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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pensar 2011 com o olho em 2012


Do ponto vista literário, em 2011 descobri Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes, os dois autores portugueses vivos que mais gosto.
Foi também um ano em que senti bastante saudade dos “Cadernos de Saramago”. Muitas vezes, foi através da escrita do Nobel Português que apercebi-me das maiores atrocidades que o ser humano é capaz de fazer, assim como do inverso.
No que se refere à parte económica, 2012 será um ano terrível. Julgo que poucas dúvidas restam a esse ponto, mas a vida também tem outras coisas e cabe aproveita-las para tornar 2012 um ano menos difícil.
O que desejo para 2012? Continuar a ser feliz como o foi até hoje. Desejo o mesmo a todos, que sejam felizes no próximo ano.  

José Saramago em O Evangelho Segundo Jesus Cristo

"O tempo dos milagres ou já passou ou ainda está para chegar."


Sugestões e citações de livros de José Saramago:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

10.000 visitas. Obrigado a todos os que passaram por cá.

Número total de visualizações de página

Sparkline 10,000

Quando comecei este blog, julgava inalcansavel as 10.000 visitas. Hoje sei que não é muito, existe blogues que têm essas visitas em 1 mês. No entanto 10.000 visitas são 10.000 visitas e deixa-me contente. 
Obrigado a todos os que passaram por cá.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Endereço Desconhecido - Tiago Salazar

Existem muitos livros que são adaptados ao formato televisivo. Endereço Desconhecido de Tiago Salazar foi um programa exibido na RTP2 que posteriormente deu lugar a um livro. Ao longo das páginas somos convidados a conhecer os últimos países que aderiram à União Europeia, são eles: a Bulgária, Roménia, República Checa, Eslovénia, Eslováquia, Lituânia, Letónia, Estónia, Polónia, Hungria, Chipre e Malta.
Tiago Salazar leva-nos aos sítios mais emblemáticos de cada país. De uma forma muito cosmopolita, somos convidados a conhecer os museus, os restaurantes, os hotéis, e os sítios históricos desses países.
A título de exemplo, na República Checa, somos convidados a conhecer a Ponte Carlos e o Castelo da mítica cidade de Praga, também descobrimos o sítio onde o grande escritor Franz Kafka viveu alguns anos. Em Bratislava, na Eslováquia ficamos a conhecer o restaurante Ufo onde “além da excelência do restaurante, da vista e do concílio entre os povos, o preço é excepcional.” Na Lituânia entrevista Arunas Matelis, “o maior documentarista da história lituana.” Nesse país mostra-nos também o Monte das Cruzes, “uma floresta de milhões de cruzes que se espalha a perder de vista para os montes e vales em redor.” Em Liepaja, na Letónia fala-nos de um espectacular resort, situado à beira mar, era um antigo posto militar. Na Estónia encontra o escritor português João Lopes Graça. Na Hungria leva-nos a visitar o Lago Balaton, “o maior lago doce da Europa.”
No entanto, não posso deixar de alertar que este é um livro extremamente elitista, muitos dos sítios visitados são demasiado caros (ex. resort, restaurantes, bares típicos, hotéis), além disso, a maioria das entrevistas que faz, e são muitas ao longo do livro, são banais, por exemplo, na Estónia entrevista um antigo ministro dos negócios estrangeiros e apenas faz-lhe duas perguntas. Já vi alguns dos programas televisivos, na minha opinião, não sendo o programa uma raridade, é bem melhor que o livro.
Todos estes países ainda são endereços desconhecidos para muitos portugueses, a leitura do livro é uma outra forma de viajar até esses países.

            Boa leitura…

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

José Saramago - Ensaio Sobre a Lucidez


Os tornados são fenómenos meteorológicos pouco frequentes no nosso país. O livro que acabo de tem a força de um tornado, mas dos mais violência que a história registou. Em pouco mais de 300 páginas, Saramago mostra-nos como é a actual democracia e como todos nos somos responsáveis por está situação.
Se chegamos à situação que o país se encontra, deve-se muito a falta de consciência das nossas populações. Não foram só os políticos, os banqueiros, ou os especuladores que nos levaram há actual crise. Não tivemos consciência e portanto somos todos responsáveis. Acho que essa é uma das principais mensagens a reter em Ensaio Sobre a Lucidez.

Sugestões e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago


domingo, 4 de dezembro de 2011

Herta Muller - A Terra das Ameixas verdes


De origem Alemã, Herta Muller nasceu em Nitchidorf na Roménia. Em 1987, na altura com 34 anos, saiu da Roménia pois a ditadura de Ceausescu proibiu-a de publicar no seu país, a partir dai, viveu sempre em Berlim. Após vários prémios internacionais foi galardoada em 2009 com mais importante prémio literário, o Nobel da Literatura.
“A Terra das Ameixas Verdes” pode ser interpretado como um livro político, pois as personagens personificam muitos dos Romenos que foram oprimidos pelo regime comunista, delas apenas o primeiro nome sabemos, do narrador nem isso, contudo, Muller não cria personagem heróicas, no inicio do romance Lola suicida-se pois não conseguiu resistir à perseguição que foi submetida, a narradora encontra em Georg, Edgar e kurt amigos na resistência contra as atrocidades que ambos vão passando. Ao longo do livro, a escritora vai descrevendo o sofrimento passado pelos jovens, como por exemplo, ver as suas correspondências serem interceptadas pela polícia, o racismo existente no país ou ainda serem submetidas a diversas formas de tortura e inclusivamente serem presos. Ambos alimentam a esperança de fuga, que por vezes é encontrada depois de atravessar o Danúbio, outras através de actos como o que Lola cometeu.
Um livro de palavras difíceis e duras, em que a frontalidade de Hertha Muller transforma este livro num grito de todos os desapontados e oprimidos que pelo mundo fora vivem em regimes ditatoriais e são submetidos física e psicologicamente às piores atrocidades que um ser humano pode ser submetido.
Boa leitura…

sábado, 3 de dezembro de 2011

Aravind Adiga em O Tigre Branco




"Senhor primeiro-ministro, não lhe terei a dar nenhuma novidade se lhe disser que a história do mundo é a história duma guerra de dez mil anos entre os cérebros dos ricos e dos pobres."



Sugestões e citações de livros de Aravind Adiga:

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

José Saramago em Ensaio sobre a Lucidez



Sobre o número da grave geral de ontem

"Se ainda cá estivessem os aritméticos da polícia diriam que, ao todo, não eram mais de cinquenta mil pessoas, quando o número exacto, o número autêntico, porque o contámos todas, uma por uma, era dez vezes maior."


Sugestões de leitura e citações de livros de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Jose%20Saramago

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Gabriel García Márquez em Cem Anos de Solidão

   


Infelizmento, tanto nas guerras como na política só se luta pelo pode...

      “- Quer dizer – sorriu o coronel Aureliano Buendía quando terminou a leitura – que só estamos a lutar pelo poder.
            - São reformas tácticas – replicou um dos delegados. – Por agora, o essencial é dilatar a base popular da guerra. Depois se verá.
            Um dos assessores políticos do coronel Aureliano Buendía apressou-se a intervir.
            - É um contra-senso – disse. – Se estas reformas são boas, quer dizer que o regime conservador é bom. Se com elas conseguimos dilatar a base popular da guerra, quer dizer que o regime tem uma imensa base popular. Quer dizer, em resumo, que durante quase vinte anos estivemos a lutar contra os sentimentos da nação.
            Ia prosseguir, mas o coronel Aureliano Buendía interrompeu-o com um gesto. «Não perca tempo, doutor», disse. «O que importa é que a partir deste momento só lutamos pelo poder.»(…)
            (…) Os seus homens entreolharam-se consternados.
            - Perdoar-me-á, coronel – disse suavemente o coronel Gerineldo Márquez -, mas isto é uma traição.
            O coronel Aureliano Buendía deteve no ar a pena já com tinta e descarregou sobre ele o peso da toda a sua autoridade.
            - Entregue-me as suas armas.
            (…)
            - Fica à disposição dos tribunais revolucionários.”

Sugestões de leitura e citações de livros de Gabriel García Márques:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/Gabriel%20Garc%C3%ADa%20M%C3%A1rquez

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Madeira: um deputado vota por 25

Parece que na Madeira um deputado pode agora votar por 25.
Deste já aplaudo está medida, os deputados do PSD Madeira estão sempre muito ocupados com os seus negócios particulares, os orçamentos que as suas empresas têm de dar para as obras serem adjudicadas por ajuste directo retiram-lhes muito tempo, além disso, têm que ter férias como qualquer cidadão nacional, por isso temos que ser solidários e compreender a medida.
Qualquer dia o parlamento da madeira vai aprovar uma lei, onde apenas seja legal existir um partido político, para não haver surpresas.
Se alguma coisa que disse em cima for mentira, também não faz mal. O deputado do PSD Madeira disse em pleno plenário que esta medida (de um deputado poder votar por outros) era actualmente aplicada no parlamento europeu, o que é mentira. Mas também o que podemos esperar de um político que não seja a mentira?


Desenvolvimento da noticia:
http://www.tvi24.iol.pt/politica/madeira-psd-deputados-tvi24/1301636-4072.html


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ética para o Novo Milénio - Dalai Lama

Tenzin Gyatso, é o 14º Dalai Lama. Líder espiritual dos Tibetanos, sempre lutou pela autonomia do Tibete, contudo, defendeu uma luta através de processos pacíficos. O seu trabalho na defesa da paz é reconhecido à escala global, em 1989 foi-lhe atribuído o Prémio Nobel da Paz e conta com mais de 100 títulos Honoris causa. “Ética Para o Novo Milénio” é para muitos um dos seus livros mais marcantes.
Uma das respostas que o ser humano sempre procurou é “como ser feliz”. Segundo o autor, existe uma grande confusão no ser humano, que o faz pensar que é através dos bens materiais que conquista a felicidade, no entanto, a felicidade conquista-se através da compaixão, do amor, da paciência, da tolerância, da noção de responsabilidade e da harmonia, entre outros factores.
No mundo ocidental são cada vez mais os que recorrem a tranquilizantes, em contrapartida, nas sociedades menos desenvolvidas esse tipo de fármacos não é tão procurado e as pessoas tendem a ser mais felizes. Para Dalai Lama este aspecto deve-se, sobretudo, ao facto de dedicarem mais tempo uns aos outros.
Para o monge budista, mais importante do que ser um crente religioso é ser um bom ser humano. “Ética Para o Novo Milénio” não impõe uma prática diária como alguns tipos de livros de auto-ajuda, Tenzin Gyatso afirma que, também ele, algumas vezes tem comportamentos pouco éticos. É sim, um livro que nos ensina a sermos melhores e, com isso, mais felizes.
Boa leitura…

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Afinal a crise não existe...

Pagamos mais de um milhão para o Queiroz ir embora, ouve quem disse-se que nunca mais lá íamos, ouve o caso do desertor/mercenário, ouve ainda quem afirma-se “É pá, não estás a treinar os juniores.”
Mas ontem parece que não havia crise, voltou a haver orgulho em ser português, a Portuguesa foi cantada várias vezes, e sempre de uma forma muito sentida.
No tempo de Salazar Portugal era Fado, Fátima e Futebol, agora o que será?
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Saramago completava hoje 89 anos...


Estou a ler o Ensaio Sobre a Lucidez, cada vez tenho mais a certeza de uma coisa: Saramago não tem bons livros, ou são muito bons, ou simplesmente são obras de arte.
Este pequeno video bem podia servir de introdução ao Ensaio Sobre a Lucidez.
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Sugestão de leitura e citações de livros de Saramago:

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Sobre O Quarto de Jack de Emma Donoghue

O Quarto de Jack tem sido até ao momento uma tremenda desilusão. Quando o comprei, nunca tinha ouvido falar da escritora, mas a obra tinha sido finalista do Man Booker Prize e do Orange Prize. Na capa, Michael Cunningham afirma que " o Quarto de Jack é uma raridade, uma completa e original obra de arte", pois bem, estou a meio do livro e ainda não vi nada, a continuar assim é um livro de 6-7 valores.
Geralmente só faço comentários aos livros depois de os acabar, pois já tive surpresas nas ultimas páginas, será este um deles?

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Aravind Adiga em O Tigre Branco

O corpo dum homem rico é como uma almofada de algodão da melhor qualidade, branca, macia e sem marcas. Os nossos são diferentes. A coluna vertebral do meu pai era corda cheia de nós, do género do que as mulheres usam nas aldeias para tirar água dos poços; as clavículas descreviam uma curva em alto-relevo à volta do pescoço, como uma coleira de cão; golpes, incisões e cicatrizes, como pequenas mascas deixadas por um chicote, percorriam-lhe o peito e a cintura, chegando-lhe abaixo dos ossos da bacia até às  nádegas. A história dum homem pobre está-lhe escrita no corpo, com uma caneta de ponta aguçada. 

Sugestão de leitura de O Tigre Branco de Aravind Adiga:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/04/aravind-adiga-o-tigre-branco.html

domingo, 6 de novembro de 2011

Albert Camus em O Estrangeiro





Depois do almoço aborreci-me um pouco e vagueei pela casa. Quando a mãe cá estava era comodá. Agora é grande de mais para mim...




Sugestão de leitura de O Estrangeiro de Albert Camus:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/search/label/O%20Estrangeiro

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Daniel Sampaio - Da Família, da Escola, e Umas Quantas Coisas Mais

“Da Família, da Escola e Umas Quantas Coisas Mais” é o vigésimo livro de Daniel Sampaio. Natural de Lisboa, formou-se em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Desde 2008 que é Professor Catedrático de Psiquiatria e Saúde Mental nessa faculdade. Neste novo livro reúne um conjunto de crónicas originalmente publicadas na revista Pública em que o tema central é a família, a escola e a cidadania.
“Não pretendo ser neutro, nem busco consenso a todo o custo. Defendo a necessidade de nos preocuparmos com o que nos rodeia, com especial atenção para os que estão mais próximos, sobretudo se forem mais vulneráveis.
É sobretudo das pessoas mais próximas que o psiquiatra fala-nos, assim sobre as crianças, afirma que devem praticar desporto, mas ressalva: “ o desporto apenas se recomenda, não se pode impor (…) outras crianças preferem desenhar ou aprender música, não faz sentido obriga-las a jogar à bola.” Desaconselha a televisão nos quartos, (“nunca deverão estar no quarto dos mais pequenos”), diz não haver a necessidade de comprar brinquedos caros pois “as crianças preferem o faz-de-conta” além disso, “a exploração do território fora de casa promove a autonomia e a autoconfiança e a sujidade nas roupas não é factor de risco”.
Sobre a escola diz que os pais devem educar “ sempre com esperança e orgulho nos filhos, mas procurando nunca criar expectativas irrealistas ou traçar metas que não dizem respeito aos interesses das crianças.” Diz que a família não é uma democracia, mas “um espaço de crescimento emocional onde cada um tem o direito de falar ou ficar calado, e todos têm o dever de pensar no cuidar e bem-estar do outro.”
Ainda aborda temas como a internet; o controlo parental; os rituais familiares; o bowling; os chumbos na escola, as depressões e a democracia.
Boa leitura…

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Breve comentário sobre O filho de mil homens de Valter Hugo Mãe


Já acabei de ler "O filho de mil homens".
Não senti o tsunami que senti quando li "a máquina de fazer espanhóis", mas fiquei com uma certeza, tal como o autor também "queria muito ser pai de mil homens e mais mil mulheres.
De um a dez, nota oito. Admito, no entanto, que com o passar do tempo possa rever a avaliação para nove valores. Por vezes precisamos de tempo para perceber a profundidade de uma obra.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sobre a cruel morte que Kadafi teve

José Rodrigues dos Santos em O Anjo Branco



"Porque isto, meu caro amigo, não é uma fita de Hollywood nem uma história do Mundo de Aventuras, mas a realidade da guerra. Nos filmes e nos livros os bons nunca eliminam mulheres nem crianças e só matam os maus em última instância. O mundo real não é assim."





Sugestão de leitura de O Anjo Branco de José Rodrigues dos Santos:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/05/o-anjo-branco-jose-rodrigues-dos-santos.html

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Gunter Grass - A Caixa

Gunter Grass é um dos nomes mais consagrados da literatura Alemã. O seu mais recente trabalho, “A Caixa” é uma autobiografia que começa em 1959, sendo uma continuação do seu anterior livro “Descascando a Cebola” só que, desta vez, liberta-se mais do campo político e volta-se para o universo familiar.
“A Mariechen é uma fotógrafa especial, pois possui uma câmara antiquada em formato de caixa que se chama Agra-Box e que durante a guerra sobreviveu aos danos causados por bombas, pelo fogo e pela água. Desde então, o aparelho nunca mais regulou bem ou então regula, mas de uma maneira diferente, razão pela qual é omnividente e produz imagens bem invulgares” e é através dessas fotos, sempre tiradas por Mariechen, que são um misto de ficção e realidade, que o autor, através do ponto de vista dos seus 8 filhos, nos vai desvendando a sua vida. Elas revelam-nos que teve 4 mulheres, é através das fotos sem flash que ficamos a saber como a construção do Muro de Berlim modificou a sua vida, ou ainda, o porquê de sendo ateu ter baptizado uns filhos e outros não. O Nobel da Literatura revela-nos que foi mau aluno, mas ensina-nos que numa relação é pior não falar do que discutir, é através das fotos em tom de sépia que o autor revela que passou fome e que restaurante português é sinonimo de barato.
Um livro polémico, em que Grass consegue ser crítico consigo e com os seus, mas também demonstra ternura e por vezes indiferença. Dá-nos ainda a conhecer alguns acontecimentos históricos da Alemanha.
Boa Leitura…

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

João Tordo em O Bom Inverno


Mas, Basco, até um escritor, que eu não sou, só é deus  das suas personagens. Só tem o poder de decidir o destino destas; e até elas, por vezes, lhe fogem das mãos.




Sugestão de leitura de O Bom Inverno de João Tordo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/11/o-bom-inverno-joao-tordo.html

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Comissão das Lágrimas de António Lobo Antunes



No passado dia 10 de Outubro comprei o novo livro de António Lobo Antunes. O livro foi lançado no dia 30 de Setembro, ou seja 11 dias antes de eu o comprar, apenas consegui arranjar a 3º edição. Pela amostra, parece que vai ser um sucesso de vendas.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Alice Viera - O Livro da Avó Alice

Alice Vieira é um nome incontornável no panorama da literatura em Portugal. O seu trabalho distingue-se sobretudo na literatura infanto-juvenil. Entre vários prémios conquistados, destaca-se o Grande Prémio Gulbenkian, galardão que foi-lhe entregue em 1994 e que distingue o conjunto da sua obra. “O Livro da Avó Alice” é o seu mais recente trabalho.
Logo no início do livro a autora avisa: “Isto não é o manual da boa avó”, “não vou teorizar sobre coisa nenhuma, não sou psicóloga nem descobri a pólvora, nem sequer vou escrever um tratado sobre a arte de ser avó”. Então o que se pode esperar deste livro de Alice Viera? “Vou apenas abrir a porta da minha casa, e deixar entrar os leitores, e esperar que partilhem e se divirtam com as nossas brincadeiras”.
“É da tradição que as avós tenham todo o tempo do mundo para os netos” contudo os tempos mudaram e hoje em dia as avós “tal como as mães, trabalham fora de casa” algumas “até têm namorados”. É da actual geração de avós que Alice Vieira fala-nos. “Nas últimas décadas, tudo mudou. O mundo não é o mesmo. As crianças não são as mesmas. E nós também não”. Ao longo do livro, não deixa de criticar certos aspectos, como o facto de as crianças estarem a ser educadas por ecrãs (“ Há anos que as nossas crianças são educadas por ecrãs. E o vidro não cria empatia.”), também alerta para o excesso de actividade que as crianças têm (“E quando é que as crianças ouvem as moscas”). Mas, não entra em revivalismos, (“por isso, avós minhas amigas!, que nem vos passe um segundo sequer pela cabeça murmurar a frase, entre todos fatídica, ah no meu tempo”) e não deixa de frisar que os netos também ajudam as avós a adaptar-se aos tempos modernos ( E os nossos netos ensinam-nos também – e não é pouco! – a viver no seu tempo”).
Com uma escrita simples e bastante agradável, este é sem dúvida um livro para ser lido por avós, pais e netos.
Boa leitura…

domingo, 16 de outubro de 2011

O Último Homem na Torre de Aravind Adiga



Acabei de ler O Ultimo Homem na Torre. Sinceramente espera mais, não que o livro seja um mau livro, este último trabalho de Adiga é sem dúvida um bom livro, mas não esta ao nível de "O Tigre Branco". De um a dez dou-lhe nota oito, mas mais perto do sete do que do nove.

O filho de mil homens de Valter Hugo Mãe


A máquina de fazer espanhóis foi um dos melhores livros que li até hoje, escusado será dizer que as expectativas são grandes relativamente a este novo romance de Valter Hugo Mãe. Vou nas primeiras páginas, vamos ver o que me espera.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Mario Vargas Llosa em A Tia Julia e o Escrevedor sobre as novelas

O que as novelas precisam de ter para serem boas, ou melhor, para terem audiência:




"Tinham de produzir, oito horas por dia, em silenciosas máquinas de escrever, essa torrente de adultérios, suicídios, paixões, encontros, heranças, devoções, casualidades e crimes (...) para iludir as tardes das avós, primas, e reformados de cada país."



Sugestão de leitura de A Tia Julia e o Escrevedor de Mario Vargas Llosa:

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Poema sobre Lisboa de Tomas Tranströmer, Premio Nobel da Literatura 2011


Lisboa

No bairro de Alfama
os eléctricos amarelos
cantavam nas calçadas íngremes.
Havia lá duas cadeias.
Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirassem
o retrato.

“Mas aqui!”, disse o condutor
e riu à sucapa
como se cortado ao meio,
“aqui estão políticos”.
Vi a fachada, a fachada,
a fachada e lá no cimo
um homem à janela,
tinha um óculo e olhava
para o mar.

Roupa branca no azul.
Os muros quentes.
As moscas liam cartas
microscópicas.
Seis anos mais tarde perguntei
a uma senhora de Lisboa:
“será verdade ou só um sonho meu?"














Tomas Transtromer, Prémio Nobel da Literatura 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

Sobre a medida que prevê cobrar a entrada nos museus aos Domingos de manhã

Hoje saio a notícia que o governo pretende passar a cobrar as entradas nos museus aos domingos de manhã.
 É verdade que as agências de viagem aproveitam muitas vezes esse horário para levar os seus clientes aos museus, quando na sua maioria essas pessoas têm condições económicas para pagar as entradas.
Estamos em tempo de crise, mas só posso concordar com essa medida, se for salvaguardado um dia em que todos possam entrar sem custos, para que as pessoas com menos recursos financeiros não fiquem privadas de conhecer a nossa cultura, a nossa arte, o nosso passado.


 Nenúfares

"Não é diante de uma paisagem que um jovem diz: quero ser pintor. É a olhar para um quadro que ele faz essa afirmação."

Claude Monet 1840 -1926

sábado, 8 de outubro de 2011

Tiago Salazar - Endereço Desconhecido


Acabei de ler o livro Endereço Desconhecido de Tiago Salazar.
Confesso que a desilusão é grande. Nunca vi o programa, mas o livro aborda tudo muito superficialmente, tem cenas que mais parece de um roteiro da Michelin, com os sítios para se comer e dormir. Tem bastantes entrevistas, mas são na sua maioria banais.
Outros podem ter outra opinião, mas quanto a mim está a anos-luz de autores como Gonçalo Cadilhe.

domingo, 2 de outubro de 2011

Gonçalo M. Tavares em Aprender a rezar na Era da Técnica

Sobre certos casos mediáticos que tem ocorrido lá para os lados de Oeiras e um pouco por todo o pais:

"Lenz não pôde mesmo deixar de pensar que até nas sociedades mais equilibradas e aparentemente mais justas, os homens poderosos só não matariam na rua, a frente de todos, um vagabundo, com as próprias mãos ou com uma arma, porque não queriam humilhar em publico as leis de um país."

Sugestão de leitura de Aprender a rezar na Era da Técnica:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/goncalo-m-tavares-aprender-rezar-na-era.html

Sugestão sobre O Senhor Eliot e as conferências.
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/04/o-senhor-eliot-e-as-conferencias.html

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Philip Roth - A Humilhação


Aos 78 anos Philip Roth foi, sem surpresa, galardoado com o Man Booker International Prize, premio que distingue bianualmente um escritor de língua inglesa pelo conjunto da sua obra. Este prémio é a mais importante distinção literária para escritores que originalmente escrevem na língua de Shakespeare. “A Humilhação”, trigésimo livro do autor, é o seu mais recente trabalho.
“No passado, quando representava não pensava em nada. Aquilo que fazia bem fazia-o por instinto. Agora pensava em tudo, e aniquilava tudo o que era espontâneo e vital.” Simon Axler era um dos melhores actores do teatro América, só que de um dia para o outro as coisas deixaram de correr bem, Axler já não conseguia subir ao palco. Acaba por ir fazer tratamentos para um hospital psiquiátrico, a partir dai, são varias as histórias que o autor nos conta em que as personagens tem em comum o facto de terem sido humilhadas.
 “Os temas antigos da literatura dramática: incesto, traição, injustiça, crueldade, vingança, ciúme, rivalidade, desejo, perda, desonra e luto” são ainda hoje bastante actuais. É desses tipos de humilhação que Roth nos fala ao longo do livro.
Um homem que é abandonado pela sua esposa; uns pais que não aceitam que a filha tenha uma relação com um homem 20 anos mais velho; um homem que vê a sua companheira troca-lo por uma mulher; uma mãe que vê a filha ser violada pelo seu marido são exemplos das diversas formas que levam as personagens de Roth a sentirem-se humilhadas.
“O suicídio é um tema que os dramaturgos abordam com temor reverencial desde o século V a. C., fascinados pelos seres humanos que são capazes de gerar emoções que possam inspirar tão extraordinário acto.” Será que Axler resistirá à tentação do suicídio, e as outras personagens, como é que se vão recompor da humilhação de sentiram?
Boa Leitura…

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Como Água para Chocolate - Laura Esquivel

            
             Laura Esquivel nasceu na Cidade do México a 30 de Setembro de 1950. “Como Água para Chocolate” é o seu maior sucesso. O livro foi adaptado ao cinema em 1992, conseguindo ser nomeado para o Óscar na categoria de melhor filme estrangeiro.
             Pedro dirige-se a casa da Mamã Elena para pedir a mão em casamento de Tita de La Garza. Só que Tita é a filha mais nova e segundo uma tradição mexicana as filhas mais novas não se podem casar nem ter filhos, ("Sabes muito bem que por seres a mais nova das mulheres cabe-te a ti cuidares de mim até ao dia da minha morte"), Mamã Elena recusa de imediato a oferta, mas diz que Rosaura, a filha mais velha, já está na idade de se casar, e caso Pedro queira, concede-lhe a sua mão em casamento. Estranhamente Pedro aceita, mas apenas para um fim, estar mais próximo de Tita.(Então vais-te casar sem sentir amor? Não, papá, caso-me sentindo um imenso e imorredoiro amor por Tita.) Tita encontra na cozinha um refúgio para o seu caso, mas os seus cozinhados tem poderes especiais, muito especiais.
            Um bolo que faz toda a gente chorar; uma mulher que nunca teve filhos e que estranhamente tem leite nas mamas; uma mãe que após morrer, reaparece muitas vezes; uma mulher que estando grávida, estranhamente deixa de estar; e muitos cozinhados com poderes especial transformam este livro numa enorme fonte de prazer para quem o lê. 
            Com uma escrita bastante apelativa e fácil de ler, esta obra não é apenas uma história bem contada pois tem várias passagens em que se questiona as mais diversas coisas. O ponto de vista da história é-nos sempre dado da aldeia onde vive toda a família de Tita, também é utilizado o realismo mágico como estilo de escrita, nestes aspectos a comparação com Cem anos de Solidão parece evidente, no entanto, esta obra, sendo um bom livro, está longe da profundidade do livro de Márquez.
            Boa leitura…

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Stéphane Hessel em Indignai-vos

Os responsáveis políticos, económicos, intelectuais e a sociedade em geral não podem desistir, nem deixar-se impressionar pela actual ditadura internacional dos mercados financeiros que ameaça a paz e a democracia.

Sugestão de leitura de Indignai-vos:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/05/stephane-hessel-indignai-vos.html

domingo, 18 de setembro de 2011

Eça de Queiroz em a Cidade a as Serras

Sim, é talvez tudo uma ilusão... E a Cidade a maior ilusão!
(...) Certamente, meu Príncipe, uma ilusão! E a mais amarga, porque o Homem pensa ter na Cidade a base de toda a sua grandeza e só nela tem a fonte de toda a sua miséria.

Sugestão de leitura sobre A Cidade e as Serras:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/09/no-passado-dia-16-de-agosto-fez-cento-e.html

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Medina Carreira - O Fim da Ilusão

Actualmente com 80 anos, Medina Carreira é conhecido há vários anos por ser um crítico relativamente a caminho que o país seguiu. Chegou a ser apelidado de “profeta da desgraça”, ou de “Velho do Restelo”. O seu mais recente livro, além de uma análise sobre a actual situação económica e social, reúne os textos por si publicados desde 2001, que anteviam o actual cenário económico e social.
 “A situação é duríssima, e, doravante, só os tolos se deixaram enganar” segundo o antigo ministro das finanças, “chegou-se, assim, à beira da bancarrota, mais de um século depois da ultimo que conhecemos”. Para o autor, Portugal não tem apenas uma crise económica, também tem uma crise politica, pois "o sistema mostrou-se inapto para vencer as dificuldades”. Chega mesmo a afirmar que os actuais partidos “propiciam o aparecimento na cena politica de homens de segundo plano”. Bem ao seu estilo, sempre com frontalidade, falamos da actual situação na educação onde segundo este, faz-se “crer na possibilidade de aprender em poucos meses aquilo que só se pode aprender em alguns anos”.
            Na última crónica do seu livro, Medina Carreira deixa um aviso: “Sem resposta eficaz para o presente afundamento económico, a actual democracia mergulhará o nosso país numa confusão financeira e social, de efeitos dificilmente previsíveis, e acabará por ser substituída. Provavelmente, entre 2015 e 2020.” Por tudo isto, torna-se imperativo que o actual governo não falhe mais uma vez como aconteceu com os que o antecederam.
Boa leitura…

terça-feira, 13 de setembro de 2011

José Saramago em A Viagem do Elefante

O mesmo céptico, se aqui estivesse, não teria outro remédio que depor por um instante o seu cepticismo e reconhecer, Bonito gesto, este carnaca é realmente um bom homem, não há dúvida de que as melhores lições nos vêm sempre de gente simples.

Outras citações de Saramago:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/08/jose-saramago-cadernos-de-lanzarote.html

Sugestões de leitura de livros de Saramago:
A Viagem do Elefante:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2009/01/aviagem-do-elefante-jose-saramago.html
O Evangelho Segundo Jesus Cristo:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2011/06/o-evangelho-segundo-jesus-cristo-jose.html

domingo, 4 de setembro de 2011

O Planalto e a Estepe - Pepetela

“O Planalto e a Estepe” é o mais recente trabalho de Pepetela. Natural de Angola, Pepetela é licenciado em Sociologia e é docente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto. Em 1997 tornou-se o mais jovem autor a receber o Premio Camões.
Baseado em acontecimentos reais, ficcionado pelo autor, o livro conta a história de Júlio Pereira desde os anos 60 até aos nossos dias. Júlio nasceu em Angola, num Planalto. Cedo apercebe-se que existe racismo em Angola, pois na sua aldeia, discriminam os seus amigos por estes serem negros. Ainda bastante jovem deseja a libertação do seu povo da opressão do colonialismo. Depois de acabar o liceu, parte para Portugal para estudar em Coimbra, o regime salazarista obriga-o a ir lutar contra os revoltosos em Angola, como iria combater pelo lado contrário ao seu coração vai para Argel e mais tarde para Moscovo com o intuito de formar-se para depois ajudar na independência de Angola. Em Moscovo conhece Sarangel, uma jovem rapariga mongol, natural da estepe, filha de um ministro da defesa Mongol, que ao saber da notícia do namoro da sua filha com um jovem africano decide separá-los. Ao longo da sua vida Júlio apercebe-se que, infelizmente, existe discriminação entre todos os grupos sociais.
A partir do momento da separação, Júlio irá lutar apenas por duas coisas: por reencontrar Sarangel e por um futuro diferente para Angola.
Este é um romance sobre o triunfo do amor, contra todas as vontades e todas as fronteiras.
Boa leitura…

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Leite derramado de Chico Buarque

"E simbolicamente fiz gravar seu nome no jazigo que minha mãe mandara erigir para meu pai, conforme projeto de um escultor funerário genovês. Ali mamãe também seria sepultada, assim como o meu bisneto, e eu mesmo tinha uma gaveta reservada para quando Deus me chamasse. Mas da última vez que foi ao cemitério São João Batista, no lugar do jazigo dos Assumpção encontrei um monstrengo de mármore lilás, habitado por um defunto com nome de turco.Foi crueldade da minha filha, se ela vendesse o nosso apartamento em vez da sepultura, eu me acharia menos desalojado."

Sugestão de leitura de leite derramado de Chico Buarque:
http://sugestaodeleitura.blogspot.com/2010/11/leite-derramado-chico-buarque.html

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa sobre o que vai acontecer à Libia

Sobre o que vai acontecer na Libia:

"Um regímen revolucionário, enquanto existe, e seja qual for o fim a que visa ou a ideia que o conduz, é materialmente só uma coisa – um regímen revolucionário. Ora um regímen revolucionário quer dizer uma ditadura de guerra, ou, nas verdadeiras palavras, um regímen militar despótico, porque o estado de guerra é imposto à sociedade por uma parte dela – aquela parte que assumiu revolucionariamente o poder. O que é que resulta? Resulta que quem se adaptar a esse regímen, como a única coisa que ele é materialmente, imediatamente, é um regímen militar despótico, adapta-se a um regímen militar despótico. A ideia, que conduziu os revolucionários, o fim, a que visaram, desapareceu por completo da realidade social, que é ocupada exclusivamente por fenómenos guerreiros. De modo que o que sai duma ditadura revolucionária – e tanto mais completamente, sairá, quanto mais tempo essa ditadura durar – é uma sociedade guerreira de tipo ditatorial, isto é, um despotismo militar. Nem mesmo podia ser outra coisa. E foi sempre assim."


domingo, 21 de agosto de 2011

Ilha Teresa - Richard Zimler

            Há vinte e um anos a viver na cidade do Porto, Richard Zimler nasceu em 1956 em Roslyn Heigts, Nova Iorque. Actualmente lecciona Jornalismo na Universidade do Porto. Em 2002 obteve a nacionalidade portuguesa. Publicado em 2009, “Os Anagramas de Varsóvia” foi considerado pelo jornal Público um dos vinte melhores livros da década.
            Teresa é uma adolescente que vai viver para a América. Longe do seu país, demora algum tempo a aprender a dominar a língua inglesa. O seu pai morre pouco tempo depois de chegarem aos Estados Unidos. Tem uma relação bastante complicada com a mãe, que atraída pela sociedade de consumo torna-se bastante consumista e negligente. Pedro, o irmão mais novo, e Angel, um brasileiro de dezasseis anos, são os seus únicos amigos. Teresa vê-se assim “rodeada de água” vivendo na sua pequena ilha sentimental. (“Vamos lá a ver as coisas como elas são: ter quinze anos num país estrangeiro e não ter lado nenhum para onde fugir significa estar naufragada na nossa própria ilha deserta, a milhares de milhas de qualquer sítio onde pudéssemos estar.”). Teresa não consegue fazer novas amizades, na escola vê o seu amigo Angel ser descriminado por ser gay, o seu estado depressivo leva-a a consumir bastante vodka. Pensa em suicidar-se, mas Pedro antecipa-se a si. Enquanto o irmão melhora no hospital, Mickey, amigo do seu pai, revela-lhe o seu segredo: “ de um dia para o outro vi-me na casa pia”…”tinha nove anos quando aquilo começou”…”vendiam-me a homens fora do orfanato por uma noite de cada vez”.
            A revelação que Mickey faz, transforma completamente esta obra e dá-lhe um outro sentido, pois também aqueles adolescentes da Casa Pia viveram ou vivem numa “Ilha Teresa”
            Boa leitura…