Decorria o ano de 1985. O Chile vivia sobre a
ditadora militar do general Pinochet, umas das mais duras que a América Latina
conheceu. Nos doze anos de ditadura que tinha decorrido até então, Pinochet tinha
provocado quarenta mil mortos, dois mil desaparecidos e mais de um milhão de exilados.
O país vivia um novo estado de sítio, todos os dias as sirenes assinalavam a
hora do recolher obrigatório. É nestas condições que Miguel Littín, realizador
de cinema e exilado político chileno, decide entrar no país para “filmar
clandestinamente um documentário sobre a realidade do Chile”.
Gabriel Garcia Marquez, Prémio Nobel da Literatura
1982, já então um dos autores mais respeitados em todo o mundo, ao ouvir a
história contada pelo próprio Miguel Littín aproveita a sua grande projeção
mundial para dar uma ajuda ao povo chileno. Assim nasceu este livro, uma
aventura verdadeira em que o autor tentou ser o mais realista possível.
“Eu, Miguel Littín, filho de Hernán e de Cristina,
realizador de cinema e um dos cinco mil chilenos com proibição de regressar,
estava de novo no meu país, ao fim de doze anos de exílio, embora ainda me
encontrasse exilado dentro de mim próprio: usava uma identidade falsa, um
passaporte falso e até uma esposa falsa.”
As mudanças constantes de hotéis por razões de
segurança, as entrevistas a dirigentes da oposição que viviam na clandestinidade,
as filmagens dentro do Palácio La Moneda onde Pinochet trabalha, ou a
inesperada visita à sua mãe, onde esta não o reconheceu, são apenas algumas das
aventuras que teve durante as seis semanas que permaneceu no Chile.
“Assumi a estranha condição de exilado dentro do
meu próprio país, que é a mais amarga forma de exílio.”
Entre muitas coisas, Miguel Littín filmou um país
onde as pessoas tinham medo de falar, onde o trabalho escasseava e a fome
abondava, onde era preciso autorização para filmar na rua, onde os mineiros
tinham péssimas condições de trabalho.
“Este não é o feito mais heroico da minha vida mas
sim o mais digno”
Um livro cheio de histórias e aventuras e com a
incontornável qualidade literária de Garcia Marquez.
Boa leitura…
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