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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Aproveitem a Vida - António Feio

       Após ter travado uma longa luta contra o cancro, António Feio deixo-nos a 29 de Julho de 2010, mas tal como Jorge Mourato afirma neste livro “as pessoas só morrem quando nos esquecemos delas” e são muitos aqueles que nunca o vão esquecer. Neste livro, António Feio fala-nos do seu percurso de vida, dos difíceis anos que passou até ser um consagrado actor e encenador, e revela-nos também a sua luta diária para tentar vencer o cancro, além disso, agradece o apoio que sentiu de muita gente.
       Natural de Lourenço Marques, actual Maputo, foi já em Portugal com a tenra idade de 11 anos que se estriou como actor no Teatro Experimental de Cascais. Mais tarde, no inicio da sua carreira e já pai de uma menina, revela-nos que “às vezes, para ganhar mais umas massas, trabalhava com o meu irmão num negócio dele. Tinha que acumular isso com o meu horário de trabalho que ia das 15h00 às 00h00.” Foi já na década de noventa, após ter representado com José Pedro Gomes a “Conversa da Treta” que o público passou a tê-lo como um dos actores de referencia a nível nacional, foi a partir daí que viu o esforço de uma vida ser recompensado. O livro fala-nos muito dos seus últimos anos de vida, sobretudo da fase após saber que tinha cancro, “ a grande lição que tiro desta doença é que andei a tratar mal o meu corpo. Estiquei-me! Isto no meu caso, é claro. Se voltasse atrás tratá-lo-ia melhor”.
      Apesar de saber que tinha uma doença em que a probabilidade de cura era baixa, nunca baixou os braços. Por isso, pelo seu percurso profissional, António feio é um exemplo a seguir.   
      Boa Leitura…

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Penelope Lively - Álbum de Família

Penelope Lively tem vários romances premiados, foi três vezes nomeada para o Booker Prize, tento em 1987 conseguido conquistar o galardão com o romance Anel de Areia. Tem actualmente setenta e sete anos.
“ Há nove pessoas em Allersmead, nenhumas delas a mais de um metro ou dois de todas as outras, mas todas a milhas de distância nas suas cabeças, nos seus corações.” Nesta casa grande e velha vive uma enorme família. Para Alison, a mãe, a família está em primeiro lugar e por isso quantos mais forem melhor. O seu marido é um escritor que passa a vida no escritório. Ingrid é a empregada, e como Alison, afirma também faz parte da família. Allersmead parece ter todos os ingredientes para ser um família feliz e unida contudo, nem sempre as relações familiares são tão boas quanto muitos imaginam (“é numa família grande que aprendemos a fazer jogo sujo e a procurar ser o número um”), além disso, em Allersmead existe um segredo devastador, que todos sabem, mas minguem quer falar. Agora adultos, Sandra, Gina, Paul, Katie, Roger e a inconstante Clare regressam a casa e falam desse período da sua infância.
Contudo, Penelope Lively não aborda só o tema das relações familiares, entre outras coisas, fala do absurdo da guerra e critica duramente a actuação das Nações Unidas, fala-nos também do mundo da moda e como podemos ficar “estupidificados pelo glamour e pela importância do seu fascínio”. Vinte e três anos após ter vencido um dos mais importantes prémios literários do planeta, Lively da provas que ainda mantém muita qualidade nos seus trabalhos.
Boa leitura…

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O Banqueiro Anarquista - Fernando Pessoa

Fez 75 anos no passado dia 30 de Novembro que Fernando Pessoa nos deixou. Nasceu a 13 de Junho de 1888. É considerado um dos melhores escritores Portugueses de todos os tempos. Pessoa destaca-se sobretudo na poesia. Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro são alguns dos heterónimos que utilizava.
“ Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa.” É desta forma que começa “O Banqueiro Anarquista”. Mas como pode um Banqueiro acreditar ser uma pessoa totalmente livre, vivendo sem ordens, não acreditando nem em sistemas nem em governos? Pessoa critica a sociedade e os sistemas inventados por esta que são para si ficções sociais (“a gente nasce homem ou mulher…não nasce, em boa justiça natural, nem para ser marido, nem para ser rico ou pobre, como também não nasce para ser católico ou protestante ou português ou inglês.”) Publicado há mais de oitenta anos, “O Banqueiro anarquista” antecipa a falta de valores que levaram à crise actual, (“ganhei muito dinheiro…não olhei a processos…empreguei tudo quanto há – o açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal”), antecipa a queda da União Soviética (“E você vera o que sai da revolução Russa… qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre…”), também assume-se como um não cristão (“Se eu fosse cristão”).
Esta é uma obra que nos faz pensar em que sociedade vivemos e sobretudo a sua justiça. A obra é, nesta altura, mais actual que há data da sua publicação.
Boa leitura…

sábado, 20 de novembro de 2010

Leite Derramado - Chico Buarque

Natural de umas das mais bonitas cidades do mundo, o Rio de Janeiro, Chico Buarque é músico, dramaturgo e escritor. Foi através da música que Chico saltou para as luzes da ribalta, o seu primeiro disco, editado em 1966, foi um enorme êxito. Em 1974 estreou-se no mundo da literatura com “Fazenda Modelo”, no entanto, só em 1994 é que publicou o seu primeiro romance intitulado “Estorvo”.
Em “Leite Derramado”, uma pessoa com bastante idade e de apelido Assumpção, está numa cama do hospital. Começa assim um monólogo que por vezes é dirigido a filha, outras vezes às enfermeiras e outras a quem o quiser ouvir. Nesses monólogos, que não estão organizados por ordem cronológica, Assumpção conta a história da sua família, recuando até “mil oitocentos e lá vai fumaça”, altura em que o seu avô era “um figurão do império”, também nos dá a conhecer o seu pai “ um republicano de primeira hora, íntimo de presidentes” fala-nos de si e da sua esposa, mas, também de Matilde, sua filha, que por, falta de dinheiro, até o jazigo dos Assumpção vendeu, ainda fala do neto que tanto gostava e que “um dia virou comunista”, contudo, ainda viveu tempo suficiente para conhecer o seu bisneto que viria a morrer todo nu dentro de um motel.
Tendo como pano de fundo a história do Brasil dos últimos 200 anos, o autor mostra-nos não só a decadência dos Assumpção, como o diferente tratamento que receberam os diversos membros da família, por pertencerem a classes sociais diferentes. Este novo romance dá mais força às vozes que reclamam para Chico o Prémio Camões.
Boa leitura…

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Bom Inverno - João Tordo

João Tordo nasceu em Lisboa em 1975. Em 2001 venceu o prémio Jovens Criadores na categoria de literatura e em 2009 foi galardoado com o Prémio Literário José Saramago com o romance “As Três Vidas”. “O Bom Inverno” é o seu quarto romance.
O narrador da história, um jovem escritor português frustrado e hipocondríaco, aceita ir a Budapeste dar uma conferência organizada para escritores europeus. Ao chegar conhece Vicenzo Gentile. Após várias tentativas frustradas, Gentile, convenceu-o a acompanha-lo até há Sabaudia, em Itália, a fim de conhecer Don Metzger, um famoso produtor de cinema que vive numa casa escondida no meio do bosque. Don é conhecido por gostar de reunir na sua casa convidados excêntricos e, também, por todos os anos fazer levantar balões de ar quente estranhamente vazios, construídos por Andrés Basco. D. Metzer não estava em casa quando chegaram, mas foram informados que estaria lá no outro dia de manhã. Após uma noite agitada, ao acordar recebem a notícia de que Don foi encontrado morto no seu próprio lago. Basco, ao saber da notícia, faz refém todos os que se encontravam em casa e avisa que só sairão quando o culpado pelo assassinato se confessar.
Um cadáver dentro de um balão de ar quente; onze pessoas, entre elas uma estrela de cinema e um realizador de filmes pornográficos, reunidas numa casa no meio do bosque e os seus passos a serem vigiados por um homem armado e disposto a matar quem infringisse as regas; pessoas assustadas, frágeis, egoístas que se acusam mutuamente, fazem deste romance um livro enigmático.
Boa Leitura…

domingo, 17 de outubro de 2010

O Padrinho - Mario Puzo


Se fosse vivo, Mario Puzo, teria comemorado noventa anos no passado dia quinze de Outubro. Filho de emigrantes sicilianos que no inicio do século XX partiram para os Estados Unidos da América, viria a nascer na mítica cidade de Manhattan, Nova Iorque. A sua infância foi passada num bairro pobre e violento, este facto influenciou-o bastante quando mais tarde tornou-se escritor. Após ter publicado dois livros em que não obteve grande sucesso junto do público, recebeu uma proposta irrecusável: receberia cinco mil dólares adiantados para escrever um livro sobre a máfia. Em 1969 “O Padrinho” chegava às bancas, tornando-se rapidamente num best-seller, mais tarde a livro foi adaptada ao cinema por Francis Ford Coppola. Puzo morreu a dois de Julho de 1999, tinha setenta e oito anos.
A história decorre entre 1945 e 1955. Nos Estados Unidos o jogo ilegal era uma fonte de grande rendimento, mas só as famílias mais poderosas o controlavam. D. Vito Carleone lidera uma dessas cinco famílias. A droga começa a ser largamente consumida entre a população a as famílias poderosas vêem nela uma oportunidade de expandir os seus lucros. Mas D. Carleone teme os efeitos de entrar nesse negócio e acaba por recusar. Essa recusa leva-o a entrar em guerra com as outras famílias. Nessa guerra, que não tem fronteiras, o autor dá-nos a conhecer o submundo da máfia.
Influências políticas, judiciais e policiais; a honra familiar; o mundo do jogo ilegal; os favores; muitas mortes incluindo das pessoas mais poderosas, fazem de “O Padrinho” um dos melhores romances policiais de todos os tempos.
Boa leitura…



sábado, 2 de outubro de 2010

Pensageiro Frequente - Mia Couto


Filho de portugueses que emigraram para Moçambique em meados do século XX, Mia Couto nasceu na Beira em 1955. É o autor moçambicano mais traduzido no mundo. O seu primeiro romance, “Terra Sonâmbula”, foi considerado em 1995 um dos doze melhores livros africanos do século XX. Em 1999 foi galardoado com o Prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da sua obra. “Pensageiro Frequente” é o seu mais recente livro, nele, o leitor pode encontrar uma compilação dos textos escritos por si na revista Índico, a revista de bordo das Linhas Aéreas de Moçambique.
Ao colaborar com a revista Índico, Mia Couto tinha um objectivo: “Fazer com que o meu país voasse pelos dedos do viajante, numa visita às múltiplas identidades que coexistem numa única nação.” Deste modo, através das suas crónicas, somos levados a conhecer os mais variados locais de Moçambique, mas o autor não nos dá a conhecer apenas isso, pois também fala-nos dos habitantes locais e dos seus costumes. Assim somos convidados a conhecer a Beira, terra natal do escritor. Em Nacala, na praia de Fernão Ferro, vamos visitar as baleias. Para os habitantes de Matutuíne a biodiversidade pode ser uma palavra desconhecida, mas para os biólogos é um lugar único de estudo. Da Ilha de Bazaruto, fala-nos da sua cadeira de dunas e dos crocodilos que habitam as lagoas da ilha. Muitos sítios, muitas histórias deste passageiro em viagem por Moçambique.
“Pensageiro Frequente” porque além de Mia Couto viajar frequentemente pelos mais diversos sítios de Moçambique, não se limita a isso, também faz reflexões sobre os locais por onde passa.
Boa leitura...

sábado, 18 de setembro de 2010

Mataram o Sidónio - Francisco Moita Flores

No ano do Centenário da República, Francisco Moita Flores, recorda uma das figuras mais emblemáticas da 1º Republica, o Presidente Sidónio Paes. “Mataram o Sidónio”, além de ser uma reconstituição histórica de Lisboa no rescaldo da Grande Guerra é, acima de tudo, uma investigação sobre os mistérios que envolveram o assassinato do então Presidente da República.
Decorria o ano de 1918, “a influenza fustigava impiedosamente a cidade desde o inicio de Outubro, lançando o medo e a morte por toda a parte. Por cada dia que se passava, surgiam mais xailes negros pela rua, homens de cenhos carregados de tragédias, e Lisboa, ainda sobre a pressão dos efeitos traumáticos da Grande Guerra, esvaída de fome, gania prantos e mortos breves, tão apressadamente que dir-se-ia que Deus apenas lhes dera vida para que a morte os levasse. Os cemitérios não davam vazão à enchente…”. É neste ambiente hostil que Sidónio Pais toma o poder pela via da força. Amado por uns, odiado por outros, aquele que viria a ser conhecido por Presidente-Rei é assassinado na estação do Rossio a 14 de Dezembro de 1918, contudo, a história do homicídio de Sidónio Pais nunca foi bem explicada. Baseado em documentos da época, Francisco Moita Flores investiga o assassinato do presidente utilizando as técnicas forenses.
Será que o assassinato de Sidónio foi como os jornais de então noticiaram? Ou será que por vezes o que dizemos que vimos com convicção não corresponde à verdade? “Mataram o Sidónio” é uma historia única para um romance que se lê num folgo.
Boa leitura…

sábado, 4 de setembro de 2010

A Cidade e as Serras - Eça de Queirós

No passado dia 16 de Agosto, fez cento e dez anos que Eça de Queiroz faleceu. Natural da Povoa de Varzim, nasceu a 25 de Novembro de 1845. Fez os primeiros estudos no Porto mas foi em Coimbra que se formou em Direito. Mais tarde, em 1870, passou a ser cônsul português em Havana, exerceu a mesma profissão em Newcastle, Bristol, e a partir de 1888 em Paris, cidade em que viria a falecer, tinha na altura cinquenta e quatro anos. São vários os seus livros que são hoje considerados clássicos da literatura. “Os Maias” é um livro obrigatório na disciplina de Português de 11º ano. “A Cidade e as Serras” é um romance escrito nos seus últimos anos de vida e publicado apenas um ano após a sua morte.
"O Homem pensa ter na cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria.” Jacinto era um representante típico das novas elites que em Paris, nos finais do século XIX, acreditavam na civilização do luxo e da razão soberana, contudo, José Fernandes, amigo desde infância de Jacinto, ao ir viver para o celebre 202 dos Campos Elísios, começa a verificar que este “sofre de fartura”, pois todo aquele luxo, toda aquela civilização já não o faz feliz. Jacinto parte para Portugal, para a aldeia de Tormes, com o pretexto de transladar os restos mortais de seus avós. Ao chegar apaixona-se pela serra e nunca mais volta a Paris.
Se no início da sua vida Jacinto apenas acredita que se pode ser feliz no luxo da cidade, é na serra que constitui família e acaba por ser feliz. Na aldeia ainda passa a ser conhecido como “pai dos pobres”.
Boa leitura…

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Luís Lourenço - Mourinho a Descoberta Guiada


Amigo próximo de José Mourinho á várias décadas, Luís Lourenço é o autor dos únicos dois livros oficiais do treinador português. As suas obras encontram-se traduzidas em inglês, japonês, grego, turco e italiano. O seu mais recente trabalho, “Mourinho a Descoberta Guiada”, além de contar com a participação do próprio José Mourinho, contou ainda com a colaboração especial de Didier Drogba, Deco, Vitor Baía e Jorge Costa jogadores carismáticos que foram liderados pelo treinador natural de Setúbal.
O autor explica-nos de uma forma simples e prática todos os principais factores que fazem de Mourinho um líder reconhecido mundialmente e ajuda-nos a compreender como é que esses mesmos factores podem ser aplicados ao mundo das empresas e das organizações em geral. Motivação e liderança; definição de estratégias e alinhamento de objectivos; potenciar o trabalho de equipa para a obtenção de elevado rendimento; colocar o interesse da equipa acima de interesses individuais; são temas abordados ao longo do livro.
Mourinho dá alguns exemplos: para ele não á jogos fáceis, por isso, todos os jogos são preparados da mesma forma. Acredita que os jogadores só podem jogar no limite se treinarem no limite. Também, apenas acreditando intrinsecamente que se ganha é que se pode ganhar. Crê ainda, que um líder moderno não se posiciona no “topo da pirâmide”, mas sim no centro do círculo. Partindo destes exemplos, entre outros, Luís Lourenço explica-nos como a forma de liderança de Mourinho pode ser aplicada no mundo empresarial.
Boa leitura…

domingo, 8 de agosto de 2010

Valter Hugo Mãe - a máquina de fazer espanhóis




               Aos 38 anos, “a máquina de fazer espanhóis” é o quarto romance de Valter Hugo Mãe. Natural de Saurimo, em Angola, o autor vive actualmente em Vila do Conde. Faz da sua forma de escrever uma “imagem de marca” pois nunca utiliza as maiúsculas nos seus trabalhos. Segundo o autor, com isso, consegue estar mais próximo do modo como falamos, pois as pessoas não falam com maiúsculas. Em 2007 foi galardoado com o Prémio Literário José Saramago.
              “a laura morreu, pegaram em mim e puseram-me no lar com dois sacos de roupa e um álbum de fotografias. foi o que fizeram. depois, nessa mesma tarde, levaram o álbum porque achavam que ia servir apenas para que eu cultivasse a dor de perder a minha mulher. depois, ainda nessa mesma tarde, trouxeram a imagem da nossa senhora de fátima e disseram que, com o tempo, eu haveria de ganhar um credo religioso, aprenderia a rezar e salvaria assim a minha alma.” E foi assim que o senhor Silva chegou ao “feliz idade”, nome que tinha o lar para onde foi viver. Esta é uma história trágica e divertida de alguém, que aos 84 anos, vê toda a sua vida transformada após a morte da “mulher que amou e com quem partilhou tudo durante meio século.”
               Um livro polémico e bastante corajoso onde o autor critica os lares (“feliz idade, assim se chama o matadouro para onde foi metido”), critica também a crença em Fátima e em Deus (“não há nossa senhora, não há deus, e fátima é só um lugar onde as pessoas ficaram doentes da cabeça”), fala da nossa história, mas é, sobretudo, uma crítica a sociedade actual e ao modo como lidamos com os nossos idosos.
Boa Leitura…

sábado, 17 de julho de 2010

Manuel Alegre - O Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua


Natural de Águeda, Manuel Alegre nasceu a 12 de Maio de 1936. Estudou em Lisboa, no Porto e na Faculdade de Direito de Coimbra. Em 1963 foi preso pela PIDE, onde esteve seis meses na Fortaleza de S. Paulo, em Luanda. Foi vice-presidente da Assembleia da República de 1995 a 2009. A sua obra inclui romances, contos, ensaios, mas é, sobretudo, a poesia que caracteriza o autor. São vários os prémios literários conquistados por si, entre os quais se destaca o Prémio Pessoa.
“Um livro é como uma estrada, muitas são as curvas, ora avança ora recua.” Com este seu novo trabalho, Manuel Alegre, avança e recua no tempo para nos contar histórias e aventuras da sua vida. De uma dessas histórias nasceu o nome do livro, o Miúdo que Pregava Pregos numa Tábua, contudo, o autor avisa-nos logo no início da obra que “ninguém ao certo sabe quem é nem se o que foi chegou a ser ou se é fruto da imaginação ou de algo que alguém contou não se sabe quando nem a quem”, por isso, fica a incerteza no ar, será que as histórias narradas no livro foram reais ou fruto da sua imaginação? Real, foi a promessa que nos revelou, “de dez em dez anos se olhará assim naquele ou noutro espelho para saber se será sempre o mesmo ou se o que parecerá sempre não poderá ser afinal outro. No rosto e no resto.”
Será que o miúdo que pregava pregos numa tábua seria o mesmo, agora mais velho, que ganharia corridas de natação? Ou o mesmo que queria continuar os Lusíadas? Também seria esse miúdo, que mais tarde em Paris no escaldante ano de 1968 descobriu que todos nós somos exilados políticos?
Boa leitura…

sábado, 4 de abril de 2009

O Perfume História de um Assassino - Patrick Suskind


Patrick Suskind completou 60 anos no passado dia 26 de Março. Considerado controverso pela maioria da crítica, raramente dá entrevistas ou aparece em público, preferindo levar uma vida isolada.
“O Perfume, História de um Assassino” foi publicado pela primeira vez em 1985, a livro faz parte do Plano Nacional de Leitura e conta com cerca de 20 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo.
O estranho enredo passa-se no século XVIII e é fruto de um extraordinário trabalho de reconstituição histórica que consegue captar plenamente os ambientes da época tal como as mentalidades.
Jean-Baptiste Grenouille é o nome da personagem que provoca nojo, ódio, pena e admiração. Um parisiense que veio ao mundo no meio das tripas de peixes, atrás de uma barraca de feira. Possuía o nariz mais sensível do mundo, capaz de detectar as mínimas nuances de odores de qualquer tipo, em qualquer lugar, em qualquer situação. Mas que, ao contrário de todos, não possuía um cheiro corporal próprio.
Grenouille um dia encontra uma jovem, com um perfume totalmente diferente de todos os outros milhares de perfumes que ele guardava na memória, e acabará por matá-la, com as suas próprias mãos, de tanto desejar apoderar-se do seu odor. Mas, esta jovem é apenas uma das muitas jovens que o protagonista acaba por matar em busca do perfume perfeito.
Desde o momento inicial da leitura, somos carregados ao longo das páginas pelo mais primitivo dos nossos sentidos, o cheiro. A história é tão envolvente e bela que nos esquecemos que é retratada a história de um assassino.
Boa leitura…

domingo, 15 de março de 2009

Cem Anos de Solidão - Gabriel Garcia Marquez

No passado dia 6 de Março, Gabriel Garcia Marquez completou 82 anos. Protagonista de uma carreira de sucesso é um dos autores latino-americanos mais vendidos em todo o mundo.
Em 1982 a Academia Sueca reconhecia o valor de Gabo, nome pelo qual os amigos o tratam, atribuindo-lhe o Premio Nobel da Literatura.
O autor Colombiano trabalhou 14 meses consecutivos até terminar “Cem Anos de Solidão”. A obra foi publicado pela primeira vez na cidade de Buenos Aires em Maio de 1967, desde ai já vendou mais de 30 milhões de exemplares. Actualmente está traduzida em todas as línguas do mundo.
O livro desenrola-se na mítica cidade de Macondo, lugar remoto do interior da Colômbia, e conta a história da família Buendía durante um século. Pode ser entendido como uma alegoria da América Latina.
Um comboio carregado de cadáveres, uma população inteira que perde a memória, mulheres que se trancam por décadas numa casa escura, homens que arrastam atrás de si um cortejo de borboletas amarelas. Muitas guerras e revoluções. A corrupção, as catástrofes, a loucura e inúmeros elementos maravilhosos fazem de “Cem Anos de Solidão”uma fábula de uma sociedade miserável e grandiosa.
Muitos falam da necessidade de se ler “Cem Anos de Solidão” com um bloco de apontamentos ao lado, com o intuito de se traçar a árvore genealógica da família Buendía, no entanto, a real essência está em ver a história além das suas personagens e entender o círculo que se fecha ante às previsões de um fim anunciado.
Como Pablo Neruda um dia disse “este é o melhor livro escrito em castelhano desde Quixote.”
Boa leitura…

quinta-feira, 5 de março de 2009

Estrela Errante - J. M. G. Le Clézio


Jean-Marie Gustave Le Clézio é um autor Francês que até ao passado mês de Outubro não era conhecido pela maioria dos portugueses.
“Estrela Errante” foi publicado pela primeira vez no nosso país em 1994, ficando apenas pela primeira edição. Após ter sido conhecida a atribuição do Premio Nobel da Literatura de 2008 a Le Clézio o livro foi novamente publicado em Portugal.
Verão de 1943, em França uma jovem rapariga judia vê-se obrigada a fugir da perseguição das tropas lideradas por Hitler. Juntamente com a mãe e com outros Judeus, Ester parte pelas montanhas, iniciando assim uma fuga pela sobrevivência. Todos têm o mesmo sonho, chegar á terra que na Europa dizem ser a sua, chegar a “Eretz Israel”.
Terminada a guerra e depois de ter estado em vários lugares e passado bastantes sofrimentos, parte finalmente a bordo do “Sette Fratelli” para o jovem Estado de Israel.
Passado alguns dias, a jovem judia segue numa coluna de camiões para Jerusalém. Numa das paragens que fazem no caminho para descansar, Ester vê um grupo de palestinianos a caminhar. Desse grupo uma rapariga bastante jovem aproxima-se de Ester, “tirou do bolso do casaco um caderno em branco com capa de cartão preto … escreveu assim o seu nome em letras maiúsculas: NEJMA. Estendeu o caderno e o lápis a Ester para que ela escrevesse também o seu… por fim sem pronunciar qualquer palavra, voltou para o grupo de refugiados que se afastava.”
Ester e Nejma, a judia e a palestiniana, nunca mais deixaram de pensar uma na outra.
Um livro que retrata o absurdo da guerra e o sofrimento tanto de judeus como de palestinianos, povos que tem sido humilhados por causa da desumanidade de muitos líderes mundiais.
Boa leitura…

After Dark, Os passageiros da Noite - Haruki Murakami


Haruki Murakami é um escritor japonês, nasceu em Quioto no ano de 1949. Em Portugal já foram publicadas diversas obras que, em conjunto, venderam mais de 100.000 exemplares.
A história que o autor nipónico conta-nos ao longo do livro “After Dark Os Passageiros da Noite” tem a duração de uma noite, decorre entre as 23:55 e as 05:50. O enredo tem lugar em Tóquio. Murakami constrói um ambiente poético, sombrio na fronteira entre o real e o surreal.
Meri e Eri são irmãs, no entanto são bem diferentes. Eri é extremamente bonita, desde muito cedo já tinha convites de revistas para ser fotografada. Meri é estudante, não tão bonita como a irmã mais velha, além disso, têm personalidades diferentes.
Apesar de Meri não ter uma relação muito próxima com a irmã, está preocupada com o seu estado, pois Eri há cerca de dois meses que está a dormir no seu quarto, ambas não sabem que Eri está a ser observada por alguém. Meri, ao contrário da irmã não tem sono, para passar as horas, deixa-se mergulhar num ambiente diferente daquele que esta habituada a frequentar, ai encontra personagens insólitas: uma prostituta chinesa vitima de agressão, um músico que já conhecia, a gerente de um hotel do amor, um técnico informático psicopata e uma empregada de limpezas em fuga.
Para enriquecer ainda mais o trabalho, o autor aborda ao longo do livro temas contemporâneos como o malefício do tabaco, o problema da comida fast-food, a prostituição e a sua organização, a pena de morte ou os crimes económicos e políticos.
Uma obra que debruça-se sobre a sociedade actual, consumista, capitalista em que as relações humanas são muitas vezes esquecidas.
Boa leitura…

sábado, 24 de janeiro de 2009

Palestina: Paz Sim. Apartheid Não - Jimmy Carter


Jimmy Carter, autor de “ Palestina: Paz Sim. Apartheid Não” foi o 39º presidente dos Estados Unidos (1977-1981).
Depois de deixar o cargo, fundou com a mulher, Rosalynn, o Centro Carter, organização sem fins lucrativos que procura prevenir e resolver conflitos, fomentar a liberdade e a democracia e melhorar a saúde em todo o mundo. Em 2002,a academia Sueca reconheceu “as décadas de esforços incansáveis no sentido de encontrar soluções pacíficas para conflitos internacionais”, atribuindo-lhe assim o Premio Nobel da Paz.
Neste livro, partilha o seu conhecimento pormenorizado da história do Médio Oriente e as suas experiências pessoais com os protagonistas da região e analisa as questões políticas mais sensíveis que muitos dirigentes e altos funcionários americanos têm evitado.
Para o Premio Nobel da Paz, o muro construído na Margem Ocidental funciona como prisão e impõe um sistema de apartheid entre árabes e judeus.
Segundo Carter, não haverá uma paz justa e duradoura na região enquanto, “alguns israelitas acreditarem que têm o direito de confiscarem e de colonizarem a terra pertencente aos árabes e tentam justificar a opressão e a perseguição dos palestinianos, que se sentem crescentemente desesperados e ofendidos, e alguns palestinianos respondem com elogios e honras aos bombistas suicidas, vendo-os como mártires que devem ser recompensados no céu e considerando como vitorias as mortes de israelitas”.
Este é um livro corajoso, polémico que nos desafia e nos faz pensar.
Boa leitura…

A Razão dos Avós - Daniel Sampaio


Daniel Sampaio nasceu em Lisboa em 1946. É, além de escritor, um consagrado psiquiatra. Em 1997, tornou-se professor da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Autor de diversos livros de sucesso, em que se destacaram “Inventem-se Novos Pais”que já vai na 15 º edição e “Vagabundos de Nós”, obra que em 2004 foi adaptada ao teatro.
O seu mais recente livro tem como titulo “A Razão dos Avós”e já conta com mais de 60.000 exemplares vendidos em Portugal.
O seu novo trabalho questiona o papel dos avós na actual sociedade. Serão transmissores de afectos sem regras ou, pelo contrário, a garantia da continuidade da família? Os valores que cimentam a história de uma geração devem ser esquecidos ou, pelo contrário, transmitidos aos mais novos? Como se pode educar nos tempos de hoje, em que alguns reclamam mais autoridade e outros parecem recear a palavra? Estes são algumas das razões discutidas no livro.
Ao partir de uma pesquisa aprofundada sobre as suas próprias raízes familiares, Daniel Sampaio centra-se no papel dos avós no quotidiano familiar.
Na opinião do escritor, numa sociedade onde os pais têm cada vez menos tempo para estar como os filhos, quando verificamos que em cada 100 casamentos 48 acabam em divórcio, são os avós, muitas vezes, que permitem a continuidade da família e são os garantes dos valores familiares que asseguram o futuro.
Sampaio conclui, “a razão é dos avós, porque são aqueles que a experimentaram na vida e a souberam organizar com evolução dos tempos: mesmo quando não têm estudos, trazem sabedorias e sabem como devem educar. E não «estragam» ninguém com o seu amor: gratificam mas também disciplinam.”
Um livro para ser lido por toda a família.
Boa leitura.

sábado, 10 de janeiro de 2009

O Novo Paradigma Para Os Mercados Financeiros - George Soros


O mais recente livro de George Soros, trata de um tema que está na ordem do dia, a crise dos mercados financeiros e as suas implicações.
Soros é conhecido pelas suas actividades enquanto especulador, chegando a ganhar 1 Bilião de dólares num único dia ao prever a desvalorização da libra, também é famoso pela sua actividade filantrópica, no entanto, ganhou ainda mais projecção internacional ao doar montantes elevados para tentar que o Presidente George W. Bush não fosse reeleito em 2004.
Apesar do grande sucesso como investidor, o autor de “O Novo Paradigna Para os Mercados Financeiros” quer ser lembrado como um grande filósofo.
O novo livro é um corolário das ideias que Soros vem reunindo há mais de uma década. Depois de se tornar bilionário escreveu vários livros batendo sempre na mesma tecla: a imperfeição dos mercados financeiros e a iminência de uma grande crise global.
Soros põe em causa os pressupostos da concorrência perfeita mas, ainda mais os do conhecimento perfeito “O paradigma actual, nomeadamente aquele que afirma que os mercados financeiros tendem para o equilíbrio, é tão falso como enganador.” O autor propõe assim um novo paradigma, a teoria da reflexividade.
O modelo que defende (teoria da reflexividade) baseia-se na relação entre o pensamento e a realidade “Eu analisei a relação entre pensamento e realidade introduzindo duas funções que conectam em direcções opostas.” Soros conclui “os equívocos e as interpretações erradas têm um papel essencial na moldagem do curso da história.”
Um livro fundamental para percebermos como chegámos há actual crise financeira.
Boa leitura…

A Lâmpada de Aladino - Luis Sepúlveda



O novo livro de Luis Sepúlveda “A Lâmpada do Aladino e outras histórias para vencer o esquecimento” marca o regresso do autor ao mundo da ficção.
Autor de diversos livros de sucesso, onde se destacou O Velho que Lia Romances de Amor, o escritor chileno é um dos autores Sul-Americanos mais acarinhados pelos leitores portugueses, a prová-lo está o novo livro já encontrar-se na 3ª edição. O mesmo foi editado pela primeira vez a 28 de Outubro de 2008.
“Enquanto os nomearmos e contarmos as suas histórias, os nossos mortos nunca morreram,”diz a certa altura uma personagem. Foi precisamente para resgatar do esquecimento momentos, lugares e existências irrepetíveis que o autor escreveu o seu livro. Sepúlveda é um “contador de histórias”, como se auto-reconhece.
O autor leva-nos por várias viagens, desde o calor do Carnaval do Rio de Janeiro ao frio da Patagónia e de Hamburgo, da recôndita fronteira do Peru, Colômbia e Brasil, à capital do seu país, Santiago do Chile ou a nova biblioteca de Alexandria no Egipto.
Ao lermos “A Lâmpada de Aladino” descobrimos, como por magia, treze magníficos contos.
Um bom presente de natal para quem gosta de viver bons momentos.
Boa leitura…

A Viagem do Elefante - Jose Saramago


Partindo de uma história real, o novo livro de José Saramago conta a história da viagem de um elefante indiano, que já se encontrava em Portugal á dois anos e que foi oferecido pelo Rei João III ao seu primo, o arquiduque Maximiliano da Áustria, genro do imperador Carlos V. A caminhada aconteceu no século XVI entre Lisboa e Viena.
No entanto, o autor ressalva: “Aquilo que deu sentido, literariamente falando, há vida do elefante e sem a qual provavelmente o livro não teria existido é o final da vida do elefante. Se quando o elefante morre não lhe tivessem cortados as patas dianteiras para fazer delas bengaleiros, provavelmente o livro não tinha sido escrito.”
Com base nesses escassos elementos históricos e sobretudo valendo-se da sua poderosa imaginação, o vencedor do Premio Nobel da Literatura de 1998 escreveu o seu novo livro - A Viagem do Elefante.
Para além do livro ter mais de 250 páginas, o autor prefere chamar-lhe conto em vez de romance “porque falta uma história de amor”, Saramago ironiza “o elefante não conhece nenhuma elefanta no caminho.”
Porque todos nós um dia perdemos as “patas dianteiras”, o conto A Viagem do Elefante é um livro a não perder
Boa leitura…