Fez 75 anos no passado dia 30 de Novembro que Fernando Pessoa nos deixou. Nasceu a 13 de Junho de 1888. É considerado um dos melhores escritores Portugueses de todos os tempos. Pessoa destaca-se sobretudo na poesia. Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Alberto Caeiro são alguns dos heterónimos que utilizava.
“ Tínhamos acabado de jantar. Defronte de mim o meu amigo, o banqueiro, grande comerciante e açambarcador notável, fumava como quem não pensa.” É desta forma que começa “O Banqueiro Anarquista”. Mas como pode um Banqueiro acreditar ser uma pessoa totalmente livre, vivendo sem ordens, não acreditando nem em sistemas nem em governos? Pessoa critica a sociedade e os sistemas inventados por esta que são para si ficções sociais (“a gente nasce homem ou mulher…não nasce, em boa justiça natural, nem para ser marido, nem para ser rico ou pobre, como também não nasce para ser católico ou protestante ou português ou inglês.”) Publicado há mais de oitenta anos, “O Banqueiro anarquista” antecipa a falta de valores que levaram à crise actual, (“ganhei muito dinheiro…não olhei a processos…empreguei tudo quanto há – o açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal”), antecipa a queda da União Soviética (“E você vera o que sai da revolução Russa… qualquer coisa que vai atrasar dezenas de anos a realização da sociedade livre…”), também assume-se como um não cristão (“Se eu fosse cristão”).
Esta é uma obra que nos faz pensar em que sociedade vivemos e sobretudo a sua justiça. A obra é, nesta altura, mais actual que há data da sua publicação.
Boa leitura…