trabalha de dia e de noite para poder escrever as novelas. Até que um dia Camacho comete um “crime imperdoável”: num terramoto morrem todas as personagens dos seus folhetins.
Este livro é uma profunda crítica aos empresários que gerem os mídia que apenas se preocupam com as audiências, mesmo que isso signifique má programação no ar. Também critica duramente uma sociedade que só se interessa pelas desgraças alheias. Além da troca de personagens dever-se ao cansaço de Camacho, Llosa dá-lhes um duplo sentido, pois hoje podemos ser uma das pessoas mais respeitadas do país, mas amanhã não sabemos o que somos.
Boa leitura…
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Aproveitem a Vida - António Feio
Após ter travado uma longa luta contra o cancro, António Feio deixo-nos a 29 de Julho de 2010, mas tal como Jorge Mourato afirma neste livro “as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas” e são muitos aqueles que nunca o vão esquecer. Neste livro, António Feio fala-nos do seu percurso de vida, dos difíceis anos que passou até ser um consagrado actor e encenador, e revela-nos também a sua luta diária para tentar vencer o cancro, além disso, agradece o apoio que sentiu de muita gente.
Natural de Lourenço Marques, actual Maputo, foi já em Portugal com a tenra idade de 11 anos que se estriou como actor no Teatro Experimental de Cascais. Mais tarde, no inicio da sua carreira e já pai de uma menina, revela-nos que “às vezes, para ganhar mais umas massas, trabalhava com o meu irmão num negócio dele. Tinha que acumular isso com o meu horário de trabalho que ia das 15h00 às 00h00.” Foi já na década de noventa, após ter representado com José Pedro Gomes a “Conversa da Treta” que o público passou a tê-lo como um dos actores de referencia a nível nacional, foi a partir daí que viu o esforço de uma vida ser recompensado. O livro fala-nos muito dos seus últimos anos de vida, sobretudo da fase após saber que tinha cancro, “ a grande lição que tiro desta doença é que andei a tratar mal o meu corpo. Estiquei-me! Isto no meu caso, é claro. Se voltasse atrás tratá-lo-ia melhor”.
Apesar de saber que tinha uma doença em que a probabilidade de cura era baixa, nunca baixou os braços. Por isso, pelo seu percurso profissional, António feio é um exemplo a seguir.
Boa Leitura…
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Penelope Lively - Álbum de Família
Penelope Lively tem vários romances premiados, foi três vezes nomeada para o Booker Prize, tento em 1987 conseguido conquistar o galardão com o romance Anel de Areia. Tem actualmente setenta e sete anos.
“ Há nove pessoas em Allersmead, nenhumas delas a mais de um metro ou dois de todas as outras, mas todas a milhas de distância nas suas cabeças, nos seus corações.” Nesta casa grande e velha vive uma enorme família. Para Alison, a mãe, a família está em primeiro lugar e por isso quantos mais forem melhor. O seu marido é um escritor que passa a vida no escritório. Ingrid é a empregada, e como Alison, afirma também faz parte da família. Allersmead parece ter todos os ingredientes para ser um família feliz e unida contudo, nem sempre as relações familiares são tão boas quanto muitos imaginam (“é numa família grande que aprendemos a fazer jogo sujo e a procurar ser o número um”), além disso, em Allersmead existe um segredo devastador, que todos sabem, mas minguem quer falar. Agora adultos, Sandra, Gina, Paul, Katie, Roger e a inconstante Clare regressam a casa e falam desse período da sua infância.
Contudo, Penelope Lively não aborda só o tema das relações familiares, entre outras coisas, fala do absurdo da guerra e critica duramente a actuação das Nações Unidas, fala-nos também do mundo da moda e como podemos ficar “estupidificados pelo glamour e pela importância do seu fascínio”. Vinte e três anos após ter vencido um dos mais importantes prémios literários do planeta, Lively da provas que ainda mantém muita qualidade nos seus trabalhos.
Boa leitura…
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O Banqueiro Anarquista - Fernando Pessoa
Fez 75 anos no passado dia 30 de Novembro que Fernando Pessoa nos deixou. Nasceu a 13 de Junho de 1888. É considerado um dos melhores escritores Portugueses de todos os tempos. Pessoa destaca-se sobretudo na poesia. Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro são alguns dos heterónimos que utilizava.
“ Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa.” É desta forma que começa “O Banqueiro Anarquista”. Mas como pode um Banqueiro acreditar ser uma pessoa totalmente livre, vivendo sem ordens, não acreditando nem em sistemas nem em governos? Pessoa critica a sociedade e os sistemas inventados por esta que são para si ficções sociais (“a gente nasce homem ou mulher…não nasce, em boa justiça natural, nem para ser marido, nem para ser rico ou pobre, como também não nasce para ser católico ou protestante ou português ou inglês.”) Publicado há mais de oitenta anos, “O Banqueiro anarquista” antecipa a falta de valores que levaram à crise actual, (“ganhei muito dinheiro…não olhei a processos…empreguei tudo quanto há – o açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal”), antecipa a queda da União Soviética (“E você vera o que sai da revolução Russa… qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre…”), também assume-se como um não cristão (“Se eu fosse cristão”).
Esta é uma obra que nos faz pensar em que sociedade vivemos e sobretudo a sua justiça. A obra é, nesta altura, mais actual que há data da sua publicação.
Boa leitura…
sábado, 20 de novembro de 2010
Leite Derramado - Chico Buarque
Natural de umas das mais bonitas cidades do mundo, o Rio de Janeiro, Chico Buarque é músico, dramaturgo e escritor. Foi através da música que Chico saltou para as luzes da ribalta, o seu primeiro disco, editado em 1966, foi um enorme êxito. Em 1974 estreou-se no mundo da literatura com “Fazenda Modelo”, no entanto, só em 1994 é que publicou o seu primeiro romance intitulado “Estorvo”.
Em “Leite Derramado”, uma pessoa com bastante idade e de apelido Assumpção, está numa cama do hospital. Começa assim um monólogo que por vezes é dirigido a filha, outras vezes às enfermeiras e outras a quem o quiser ouvir. Nesses monólogos, que não estão organizados por ordem cronológica, Assumpção conta a história da sua família, recuando até “mil oitocentos e lá vai fumaça”, altura em que o seu avô era “um figurão do império”, também nos dá a conhecer o seu pai “ um republicano de primeira hora, íntimo de presidentes” fala-nos de si e da sua esposa, mas, também de Matilde, sua filha, que por, falta de dinheiro, até o jazigo dos Assumpção vendeu, ainda fala do neto que tanto gostava e que “um dia virou comunista”, contudo, ainda viveu tempo suficiente para conhecer o seu bisneto que viria a morrer todo nu dentro de um motel.
Tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos 200 anos, o autor mostra-nos não só a decadência dos Assumpção, como o diferente tratamento que receberam os diversos membros da família, por pertencerem a classes sociais diferentes. Este novo romance dá mais força às vozes que reclamam para Chico o Prémio Camões.
Boa leitura…
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
O Bom Inverno - João Tordo
João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Em 2001 venceu o prémio Jovens Criadores na categoria de literatura e em 2009 foi galardoado com o Prémio Literário José Saramago com o romance “As Três Vidas”. “O Bom Inverno” é o seu quarto romance.
O narrador da história, um jovem escritor português frustrado e hipocondríaco, aceita ir a Budapeste dar uma conferência organizada para escritores europeus. Ao chegar conhece Vicenzo Gentile. Após várias tentativas frustradas, Gentile, convenceu-o a acompanha-lo até há Sabaudia, em Itália, a fim de conhecer Don Metzger, um famoso produtor de cinema que vive numa casa escondida no meio do bosque. Don é conhecido por gostar de reunir na sua casa convidados excêntricos e, também, por todos os anos fazer levantar balões de ar quente estranhamente vazios, construídos por Andrés Basco. D. Metzer não estava em casa quando chegaram, mas foram informados que estaria lá no outro dia de manhã. Após uma noite agitada, ao acordar recebem a notícia de que Don foi encontrado morto no seu próprio lago. Basco, ao saber da notícia, faz refém todos os que se encontravam em casa e avisa que só sairão quando o culpado pelo assassinato se confessar.
Um cadáver dentro de um balão de ar quente; onze pessoas, entre elas uma estrela de cinema e um realizador de filmes pornográficos, reunidas numa casa no meio do bosque e os seus passos a serem vigiados por um homem armado e disposto a matar quem infringisse as regas; pessoas assustadas, frágeis, egoístas que se acusam mutuamente, fazem deste romance um livro enigmático.
Boa Leitura…
domingo, 17 de outubro de 2010
O Padrinho - Mario Puzo
Se fosse vivo, Mario Puzo, teria comemorado noventa anos no passado dia quinze de Outubro. Filho de emigrantes sicilianos que no inicio do século XX partiram para os Estados Unidos da América, viria a nascer na mítica cidade de Manhattan, Nova Iorque. A sua infância foi passada num bairro pobre e violento, este facto influenciou-o bastante quando mais tarde tornou-se escritor. Após ter publicado dois livros em que não obteve grande sucesso junto do público, recebeu uma proposta irrecusável: receberia cinco mil dólares adiantados para escrever um livro sobre a máfia. Em 1969 “O Padrinho” chegava às bancas, tornando-se rapidamente num best-seller, mais tarde a livro foi adaptada ao cinema por Francis Ford Coppola. Puzo morreu a dois de Julho de 1999, tinha setenta e oito anos.
A história decorre entre 1945 e 1955. Nos Estados Unidos o jogo ilegal era uma fonte de grande rendimento, mas só as famílias mais poderosas o controlavam. D. Vito Carleone lidera uma dessas cinco famílias. A droga começa a ser largamente consumida entre a população a as famílias poderosas vêem nela uma oportunidade de expandir os seus lucros. Mas D. Carleone teme os efeitos de entrar nesse negócio e acaba por recusar. Essa recusa leva-o a entrar em guerra com as outras famílias. Nessa guerra, que não tem fronteiras, o autor dá-nos a conhecer o submundo da máfia.
Influências políticas, judiciais e policiais; a honra familiar; o mundo do jogo ilegal; os favores; muitas mortes incluindo das pessoas mais poderosas, fazem de “O Padrinho” um dos melhores romances policiais de todos os tempos.
Boa leitura…
sábado, 2 de outubro de 2010
Pensageiro Frequente - Mia Couto
Filho de portugueses que emigraram para Moçambique em meados do século XX, Mia Couto nasceu na Beira em 1955. É o autor moçambicano mais traduzido no mundo. O seu primeiro romance, “Terra Sonâmbula”, foi considerado em 1995 um dos doze melhores livros africanos do século XX. Em 1999 foi galardoado com o Prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da sua obra. “Pensageiro Frequente” é o seu mais recente livro, nele, o leitor pode encontrar uma compilação dos textos escritos por si na revista Índico, a revista de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique.
Ao colaborar com a revista Índico, Mia Couto tinha um objectivo: “Fazer com que o meu país voasse pelos dedos do viajante, numa visita às múltiplas identidades que coexistem numa única nação.” Deste modo, através das suas crónicas, somos levados a conhecer os mais variados locais de Moçambique, mas o autor não nos dá a conhecer apenas isso, pois também fala-nos dos habitantes locais e dos seus costumes. Assim somos convidados a conhecer a Beira, terra natal do escritor. Em Nacala, na praia de Fernão Ferro, vamos visitar as baleias. Para os habitantes de Matutuíne a biodiversidade pode ser uma palavra desconhecida, mas para os biólogos é um lugar único de estudo. Da Ilha de Bazaruto, fala-nos da sua cadeira de dunas e dos crocodilos que habitam as lagoas da ilha. Muitos sítios, muitas histórias deste passageiro em viagem por Moçambique.
“Pensageiro Frequente” porque além de Mia Couto viajar frequentemente pelos mais diversos sítios de Moçambique, não se limita a isso, também faz reflexões sobre os locais por onde passa.
Boa leitura...
sábado, 18 de setembro de 2010
Mataram o Sidónio - Francisco Moita Flores
No ano do Centenário da República, Francisco Moita Flores, recorda uma das figuras mais emblemáticas da 1º Republica, o Presidente Sidónio Paes. “Mataram o Sidónio”, além de ser uma reconstituição histórica de Lisboa no rescaldo da Grande Guerra é, acima de tudo, uma investigação sobre os mistérios que envolveram o assassinato do então Presidente da República.
Decorria o ano de 1918, “a influenza fustigava impiedosamente a cidade desde o inicio de Outubro, lançando o medo e a morte por toda a parte. Por cada dia que se passava, surgiam mais xailes negros pela rua, homens de cenhos carregados de tragédias, e Lisboa, ainda sobre a pressão dos efeitos traumáticos da Grande Guerra, esvaída de fome, gania prantos e mortos breves, tão apressadamente que dir-se-ia que Deus apenas lhes dera vida para que a morte os levasse. Os cemitérios não davam vazão à enchente…”. É neste ambiente hostil que Sidónio Pais toma o poder pela via da força. Amado por uns, odiado por outros, aquele que viria a ser conhecido por Presidente-Rei é assassinado na estação do Rossio a 14 de Dezembro de 1918, contudo, a história do homicídio de Sidónio Pais nunca foi bem explicada. Baseado em documentos da época, Francisco Moita Flores investiga o assassinato do presidente utilizando as técnicas forenses.
Será que o assassinato de Sidónio foi como os jornais de então noticiaram? Ou será que por vezes o que dizemos que vimos com convicção não corresponde à verdade? “Mataram o Sidónio” é uma historia única para um romance que se lê num folgo.
Boa leitura…
sábado, 4 de setembro de 2010
A Cidade e as Serras - Eça de Queirós
No passado dia 16 de Agosto, fez cento e dez anos que Eça de Queiroz faleceu. Natural da Povoa de Varzim, nasceu a 25 de Novembro de 1845. Fez os primeiros estudos no Porto mas foi em Coimbra que se formou em Direito. Mais tarde, em 1870, passou a ser cônsul português em Havana, exerceu a mesma profissão em Newcastle, Bristol, e a partir de 1888 em Paris, cidade em que viria a falecer, tinha na altura cinquenta e quatro anos. São vários os seus livros que são hoje considerados clássicos da literatura. “Os Maias” é um livro obrigatório na disciplina de Português de 11º ano. “A Cidade e as Serras” é um romance escrito nos seus últimos anos de vida e publicado apenas um ano após a sua morte.
"O Homem pensa ter na cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria.” Jacinto era um representante típico das novas elites que em Paris, nos finais do século XIX, acreditavam na civilização do luxo e da razão soberana, contudo, José Fernandes, amigo desde infância de Jacinto, ao ir viver para o celebre 202 dos Campos Elísios, começa a verificar que este “sofre de fartura”, pois todo aquele luxo, toda aquela civilização já não o faz feliz. Jacinto parte para Portugal, para a aldeia de Tormes, com o pretexto de transladar os restos mortais de seus avós. Ao chegar apaixona-se pela serra e nunca mais volta a Paris.
Se no início da sua vida Jacinto apenas acredita que se pode ser feliz no luxo da cidade, é na serra que constitui família e acaba por ser feliz. Na aldeia ainda passa a ser conhecido como “pai dos pobres”.
Boa leitura…
"O Homem pensa ter na cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria.” Jacinto era um representante típico das novas elites que em Paris, nos finais do século XIX, acreditavam na civilização do luxo e da razão soberana, contudo, José Fernandes, amigo desde infância de Jacinto, ao ir viver para o celebre 202 dos Campos Elísios, começa a verificar que este “sofre de fartura”, pois todo aquele luxo, toda aquela civilização já não o faz feliz. Jacinto parte para Portugal, para a aldeia de Tormes, com o pretexto de transladar os restos mortais de seus avós. Ao chegar apaixona-se pela serra e nunca mais volta a Paris.
Se no início da sua vida Jacinto apenas acredita que se pode ser feliz no luxo da cidade, é na serra que constitui família e acaba por ser feliz. Na aldeia ainda passa a ser conhecido como “pai dos pobres”.
Boa leitura…
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Luís Lourenço - Mourinho a Descoberta Guiada
Amigo próximo de José Mourinho á várias décadas, Luís Lourenço é o autor dos únicos dois livros oficiais do treinador português. As suas obras encontram-se traduzidas em inglês, japonês, grego, turco e italiano. O seu mais recente trabalho, “Mourinho a Descoberta Guiada”, além de contar com a participação do próprio José Mourinho, contou ainda com a colaboração especial de Didier Drogba, Deco, Vitor Baía e Jorge Costa jogadores carismáticos que foram liderados pelo treinador natural de Setúbal.
O autor explica-nos de uma forma simples e prática todos os principais factores que fazem de Mourinho um líder reconhecido mundialmente e ajuda-nos a compreender como é que esses mesmos factores podem ser aplicados ao mundo das empresas e das organizações em geral. Motivação e liderança; definição de estratégias e alinhamento de objectivos; potenciar o trabalho de equipa para a obtenção de elevado rendimento; colocar o interesse da equipa acima de interesses individuais; são temas abordados ao longo do livro.
Mourinho dá alguns exemplos: para ele não á jogos fáceis, por isso, todos os jogos são preparados da mesma forma. Acredita que os jogadores só podem jogar no limite se treinarem no limite. Também, apenas acreditando intrinsecamente que se ganha é que se pode ganhar. Crê ainda, que um líder moderno não se posiciona no “topo da pirâmide”, mas sim no centro do círculo. Partindo destes exemplos, entre outros, Luís Lourenço explica-nos como a forma de liderança de Mourinho pode ser aplicada no mundo empresarial.
Boa leitura…
domingo, 8 de agosto de 2010
Valter Hugo Mãe - a máquina de fazer espanhóis

Aos 38 anos, “a máquina de fazer espanhóis” é o quarto romance de Valter Hugo Mãe. Natural de Saurimo, em Angola, o autor vive actualmente em Vila do Conde. Faz da sua forma de escrever uma “imagem de marca” pois nunca utiliza as maiúsculas nos seus trabalhos. Segundo o autor, com isso, consegue estar mais próximo do modo como falamos, pois as pessoas não falam com maiúsculas. Em 2007 foi galardoado com o Prémio Literário José Saramago.
“a laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias. foi o que fizeram. depois, nessa mesma tarde, levaram o álbum porque achavam que ia servir apenas para que eu cultivasse a dor de perder a minha mulher. depois, ainda nessa mesma tarde, trouxeram a imagem da nossa senhora de fátima e disseram que, com o tempo, eu haveria de ganhar um credo religioso, aprenderia a rezar e salvaria assim a minha alma.” E foi assim que o senhor Silva chegou ao “feliz idade”, nome que tinha o lar para onde foi viver. Esta é uma história trágica e divertida de alguém, que aos 84 anos, vê toda a sua vida transformada após a morte da “mulher que amou e com quem partilhou tudo durante meio século.”
Um livro polémico e bastante corajoso onde o autor critica os lares (“feliz idade, assim se chama o matadouro para onde foi metido”), critica também a crença em Fátima e em Deus (“não há nossa senhora, não há deus, e fátima é só um lugar onde as pessoas ficaram doentes da cabeça”), fala da nossa história, mas é, sobretudo, uma crítica a sociedade actual e ao modo como lidamos com os nossos idosos.
Boa Leitura…
“a laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias. foi o que fizeram. depois, nessa mesma tarde, levaram o álbum porque achavam que ia servir apenas para que eu cultivasse a dor de perder a minha mulher. depois, ainda nessa mesma tarde, trouxeram a imagem da nossa senhora de fátima e disseram que, com o tempo, eu haveria de ganhar um credo religioso, aprenderia a rezar e salvaria assim a minha alma.” E foi assim que o senhor Silva chegou ao “feliz idade”, nome que tinha o lar para onde foi viver. Esta é uma história trágica e divertida de alguém, que aos 84 anos, vê toda a sua vida transformada após a morte da “mulher que amou e com quem partilhou tudo durante meio século.”
Um livro polémico e bastante corajoso onde o autor critica os lares (“feliz idade, assim se chama o matadouro para onde foi metido”), critica também a crença em Fátima e em Deus (“não há nossa senhora, não há deus, e fátima é só um lugar onde as pessoas ficaram doentes da cabeça”), fala da nossa história, mas é, sobretudo, uma crítica a sociedade actual e ao modo como lidamos com os nossos idosos.
Boa Leitura…
sábado, 17 de julho de 2010
Manuel Alegre - O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua

Natural de Águeda, Manuel Alegre nasceu a 12 de Maio de 1936. Estudou em Lisboa, no Porto e na Faculdade de Direito de Coimbra. Em 1963 foi preso pela PIDE, onde esteve seis meses na Fortaleza de S. Paulo, em Luanda. Foi vice-presidente da Assembleia da República de 1995 a 2009. A sua obra inclui romances, contos, ensaios, mas é, sobretudo, a poesia que caracteriza o autor. São vários os prémios literários conquistados por si, entre os quais se destaca o Prémio Pessoa.
“Um livro é como uma estrada, muitas são as curvas, ora avança ora recua.” Com este seu novo trabalho, Manuel Alegre, avança e recua no tempo para nos contar histórias e aventuras da sua vida. De uma dessas histórias nasceu o nome do livro, o Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua, contudo, o autor avisa-nos logo no início da obra que “ninguém ao certo sabe quem é nem se o que foi chegou a ser ou se é fruto da imaginação ou de algo que alguém contou não se sabe quando nem a quem”, por isso, fica a incerteza no ar, será que as histórias narradas no livro foram reais ou fruto da sua imaginação? Real, foi a promessa que nos revelou, “de dez em dez anos se olhará assim naquele ou noutro espelho para saber se será sempre o mesmo ou se o que parecerá sempre não poderá ser afinal outro. No rosto e no resto.”
Será que o miúdo que pregava pregos numa tábua seria o mesmo, agora mais velho, que ganharia corridas de natação? Ou o mesmo que queria continuar os Lusíadas? Também seria esse miúdo, que mais tarde em Paris no escaldante ano de 1968 descobriu que todos nós somos exilados políticos?
Boa leitura…
“Um livro é como uma estrada, muitas são as curvas, ora avança ora recua.” Com este seu novo trabalho, Manuel Alegre, avança e recua no tempo para nos contar histórias e aventuras da sua vida. De uma dessas histórias nasceu o nome do livro, o Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua, contudo, o autor avisa-nos logo no início da obra que “ninguém ao certo sabe quem é nem se o que foi chegou a ser ou se é fruto da imaginação ou de algo que alguém contou não se sabe quando nem a quem”, por isso, fica a incerteza no ar, será que as histórias narradas no livro foram reais ou fruto da sua imaginação? Real, foi a promessa que nos revelou, “de dez em dez anos se olhará assim naquele ou noutro espelho para saber se será sempre o mesmo ou se o que parecerá sempre não poderá ser afinal outro. No rosto e no resto.”
Será que o miúdo que pregava pregos numa tábua seria o mesmo, agora mais velho, que ganharia corridas de natação? Ou o mesmo que queria continuar os Lusíadas? Também seria esse miúdo, que mais tarde em Paris no escaldante ano de 1968 descobriu que todos nós somos exilados políticos?
Boa leitura…
sábado, 4 de abril de 2009
O Perfume História de um Assassino - Patrick Suskind

Patrick Suskind completou 60 anos no passado dia 26 de Março. Considerado controverso pela maioria da crítica, raramente dá entrevistas ou aparece em público, preferindo levar uma vida isolada.
“O Perfume, História de um Assassino” foi publicado pela primeira vez em 1985, a livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e conta com cerca de 20 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
O estranho enredo passa-se no século XVIII e é fruto de um extraordinário trabalho de reconstituição histórica que consegue captar plenamente os ambientes da época tal como as mentalidades.
Jean-Baptiste Grenouille é o nome da personagem que provoca nojo, ódio, pena e admiração. Um parisiense que veio ao mundo no meio das tripas de peixes, atrás de uma barraca de feira. Possuía o nariz mais sensível do mundo, capaz de detectar as mínimas nuances de odores de qualquer tipo, em qualquer lugar, em qualquer situação. Mas que, ao contrário de todos, não possuía um cheiro corporal próprio.
Grenouille um dia encontra uma jovem, com um perfume totalmente diferente de todos os outros milhares de perfumes que ele guardava na memória, e acabará por matá-la, com as suas próprias mãos, de tanto desejar apoderar-se do seu odor. Mas, esta jovem é apenas uma das muitas jovens que o protagonista acaba por matar em busca do perfume perfeito.
Desde o momento inicial da leitura, somos carregados ao longo das páginas pelo mais primitivo dos nossos sentidos, o cheiro. A história é tão envolvente e bela que nos esquecemos que é retratada a história de um assassino.
Boa leitura…
“O Perfume, História de um Assassino” foi publicado pela primeira vez em 1985, a livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e conta com cerca de 20 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
O estranho enredo passa-se no século XVIII e é fruto de um extraordinário trabalho de reconstituição histórica que consegue captar plenamente os ambientes da época tal como as mentalidades.
Jean-Baptiste Grenouille é o nome da personagem que provoca nojo, ódio, pena e admiração. Um parisiense que veio ao mundo no meio das tripas de peixes, atrás de uma barraca de feira. Possuía o nariz mais sensível do mundo, capaz de detectar as mínimas nuances de odores de qualquer tipo, em qualquer lugar, em qualquer situação. Mas que, ao contrário de todos, não possuía um cheiro corporal próprio.
Grenouille um dia encontra uma jovem, com um perfume totalmente diferente de todos os outros milhares de perfumes que ele guardava na memória, e acabará por matá-la, com as suas próprias mãos, de tanto desejar apoderar-se do seu odor. Mas, esta jovem é apenas uma das muitas jovens que o protagonista acaba por matar em busca do perfume perfeito.
Desde o momento inicial da leitura, somos carregados ao longo das páginas pelo mais primitivo dos nossos sentidos, o cheiro. A história é tão envolvente e bela que nos esquecemos que é retratada a história de um assassino.
Boa leitura…
domingo, 15 de março de 2009
Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez
No passado dia 6 de Março, Gabriel Garcia Marquez completou 82 anos. Protagonista de uma carreira de sucesso é um dos autores latino-americanos mais vendidos em todo o mundo.Em 1982 a Academia Sueca reconhecia o valor de Gabo, nome pelo qual os amigos o tratam, atribuindo-lhe o Premio Nobel da Literatura.
O autor Colombiano trabalhou 14 meses consecutivos até terminar “Cem Anos de Solidão”. A obra foi publicado pela primeira vez na cidade de Buenos Aires em Maio de 1967, desde ai já vendou mais de 30 milhões de exemplares. Actualmente está traduzida em todas as línguas do mundo.
O livro desenrola-se na mítica cidade de Macondo, lugar remoto do interior da Colômbia, e conta a história da família Buendía durante um século. Pode ser entendido como uma alegoria da América Latina.
Um comboio carregado de cadáveres, uma população inteira que perde a memória, mulheres que se trancam por décadas numa casa escura, homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. Muitas guerras e revoluções. A corrupção, as catástrofes, a loucura e inúmeros elementos maravilhosos fazem de “Cem Anos de Solidão”uma fábula de uma sociedade miserável e grandiosa.
Muitos falam da necessidade de se ler “Cem Anos de Solidão” com um bloco de apontamentos ao lado, com o intuito de se traçar a árvore genealógica da família Buendía, no entanto, a real essência está em ver a história além das suas personagens e entender o círculo que se fecha ante às previsões de um fim anunciado.
Como Pablo Neruda um dia disse “este é o melhor livro escrito em castelhano desde Quixote.”
Boa leitura…
quinta-feira, 5 de março de 2009
Estrela Errante - J. M. G. Le Clézio

Jean-Marie Gustave Le Clézio é um autor Francês que até ao passado mês de Outubro não era conhecido pela maioria dos portugueses.
“Estrela Errante” foi publicado pela primeira vez no nosso país em 1994, ficando apenas pela primeira edição. Após ter sido conhecida a atribuição do Premio Nobel da Literatura de 2008 a Le Clézio o livro foi novamente publicado em Portugal.
Verão de 1943, em França uma jovem rapariga judia vê-se obrigada a fugir da perseguição das tropas lideradas por Hitler. Juntamente com a mãe e com outros Judeus, Ester parte pelas montanhas, iniciando assim uma fuga pela sobrevivência. Todos têm o mesmo sonho, chegar á terra que na Europa dizem ser a sua, chegar a “Eretz Israel”.
Terminada a guerra e depois de ter estado em vários lugares e passado bastantes sofrimentos, parte finalmente a bordo do “Sette Fratelli” para o jovem Estado de Israel.
Passado alguns dias, a jovem judia segue numa coluna de camiões para Jerusalém. Numa das paragens que fazem no caminho para descansar, Ester vê um grupo de palestinianos a caminhar. Desse grupo uma rapariga bastante jovem aproxima-se de Ester, “tirou do bolso do casaco um caderno em branco com capa de cartão preto … escreveu assim o seu nome em letras maiúsculas: NEJMA. Estendeu o caderno e o lápis a Ester para que ela escrevesse também o seu… por fim sem pronunciar qualquer palavra, voltou para o grupo de refugiados que se afastava.”
Ester e Nejma, a judia e a palestiniana, nunca mais deixaram de pensar uma na outra.
Um livro que retrata o absurdo da guerra e o sofrimento tanto de judeus como de palestinianos, povos que tem sido humilhados por causa da desumanidade de muitos líderes mundiais.
Boa leitura…
“Estrela Errante” foi publicado pela primeira vez no nosso país em 1994, ficando apenas pela primeira edição. Após ter sido conhecida a atribuição do Premio Nobel da Literatura de 2008 a Le Clézio o livro foi novamente publicado em Portugal.
Verão de 1943, em França uma jovem rapariga judia vê-se obrigada a fugir da perseguição das tropas lideradas por Hitler. Juntamente com a mãe e com outros Judeus, Ester parte pelas montanhas, iniciando assim uma fuga pela sobrevivência. Todos têm o mesmo sonho, chegar á terra que na Europa dizem ser a sua, chegar a “Eretz Israel”.
Terminada a guerra e depois de ter estado em vários lugares e passado bastantes sofrimentos, parte finalmente a bordo do “Sette Fratelli” para o jovem Estado de Israel.
Passado alguns dias, a jovem judia segue numa coluna de camiões para Jerusalém. Numa das paragens que fazem no caminho para descansar, Ester vê um grupo de palestinianos a caminhar. Desse grupo uma rapariga bastante jovem aproxima-se de Ester, “tirou do bolso do casaco um caderno em branco com capa de cartão preto … escreveu assim o seu nome em letras maiúsculas: NEJMA. Estendeu o caderno e o lápis a Ester para que ela escrevesse também o seu… por fim sem pronunciar qualquer palavra, voltou para o grupo de refugiados que se afastava.”
Ester e Nejma, a judia e a palestiniana, nunca mais deixaram de pensar uma na outra.
Um livro que retrata o absurdo da guerra e o sofrimento tanto de judeus como de palestinianos, povos que tem sido humilhados por causa da desumanidade de muitos líderes mundiais.
Boa leitura…
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