Alice Vieira é um nome incontornável no panorama da literatura em Portugal. O seu trabalho distingue-se sobretudo na literatura infanto-juvenil. Entre vários prémios conquistados, destaca-se o Grande Prémio Gulbenkian, galardão que foi-lhe entregue em 1994 e que distingue o conjunto da sua obra. “O Livro da Avó Alice” é o seu mais recente trabalho.
Logo no início do livro a autora avisa: “Isto não é o manual da boa avó”, “não vou teorizar sobre coisa nenhuma, não sou psicóloga nem descobri a pólvora, nem sequer vou escrever um tratado sobre a arte de ser avó”. Então o que se pode esperar deste livro de Alice Viera? “Vou apenas abrir a porta da minha casa, e deixar entrar os leitores, e esperar que partilhem e se divirtam com as nossas brincadeiras”.
“É da tradição que as avós tenham todo o tempo do mundo para os netos” contudo os tempos mudaram e hoje em dia as avós “tal como as mães, trabalham fora de casa” algumas “até têm namorados”. É da actual geração de avós que Alice Vieira fala-nos. “Nas últimas décadas, tudo mudou. O mundo não é o mesmo. As crianças não são as mesmas. E nós também não”. Ao longo do livro, não deixa de criticar certos aspectos, como o facto de as crianças estarem a ser educadas por ecrãs (“ Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia.”), também alerta para o excesso de actividade que as crianças têm (“E quando é que as crianças ouvem as moscas”). Mas, não entra em revivalismos, (“por isso, avós minhas amigas!, que nem vos passe um segundo sequer pela cabeça murmurar a frase, entre todos fatídica, ah no meu tempo”) e não deixa de frisar que os netos também ajudam as avós a adaptar-se aos tempos modernos ( E os nossos netos ensinam-nos também – e não é pouco! – a viver no seu tempo”).
Com uma escrita simples e bastante agradável, este é sem dúvida um livro para ser lido por avós, pais e netos.
Boa leitura…
